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Em uma semana, duas escolas estaduais do Rio são ocupadas


Estudantes ocuparam na última segunda-feira, dia 28, o Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade, no bairro da Penha. Esta é a segunda unidade ocupada por alunos em uma semana. A primeira foi a Escola Estadual Prefeito Mendes de Morares, na Ilha do Governador.

Em resposta às ocupações, o secretário estadual de Educação, Antonio Neto, informou que pretende entrar com uma ação de reintegração de posse da Escola Estadual Prefeito Mendes de Moraes, a única que o governo reconhece, até agora, como oficialmente ocupada.

De acordo com mensagens postadas por estudantes nas redes sociais, as ocupações têm como objetivo cobrar melhorias no ensino da rede estadual. Uma pauta afixada em uma parede do C. E. Gomes Freire traz como reivindicações a abolição do Saerj (sistema de avaliação da qualidade do ensino adotado pelo governo do estado), do currículo mínimo e de metas que, segundo os alunos, só geram ranqueamento de escolas; inclusão de mais tempos de filosofia e sociologia, criação de uma grade com disciplinas obrigatórias e eletivas, eleição para diretores de escolas e volta dos porteiros.

A partir de vídeos e mensagens postadas por estudantes, principalmente na E. E. Mendes de Moraes, onde a ocupação já passa de uma semana, os alunos também reclamam da falta de infraestrutura nas escolas e dos cortes de verbas da educação. Os participantes da ocupação também demonstrado apoio à greve dos professores da rede estadual, iniciada no dia 2 de março.

O secretário de educação Antonio Neto, por sua vez, disse que não vê motivação espontânea por parte dos alunos nas ocupações. Em coletiva realizada na última segunda, dia 28, ele salientou que, na realidade, o que há é uma simpatia ao movimento dos professores em greve desde o último dia 2.

Além disso, segundo Antonio Neto, após conversa com as lideranças da ocupação do Colégio Mendes de Moraes, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na quarta-feira, 23, foi verificada a ausência de uma pauta específica. "Na hora em que perguntei porque fizeram a invasão, defenderam a pauta do sindicato grevista. Do final de semana para cá, surgiu uma pauta e quando juntamos, percebemos que são questões antigas do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe/RJ), como reajuste salarial de 30%, fim da avaliação do Saerj e contra o currículo mínimo", disse Antonio Neto.

Para o secretário, os alunos agiram precipitadamente ao ocuparem a Prefeito Mendes de Moraes. Ele sustentou que reivindicações como ausência de grêmio escolar, de produtos de limpeza ou de material de trabalho são questões mínimas que não justificam invasão. "Eu fico preocupado com o nível de autonomia que os jovens têm efetivamente nesse processo. Os alunos precisam, na verdade, de instrumentos para o diálogo, o que não está constituído na escola. Eles podem ter a gestão democrática e eu posso ajudar."

Segundo Antonio Neto, no momento, a Escola Estadual Prefeito Mendes de Moraes é ocupada por 20 alunos e 100 pessoas que não estão ligadas ao movimento dos alunos. "Há professores de fora, além de integrantes do Diretório Acadêmico da Uerj, da UFRJ. O que existe em comum é que todos esses movimentos têm uma raiz política de partidos de esquerda, que trabalham na sombra. Vivemos um ano eleitoral e querem fazer um esgarçamento para que tenhamos uma situação criadora de fatos políticos notórios."

Por: Larica Santos - [email protected]
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