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As vantagens de estudar a distância


O ensino superior tem registrado, nos últimos dez anos, tendência de crescimento no país. E esse viés é ainda mais acentuado nos cursos a distância. Em 2005, só 4,1% dos matriculados em universidades, faculdades e centros universitários estudavam na modalidade não presencial. Em 2014, ano da estatística mais recente do MEC, essa taxa era de 17,1%.

Em números absolutos, a expansão é ainda mais notável. Em 2014, o  número de matriculados em cursos de ensino superior a distância era quase doze vezes maior: 1.341.842 contra 114.642, em 2005. A estudante de Publicidade Viviane Matagi faz parte dessa legião de brasileiros que estuda pelo método a distância. Para ela, são várias as vantagens. “Eu ainda agradeço, pois acho que adianta a conclusão do curso, por permitir uma rotina menos cansativa, já que não precisamos ir à faculdade para ter as aulas, apenas para fazer a prova”, ressalta.

A procura cada vez maior pela EAD se deve às diversas vantagens que este método oferece, incluindo a flexibilidade de tempo que o aluno tem para o estudo, facilidade de acesso aos conteúdos através das novas mídias (celular, tablet e notebooks) permitindo que o estudante assista às aulas ou realize atividades em qualquer lugar, autonomia na escolha em relação ao horário de estudo e o contato com universitários de diferentes perfis.

Outro ponto que tem ajudado a turbinar a procura por cursos a distância é a própria dinâmica do mercado de trabalho atual, onde o profissional interage com diversas plataformas de comunicação, o que torna o aluno da EAD mais preparado para contemplar esse tipo de demanda. Estas são características que, segundo especialistas, contribuem para desenvolver atributos valorizados nas empresas, como o espírito empreendedor e a capacidade de planejamento e liderança.

O ensino a distância está longe de ser uma novidade no Brasil. Seu início vem dos cursos por correspondência, na primeira metade do século passado, quando o aluno recebia o material solicitado em casa, com conteúdos e exercícios sobre o tema a ser estudado. Em 1970 veio a segunda geração do EAD, que tinha por base o envio de fitas de vídeo e programas de televisão, por exemplo, para complementar os materiais impressos. Atualmente, vivemos a terceira geração que, impulsionada pela popularização da internet, pauta-se na integração entre o ensino e tecnologias da informação e da comunicação.

Maturidade e disciplina são
decisivas para aluno de EAD
Após passar 10 anos no exterior, Thaynara Segurado, aluna a distância do curso de Letras, queria aplicar seus conhecimentos em língua inglesa em sala de aula. A educadora escolheu estudar a distância, pois precisava cursar uma licenciatura que, aliada a seu bacharelado, permitiria que ela seguisse rumo à carreira de seus sonhos.

Um dos fatores que influenciaram a decisão da consultora de treinamento pelo formato a distância foi já ter tido contato com o método na Escócia, em 2009, onde fez uma especialização em pedras preciosas pela Gemmological Association of Great Britain. Segundo Thaynara, para esse tipo de ensino, é imprescindível ter maturidade, necessária na hora de administrar o estudo, para que não se desperdice tempo nem dinheiro.

“Quando uma pessoa faz um curso EAD, muitas portas se abrem! Ela descobre em si mesmo a capacidade de autogerenciamento, e vê que existem várias possibilidades no mercado tanto nacional, quanto internacional. Hoje em dia, há várias universidades no mundo que oferecem cursos EAD pagos ou gratuitos com emissão de certificados.”

A possibilidade de estabelecer uma rotina de horário de estudos própria foi a maior vantagem destacada por Raphael Moraes, 24 anos, do 3º período Gestão de Finanças na Universidade Veiga de Almeida. Por trabalhar das 9h às 18h, para ele, seria difícil frequentar um curso presencial, ainda que noturno. “Eu até tentei. Antes de eu entrar na Veiga, fazia o curso superior de Processos Químicos, no IFRJ. Minha primeira aula começava às 18h30 e, como eu trabalho em Copacabana, nunca chegava em meia hora lá. Ainda tentei levar por um período e não consegui. Por isso, preferi buscar um curso a distância”, disse o hoje estudante da Veiga.

A modalidade a distância, salienta Raphael, também possibilita ao estudante montar seu próprio projeto de estudo e estabelecer, por exemplo, horários para estudar a parte teórica, realizar, pesquisas, resolver exercícios, entre outras atividades. Até mesmo em relação aos momentos de atividade presencial, que toda instituição deve oferecer, é possível, dependendo da atividade, combinar um horário mais favorável. Assim, o estudante não precisa, por exemplo, abandonar ou trocar de emprego. Segundo Raphael, não é por ser mais flexível que o curso de EAD é mais fácil.

“No sistema presencial, todo dia o aluno pode tirar dúvidas, o professor dá o passo a passo. No ensino a distância, é você e a tela do computador. A pessoa tem de estudar a matéria, tem que ter estar ali presente, precisa religiosamente, de preferência todo dia, entrar no site e estudar. Mas, o aluno que quer ele vai correr atrás”, destaca.
 


Qualidade dos cursos a distância depende de vários fatores

O crescimento da oferta de cursos a distância fez surgir todo tipo de instituição e curso no mercado. Para identificar aquelas que realmente têm qualidade, todo cuidado é pouco. Na opinião de Abílio Gomes, vice-presidente de Educação a Distância da Rede Ilumno, antes de escolher, é essencial verificar fatores como: se o curso é autorizado pelo MEC, a infraestrutura disponível nos polos de atividade presencial e, principalmente, como é prestado o serviço de tutoria. “O grande desafio é exatamente esse: tornar o aluno a distancia o mais presente, o mais próximo possível da universidade”, disse o especialista, ao se referir à importância do acompanhamento feito pelos tutores.

FOLHA DIRIGIDA - O que é essencial o estudante saber, ao procurar um curso em ensino superior a distância, em relação ao corpo docente?
Abílio Gomes - Ele precisa primeiro verificar se a universidade é autorizada para oferecer o serviço de EAD, se ela já possui cursos reconhecidos, qual a avaliação que o MEC faz dessa instituição e dos cursos que oferece. Isso é de domínio público, o aluno pode consultar e, assim, não correr riscos. E o corpo docente dos cursos a distância, na verdade, é o mesmo do ensino presencial.

E em relação à infraestrutura e ao ambiente virtual de aprendizagem?
Buscando informações junto ao MEC, ele já terá condições de ter segurança de que a instituição garante o mínimo de qualidade, inclusive no ambiente virtual e toda estrutura. No caso do Brasil, é obrigatória a realização de alguns encontros presenciais em polos parceiros e na própria universidade. Nesse caso, é importante se informar sobre os recursos disponíveis para essas atividades, ou seja, a infraestrutura mínima de hardware e software. Eu estou falando de uma internet boa, de computadores, uma boa biblioteca e vários outros recursos essenciais para pesquisas e para a realização das atividades.

Qual o papel da tutoria para a qualidade de um curso a distância?
O papel do tutor é o de um professor em sala de aula. Só que, no caso da EAD, o desafio é maior. É fundamental conversar não só com os que interagem nos fóruns de discussão sobre a disciplina, mas com aqueles que não estão frequentando o ambiente virtual. As instituições da Rede Ilumno têm equipes preparadas para colher esse tipo de informação. O grande desafio nessa modalidade é exatamente esse: tornar o aluno a distancia o mais presente, o mais próximo possível da universidade.

O que é essencial para um bom rendimento em um curso de EAD?
Assim como no presencial, é preciso buscar, pesquisar e participar ativamente. Depende muito do aluno. Na modalidade a distância, o papel da tutoria é essencial, mas o aluno tem de ter autodisciplina. Mas, às vezes, temos de ajudá-lo nesse sentido, pois estamos falando de jovens que, muitas vezes, ainda não desenvolveram essa competência da autodisciplina. E é nosso papel ajudar.

A Rede Ilumno anunciou um grande investimento em educação no Brasil. O que está reservado para o segmento de educação a distância?
Boa parte desse investimento vai para a EAD. Vamos, por exemplo, promover um upgrade no ambiente virtual. Ao contrário do que muita gente imagina, a educação a distância no Brasil nasceu de forma errada. Não deveria ser mais barata. O investimento em tecnologia para um ensino a distância de qualidade deve ser pesado e vamos fazer esses investimentos para gerar conteúdos inovadores. Cada vez mais estamos com uma tendência de ensino usando a tecnologia em forma de games. Mas, tudo isso sempre em sintonia com a proposta curricular das duas universidades que fazem parte da Rede Ilumno: a Veiga de Almeida e a UniJorge.

Por: Larica Santos - [email protected]
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