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Educadores destacam contribuição de Beltrame


Ele não é um educador militante, no sentido de viver estritamente dentro da Educação. Apesar disso, José Mariano Beltrame recebeu o prêmio Fernando de Azevedo, da Academia Brasileira de Educação. Segundo a acadêmica Teresinha Saraiva, a contribuição que o processo de pacificação nas comunidades traz para a educação nas regiões conflagradas já é suficiente para elegê-lo.

"Consideramos que o educador do ano não é só o professor da sala de aula, mas alguém que trabalhe para o bem da comunidade. E o que ele fez nas comunidades permitiu que as escolas fossem reabertas e a educação acontecesse. Então, é um educador. Devolveu a cidadania a mais de 300 mil pessoas. O povo estava subjugado. Foi uma escolha muito merecida", enaltece.

O também acadêmico Arnaldo Niskier aponta as escolas que foram reabertas nas comunidades que estavam sob domínio do tráfico de drogas e a possibilidade de resgatar a cidadania da população são pontos fundamentais para a escolha do secretário de Segurança para o prêmio Fernando de Azevedo.

"Quando você imagina quantas escolas de risco existem no Rio de Janeiro, que ainda funcionam de forma precária por situarem em zonas quase conflagradas, para usar um termo de guerra, significa que ele exerce um papel de grande educador. É uma pessoa que tem a confiança da sociedade, vem realizando um belo trabalho, onde vai é aplaudido enormemente, e por isso a Academia entendeu que, saindo um pouco dos padrões vigentes, ele deveria merecer a premiação para significar o apreço que todos temos o trabalho que ele desenvolve no estado."

Chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, a delegada Martha Rocha acredita que o prêmio dedicado a Beltrame é merecido, e reflete uma imagem da educação que muitas vezes não é percebida.

"Educação não é apenas a formal, aquela que se aprende em sala de aula. Todo ser humano é e deve ser um educador em potencial. No caso do secretário, as ações desenvolvidas no conjunto das iniciativas da Secretaria de Segurança, na questão da pacificação, na possibilidade de que essas crianças dessas comunidades pacificadas possam ter uma educação formal qualificada, que seja integradora, solidária e sem preconceito, pautada em conceitos éticos e na paz, é a melhor e mais importante forma de educar."

Para Arnaldo Niskier, já é possível medir o efeito positivo causado pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora nas áreas em que o controle paralelo ainda não foi derrotado.

"Esses locais com UPP são mais pacíficos, onde se pode desenvolver na escola uma atividade regular, trazendo resultados palpáveis para a educação das crianças do Rio de Janeiro. Os locais onde ela não foi instalada continuam a dar problemas. É uma experiência também vitoriosa e que deve muito ao educador do ano."

Por: Marcella Dos - [email protected]
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