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Especialista elege leste da Ásia como exemplo para universidades brasileiras



Em uma realidade imposta por um mundo cada vez mais conectado e com a crescente valorização da chamada economia do conhecimento, temas como inovação e internacionalização têm dominado boa parte dos debates nas instituições de ensino superior brasileiras. Gradativamente, as universidades começaram a olhar inovação e tecnologia como conceitos fundamentais na formação de seus alunos. Essa transformação, entretanto, tem sido na direção correta?

O questionamento foi feito por Robert Cowen, professor emérito da University College London, na Inglaterra, e um dos maiores especialistas da atualidade em educação comparada, durante o II Workshop de Inovação e Educação da Universidade Estácio de Sá, que abordou a importância da inovação na educação.

De acordo com ele, o Brasil precisa parar de seguir modelos de outros países com características diferentes e se questionar sobre qual é o poder das universidades em seu próprio território e como impactam em termos de sociedade. "A Europa tem universidades há cerca de 800 anos. Por isso, os brasileiros precisam se perguntar o que fizeram os países do leste asiático, como Japão, Taiwan e Coreia do Sul, que tiveram mudanças consideráveis em pouco tempo. O Brasil deve se preocupar com o desenvolvimento local antes de competições globais", falou.

Apesar do atraso em relação ao primeiro mundo, Cowen acredita que a distância vem diminuindo com o tempo, graças ao grande esforço de internacionalização feito pelo Brasil nos últimos anos. "Se perguntarmos aos acadêmicos estrangeiros sobre o Brasil, a maioria falará sobre aspectos culturais, pois existem poucas informações disponíveis sobre as universidades. Eles não sabem como vão as instituições por aqui. O atraso ainda é grande, mas está sendo reduzido. Imagino que o cenário daqui a 25 anos será bem melhor", comentou.

Na opinião do especialista, implementar uma cultura de inovação é um processo lento que demanda décadas. "A inovação é um processo enraizado no fracasso e que tende a surgir durante crises, mas também pode ser fruto de esforço, desde que estruturada no governo e em sociedade", comentou, acrescentando que muitas vezes o resultado só é perceptível a longo prazo. "Dizem que qualidade pode ser traduzida em números, como se fosse mágica. Na Inglaterra, quiseram exigir que os acadêmicos justificassem suas pesquisas. Acontece que, na época de Albert Einstein, ninguém sabia dizer quais os impactos de seus estudos, mas hoje desfrutamos de seus benefícios", complementou.

Por: Renata - [email protected]
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