Folha Dirigida Entrar Assine

Educadores cobram perfil pedagógico do Inep


Um dos primeiros atos do novo ministro da Educação, Aloizio Mercante, foi trocar o comando do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e de quatro das seis secretarias do MEC. No último dia 7, anunciou a saída de Malvina Tuttman da presidência do Inep, ex-reitora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), e designou Luiz Cláudio Costa, que atuava como secretário do Ensino Superior, para presidir o órgão.

E, ao fazer um balanço de sua atuação no Inep, que durou aproximadamente um ano, Malvina Tuttman lamentou não ter tido tempo suficiente para imprimir um novo “perfil pedagógico” ao órgão. Sua meta — informou a educadora em entrevista publicada na edição de nº 2.039 da FOLHA DIRIGIDA —, era aprimorar a realização de estudos e pesquisas sobre os dados coletados em censos e avaliações: o que seria, segundo a educadora, anseio da equipe do Inep.

E o desejo de que o órgão aprofunde a análise dos indicadores educacionais parece ser uma reivindicação do setor educacional. Membro da Câmara de Ensino Superior do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro (CEE/RJ), o educador Magno Maranhão assinala que a ênfase na pesquisa dos indicadores educacionais era o espírito pregado por seu célebre diretor, Anísio Teixeira, cujo objetivo era “fundar em bases científicas a reconstrução educacional do Brasil”.

Contudo, na avaliação de Magno Maranhão, o excessivo trabalho de aplicação de avaliações dos sistemas público e privado de ensino tem desviado o órgão de sua função primordial. “O Inep está desnorteado. Sua função primordial, pregada inclusive por Anísio Teixeira, é a pesquisa educacional”, afirmou o membro do CEE/RJ.

Nesse contexto, Magno Maranhão defende a criação de uma agência independente, especializada em realizar avaliações, e a concentração do trabalho do Inep na análise de indicadores educacionais. “No Brasil, é o poder público que faz a avaliação do sistema público e do sistema privado. Não é competência do Inep fazer avaliações”, declarou o conselheiro.

Quem também crítica a realização de avaliações por parte do Inep é o João Pessoa de Albuquerque, integrante do CEE/RJ e membro da Associação Brasileira de Educação (ABE). Segundo João Pessoa, o Inep deveria deixar de realizar, pelo menos, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Somos uma república federativa e acredito que cada unidade deveria definir a sua forma de acesso ao ensino superior. O Enem não deveria existir. No Brasil, o MEC ainda age como uma babá educacional. Trata-se de uma herança dos tempos do Império e do Estado Novo”, observou João Pessoa de Albuquerque.

Enem - Outro destaque na entrevista de Malvina Tuttman para FOLHA DIRIGIDA foi a explicação para a realização de apenas uma edição do Enem em 2012 e não duas, como o MEC havia anunciado anteriormente. Integrante do CEE/RJ, Leise Pinheiro assinala que, embora a atitude do MEC pareça ser um passo para trás, a realização de apenas uma etapa pode significar avanços no futuro. “Acredito que o exame teve questões bem elaboradas e os desafios de logística e infraestrutura foram superados. O grande desafio, no momento, é o aumento do banco de questões testadas”, explicou a integrante da Câmara de Ensino Superior e Educação Profissional do CEE/RJ.

Nesse sentido, Leise Pinheiro argumenta que, se o Enem fosse regionalizado, os riscos problemas seriam reduzidos. “O banco de questões testadas de que o Inep dispõe é pequeno para a demanda nacional. Ele precisa, no mínimo, ser duplicado para minimizar os riscos. Se o Enem fosse regionalizado, esse banco de questões poderia ser ampliado”, completou a educadora.

Por: Tainara Silva - [email protected]
Assine e tenha acesso completo ao conteúdo do Folha Dirigida
OU

Comentários

NEWSLETTER
Cadastre-se para receber notícias e Informações