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Críticas à premiação na rede estadual do Rio


A iniciativa da Secretaria Estadual de Educação (SEE) de premiar os estudantes com melhor desempenho no Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj) não foi bem aceita entre os educadores. Pelo menos entre alguns integrantes do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro (CEE/RJ).

Após divulgar os resultados do Saerj, o órgão informou que irá premiar 9.964 alunos da rede com notebooks ou tablets (ainda não está definido) e 25 estudantes do ensino médio receberão bolsas de estudos em universidades privadas.

Para Antônio Rodrigues, representante do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) no CEE/RJ, a premiação dos melhores alunos é uma prática comum ao antigo modelo de “escola tradicional”, já extinto, principalmente em tempos de políticas de inclusão.

“Essa é uma política ruim, que vai de encontro a uma escola para todos. Quem serão os ganhadores? Quais são as possibilidades de alunos de escolas de periferias ou de cidades do interior receberem esse prêmio?”

Antônio Rodrigues argumentou, ainda, que o momento da Educação fluminense não é de euforia, pelo contrário, a demanda na rede estadual é por melhorias salariais para os servidores. “Reconhecer o mérito é pagar os professores conforme sua qualificação, dentro de um plano de carreira justo. Além disso, gostaria de saber para quais universidades serão oferecidas bolsas, uma vez que muitas delas estão atrasando o salário dos professores”, acrescentou o educador.

Quem também condenou a medida foi o professor Lincoln Tavares, diretor do Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CAp-Uerj), membro da Câmara de Educação Básica do CEE/RJ. “Considero reconhecer de alguma forma o mérito de estudantes de educação básica de escolas públicas importante.

Mas, no meu entendimento existem outras formas de promover esse reconhecimento. Esses questões não podem ser vistas como questões meramente pessoais. É preciso, de algum modo, reconhecer o trabalho das instituições nas quais os alunos com melhor desempenho estudam”, observou o docente.

Como modelo de política pública de reconhecimento eficaz, Lincoln Tavares citou a Olimpíada de Matemática, na qual os melhores alunos recebem bolsas de iniciação científica e as instituições laboratórios de Informática e biblioteca.

“A distribuição de tablets é pontual. Nada garante que o tablet ou o notebook vai ter um uso educativo. Essas máquinas podem, eventualmente, até serem vendidas. Portanto, acredito que um estágio ou uma bolsa de iniciação científica poderia impactar de forma mais eficiente a vida escolar dos alunos.
Além disso, a premiação com Laboratórios de Informática, por exemplo, gera um bem físico, que é para todos e não apenas os melhores alunos”, observou o diretor do CAp-Uerj, que após ter ganho três vezes a Olimpíada Brasileira de Matemática foi considerado “hors concurs” na competição.

Já o presidente da Câmara de Educação Básica do CEE/RJ, José Carlos Portugal, diretor da Rede MV1 de Ensino, salientou que os “tablets” constituem uma ferramenta que será imprescindível nos próximos anos. Contudo, o educador, que adota somente material didático digital no ensino médio de todas as unidades de suas redes, salienta que o número de máquinas a ser distribuído (9.964) ainda é pequeno, diante da rede estadual de ensino, que atende a mais de um milhão de alunos.

“Os tablets já são uma realidade na Coreia do Sul. A educação brasileira precisa dar um passo adiante no uso de novas tecnologias nas salas de aula. Contudo, para realizar esse trabalho é preciso capacitar os professores”, completou Portugal.
 

Por: Tainara Silva - [email protected]
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