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Audiência pública expõe o quadro caótico da Uerj


Passe-livre com abrangência intermunicipal, pegamento aos terceirizados e investimentos na infraestrutura: estas são só algumas das reivindicações da comunidade interna da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Aos gritos de “Que contradição: tem dinheiro para as Olimpíadas, mas não tem para a educação”, manifestantes mostraram o descontentamento com o quadro da instituição na manhã desta quarta-feira, dia 13, quando a Comissão de Educação da Alerj realizou uma audiência pública para debater a greve na universidade.

No evento, realizado no Campus Maracanã a Uerj, muitos alunos e servidores tiveram a oportunidade de falar pública e diretamente com o reitor Ruy Garcia Marques, deixando o clima agitado. Professores, funcionários e estudantes do ensino superior - e até mesmo do Cap-Uerj - reivindicavam com cartazes e gritos, exigindo melhorias na educação. A emoção não foi pouca: houve até lágrimas. Quando Silvana, uma funcionária terceirizada, pegou o microfone e fez seu discurso, trazendo para todos sua realidade e de muitos outros que estão sem receber seus salários, pôde-se perceber uma comoção geral no auditório.

Emociocionada, Silvana conseguiu mostrar para todos ali o impacto que o atraso nos salários traz para os servidores. “Há funcionários sem condições de comprar material escolar. Há funcionários com contas vencidas. Há funcionários tendo que pagar para trabalhar”, afirmou. Mas os problemas não param por aí. A falta de verba também afeta a pesquisa, como criticou Eduardo Torres, professor e pesquisador de Medicina.

Em seu discurso, Eduardo defendeu que, sem investimentos, não há como realizar um trabalho com excelência que, segundo ele, é muito cobrado pelo estado. “Eu sou docente aqui da universidade, fiz o concurso, assim como vários colegas, e posso dizer que está muito complicado produzir ciência na Uerj. Um exemplo disso é o próprio ambiente onde ficam os animais para teste: está em condições precárias”.

Cada lado expôs sua dificuldade, e nem as crianças ficaram caladas. Os alunos do Cap-Uerj Milena Sá e Mateus Zanon também aproveitaram a presença dos deputados para falarem dos problemas da escola. Os alunos trouxeram à tona problemas que, segundo eles, causam um sucateamento da educação. “Não temos acesso à merenda, não temos acessibilidade. Atualmente, só o terceiro ano está tendo aulas graças à exceção que abriram, porque não podem ficar sem o conteúdo”, discursou Milena. Com apoio dos presentes, Mateus completou: “Essa situação não é só na universidade, mas de toda a educação pública estadual. Não podemos aceitar que tanta verba seja liberada para isenção fiscal enquanto o CAp está caindo aos pedaços.”

Para quem precisar de mais provas da precariedade da situação da educação pública, Amanda Mara, da faculdade de História, dá um exemplo bem claro: “Fui ao banheiro agora e não tinha água. Se para a casa grande (campus Maracanã) está assim, imaginem para a senzala (campi menores).”
A comissão apoiou os estudantes, professores e servidores que se manifestaram. Mas, sobretudo, o deputado Paulo Ramos fez referência ao discurso emocionado de Silvana e opinou: “Podemos ver o que passa o funcionário terceirizado. O servidor público tem que ser concursado, tem que ter plano de cargo, regime estatutário! O servidor público não é um empregado do governo, ele serve à sociedade”.

 


Faltam efetivos no Hospital Universitário

Não é só a educação que vem sofrendo com a falta de investimentos. O Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) também precisa de verba. O edital do concurso público para o preenchimento de 120 vagas de técnico de enfermagem da instituição estava previsto para fevereiro, mas ainda não foi liberado. A preocupação dos atuais funcionários do hospital é que, com as Olimpíadas, os ambientes em que seriam aplicadas as provas sejam emprestados para o evento, atrasando ainda mais a contratação. Quem sente na pele as consequências é a população, como conta Genilda Alves, que costuma frequentar o local. “Vejo muitas pessoas que vêm aqui e não conseguem ser atendidas, por falta de funcionários”.

Apesar da falta de efetivos, os poucos que atuam no Hupe abraçam a profissão e fazem de tudo para atender à população. Quem sabe bem disso é Maria Ferreira, que há sete anos frequenta o hospital e diz muito bem tratada. Mas vontade de fazer dar certo não é suficiente quando não se tem condições básicas para isso. O enfermeiro Fernando Rodrigues, um desses que veste a camisa para servir à população, diz que o quadro profissional está bem reduzido.

“Há uma defasagem muito grande de servidores aqui, principalmente técnicos de enfermagem. Isso impacta diretamente na assistência prestada ao público”. Ainda segundo Fernando, um grande número de enfermarias está fechado por conta da falta de profissionais. A coordenadora de Enfermagem do Hupe, Rejane Araújo confirma: “A gente precisa desse concurso para ontem!”

Por: Lucineia Ribeiro - [email protected]
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