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Entidades da Educação pedem audiências na Alerj


A expectativa de representantes de trabalhadores do setor educacional e também de integrantes de órgãos da sociedade civil organizada voltados para a Educação é de continuidade na rotina de audiências públicas com diversos segmentos na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que, desde o último dia 9, é presidida pelo deputado André Lazaroni (PMDB).

Seu antecessor na Comissão de Educação da Alerj, Comte Bittencourt (PPS), imprimiu uma rotina de audiências públicas, geralmente realizadas às quartas-feiras. Para esses encontros foram convidados representantes de diversos segmentos relacionados à área educacional, como pesquisadores, sindicalistas e órgãos do setor privado, além de representantes do governo e, por vezes, o próprio secretário estadual de Educação.

Coordenador-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Danilo Serafim espera receber, em breve, um convite do novo presidente da Comissão de Educação da Alerj, uma vez que, segundo o sindicalista, o ano letivo de 2012 começou com problemas na rede estadual. “O Sepe é um sindicato autônomo. Esperamos que o deputado André Lazaroni continue a realizar constantemente as audiências públicas e que o fato de ele pertencer à bancada do Governo não atrapalhe seu trabalho. O ideal para quem ocupa esse tipo de cargo é assumir uma posição neutra. Esperamos que a comissão funcione de forma a atender os anseios dos profissionais de educação e solucionar os problemas da educação fluminense”, explicou o sindicalista.

Com paralisação de 24 horas e assembleia geral marcada para o próximo dia 28, o coordenador-geral do Sepe assinala que os problemas da rede estadual são graves. “O Governo Sérgio Cabral fez a opção pela meritocracia, adotando modelos que fracassaram no exterior. A rede estadual enfrenta uma série de problemas e precisamos discutir essa questão em todos os fóruns, inclusive, na Comissão de Educação da Alerj. Formalmente, ainda não fomos convidados pelo novo presidente. Mas esperamos que isso ocorra de forma natural”, completou Danilo Serafim.

Quem também defende a continuidade com o diálogo com diversos segmentos da sociedade civil é Maurício Fabião, sociólogo, professor, mestre em Ciências Sociais (Uerj) e diretor geral do Instituto Mais Cidadania - EducAção contra Pobreza.

Contudo, Fabião acredita que o fato de o presidente da Comissão de Educação da Alerj pertencer à base governista pode dificultar uma eventual pressão ao governo. “Podemos supor que o presidente da Comissão de Educação tenha dificuldades em pressionar o governo pelo fato de fazer parte de sua base. O deputado Comte Bittencourt abria espaço para o debate, para a crítica. E uma das marcas do atual governo é o seu descaso com a educação pública”, argumentou o sociólogo.

Ao listar uma série de problemas da educação fluminense, o diretor geral do Instituto MAIS Cidadania - EducAção contra Pobreza, cita, entre outros, a redução da grade de Filosofia e Sociologia no ensino médio e as dificuldades que os trabalhadores enfrentam em dialogar com o governo. Ele também cobra maior participação da sociedade civil nos debates sobre a educação pública.

“É preciso que a sociedade se mobilize em torno da educação, da mesma forma que se mobiliza em torno da segurança. Quando não havia a universalização das vagas, a educação era um grito na boca do povo. Com a universalização das vagas, a educação deixou de estar na boca do povo. Ao mesmo tempo, a segurança passou a ser um problema fundamental, pois pode atingir qualquer um. No entanto, parece que a educação é problema somente do pai, da mãe, de professores e funcionários e do aluno. Porém, estudos indicam que quanto maior a escolaridade do cidadão, menores são as chances dele ser assassinado e maior é a sua renda”, conclui o sociólogo.
 

Por: Tainara Silva - [email protected]
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