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Alunos deixam a Escola Mendes de Moraes, símbolo das ocupações


Os alunos do colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, anunciaram a desocupação do local ao longo do dia nesta segunda-feira, 16. A escola foi a primeira unidade da rede a ser ocupada por estudantes, no dia 21 de março, com o objetivo de apoiar a greve dos professores e pedir melhorias na qualidade da educação.

Durante o anúncio, houve uma confusão entre o chefe de gabinete da secretaria Estadual de Educação (Seeduc), Caio Castro Lima, e a professora de Geografia do colégio, Alessandra Bruno. O desentendimento começou após um boato de um suposto ataque de alunos contrários à ocupação se espalhar entre os presentes.

A docente teria acusado Caio Castro Lima de incitar ataques ao colégio. O chefe de gabinete teria mandado a professora "calar a boca" e após levantar o dedo para ela, foi xingado de fascista, machista, e expulso do lugar pelos estudantes. Após a discussão, Caio Castro Lima pediu exoneração do cargo.

Os alunos comunicaram que o movimento "Ocupa Mendes" sai do colégio pela quantidade de pautas atendidas pela Seeduc. De acordo com a liderança do movimento, são elas: exoneração do diretor da unidade, Marcos Madeira; o fim do Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj); e a reunião da Secretaria com os outros colégios ocupados.

Além disso, outra reivindicação geral foi atendida na semana passada por deputados: um projeto de lei foi aprovado pela Alerj e prevê que eleições de diretores das escolas. O grupo também anunciou o desligamento do comando geral do "Ocupa Mendes", porém, afirmaram que a luta continua. Caso necessário, voltarão ao local.

Em nota oficial, a Seeduc informou que Caio Castro Lima esteve no Prefeito Mendes de Moraes a pedido dos alunos que desejavam anunciar o fim da ocupação. Mas, após o anúncio formal, grevistas contrários agrediram verbalmente o representante e a entrevista coletiva precisou ser interrompida.

A secretaria informou, ainda, que lamenta que "um excelente profissional, de toda a confiança do secretário, tenha sido agredido e insultado durante suas atividades de trabalho." O órgão acrescentou que, desde o início das ocupações, o chefe de gabinete cumpria uma agenda de conciliação com sucesso e todos os pontos acordados continuam mantidos.

A paralisação dos professores dura mais de dois meses sem previsão de término. A próxima assembleia ocorre na terça-feira, 17, às 10h, na quadra da Escola de Samba São Clemente, na Cidade Nova. No mesmo dia, às 17h, no auditório do Sepe/RJ, ocorrerá uma roda de conversa sobre a saúde mental dos profissionais de educação.

No início do mês, a Seeduc apresentou propostas às reivindicações dos docentes. Uma delas diz respeito ao abono das greves, já publicado pelo governador, que abona para todos os fins, as paralisações ocorridas entre 1993 e 2016. Foi definido que, a partir de 2017, estão garantidos dois tempos de Filosofia e Sociologia no 1º ano do ensino médio.

Quanto à carga horária dos funcionários das escolas, será votado na Alerj um projeto de lei que estabelece jornada de 30 horas semanais. Em relação ao reajuste salarial de 30% solicitado, o governador em exercício, Francisco Dornelles, reafirmou a impossibilidade de reajuste no momento.

Por: Larica Santos - [email protected]
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