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Educadores veem propostas de Mercadante com ressalvas


O novo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, assumiu a pasta na tarde desta terça-feira, dia 24, após substituir Fernando Haddad, que vai disputar a eleição da Prefeitura de São Paulo. Em seu pronunciamento oficial - que contou com a presença da presidente da República, Dilma Rousseff, e do ex-presidente Lula - Mercadante citou algumas iniciativas que colocará à frente do Ministério da Educação.

Entre os pontos, está a criação de uma residência dos licenciandos ao magistério, nos moldes de como é feito na área da Medicina. "Para melhorar o acompanhamento pedagógico, será necessário aproveitar o potencial dos estudantes de licenciatura que estão se aperfeiçoando e fazê-los realizar, sempre orientados por professores experientes, estágios nas escolas públicas, principalmente no que diz respeito ao aprendizado de Português e Matemática", declarou o ministro.

A educadora Nilda Teves, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que seja uma boa proposta do MEC. No entanto, teme que a estrutura das escolas brasileiras não seja adequada para colocá-la em prática. "O problema é tornar isso uma realidade. As escolas não têm condições para estabelecer residência de profissionais, principalmente no interior. É preciso um plano bem estruturado, com o acompanhamento de um supervisor", ressalta.

A presidente União dos Professores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Uppes), Teresinha Machado, acredita que a ideia é boa, mas critica que ela seja aplicada nesse momento. Segundo ela, há outras prioridades para o ministro direcionar suas energias e investimentos. "Ele precisa saber que a profissão não está atraindo as pessoas, por causa de baixos salários, falta de garantia de sobrevivência, péssimas condições de trabalho. Em primeiro lugar, o ministro deveria se preocupar em conhecer a realidade da educação no Brasil. O ministro está construindo o telhado antes de acertar a base, que está no ensino fundamental das escolas", acrescenta a educadora.

Mercadante anunciou, ainda, que pretende iniciar um amplo diálogo para que os estados e municípios assegurem a implantação do piso nacional para os docentes e realizar os esforços necessários para a melhoria da remuneração e das condições de trabalho do magistério e dos demais profissionais da educação. Teresinha Machado criticou como um tema tão emergencial é tratado pelo gestor do MEC.

"O piso nacional não deveria ser conversado com governadores e prefeitos. Deveria ser uma imposição do Congresso, para melhorar a educação. Para chegar a residência que ele pretende criar para os professores, precisará melhorar os salários deles. Se depender dos políticos, o plano não chegará a lugar algum. O piso que foi agora estipulado, para 40 horas, é um salário ainda baixo", lamenta.

Apesar de não ter comentado oficialmente, há rumores de que o novo ministro da Educação almeja a substituição de integrantes da cúpula do MEC, entre eles, a presidente do Inep, Malvina Tuttman, e a secretária de Educação Básica, Maria do Pilar. Nilda Teves não acredita que os principais projetos da pasta sejam esquecidos, sendo relegados por novas iniciativas, e criando o lastimável conceito da política de governo, em detrimento à política de estado.
 
"Acho difícil mudar os projetos que estão em andamento. Ninguém é louco para isso. Há pessoas muito competentes em vários setores da sociedade, inclusive ligados a partidos políticos. Aproveitarão as competências nos seus devidos lugares e os projetos bem sucedidos, alterando os que não deram certo", acredita.

Por: Marcella Dos - [email protected]
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