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Em artigo, Terezinha Machado defende mobilização dos professores


Esperança não é esperar
 
* Teresinha Machado de Oliveira

Um dos educadores mais respeitados do Brasil, Paulo Freire, costumava afirmar que “ensinar o povo a ver criticamente o mundo é sempre uma prática incômoda para os que fundam os seus poderes sobre a inocência dos explorados”.  Talvez seja este o motivo de a educação no Brasil não ser prioridade, uma vez que é mais fácil lidar com pessoas que não possuem o devido conhecimento de seus direitos do que lidar com pessoas esclarecidas.

Infelizmente, percebemos que algumas pessoas que estão à frente do Ministério da Educação não são pessoas que têm conhecimento da Educação Infantil, desconhecendo profundamente a realidade e a necessidade de instrumentos para trabalharem com crianças em formação.

Isso está bem claro com a implantação do programa de Educação Integral na rede de ensino estadual, o qual tem sido a prioridade da pasta. Não  somos contra este programa, mas achamos que o país ainda não está preparado para isso, tendo em vista que apenas aumentar o tempo de aula sem um planejamento pedagógico pode prejudicar o rendimento do estudante.

Ainda convém lembrar que para haver condições adequadas para a realização dessa proposta, almejando um ensino de qualidade, não basta  mais investimentos do governo apenas em infraestrutura, é preciso que haja um despertar por parte dos nossos governantes para que entendam que o primeiro passo para o desenvolvimento educacional é a valorização do professor, caso contrário não haverá recursos humanos em número suficiente para a realização do projeto.

Em 5 de novembro, a Diretoria da UPPE-Sindicato reuniu-se com o governador Luiz Fernando de Souza a fim de discutir as reivindicações que têm sido apresentadas ao mesmo, ao secretário de educação e aos deputados. Estamos reivindicando 22% de reajuste salarial para os professores, como forma de garantir que os educadores acompanhem o aumento do custo de vida, mediante a alta dos preços e o acúmulo da inflação ao longo do ano. No entanto, não obtivemos uma resposta positiva por parte do governador, o qual informou que a atual situação econômica do estado não possibilita cogitar qualquer tentativa de reajuste salarial para este ano. Não podemos aceitar que os educadores fiquem sem aumento salarial uma vez que do salário depende a sua sobrevivência.

A UPPES tem sido baluarte, sempre atenta aos problemas e às necessidades e continuará na luta pela valorização do magistério. Basta analisarmos o esforço do Sindicato, durante os setenta anos, em fazer com que a educação no estado do Rio e, consequentemente, no Brasil seja como nos países que se desenvolveram.  

Desde 1945, a UPPES vem defendendo os direitos dos professores. Sempre com o objetivo de que o Estado do Rio ofereça uma educação pública de qualidade, a qual depende dos recursos humanos a ela dedicada. O que exigimos do Governo do estado não é, nem de longe, o necessário para atender às necessidades das crianças e jovens em idade escolar.

Poderiam nos questionar o porquê de não exigirmos um reajuste maior, já que sabemos que este percentual ainda não é o suficiente, mas somos conhecedores da má vontade dos gestores com relação a uma causa primordial para o desenvolvimento do país.

Não perderemos a esperança, e quando falamos em esperança, é devido à luta e ao apoio que temos dos filiados e acreditamos que alcançaremos o que tanto almejamos. O verbo esperançar é diferente do verbo esperar. Esperançar é algo que envolve ação, atitude e não somente a espera.

* Presidente da União dos Professores Públicos no Estado (UPPE-Sindicato) e diretora de Assuntos Educacionais da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB)

Por: Larica Santos - [email protected]
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