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Estado do Rio tem 4% de analfabetos


A taxa de analfabetismo no Rio de Janeiro caiu 28,6% na primeira década do século XXI. Esse é um dos resultados de um estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), lançado na terça-feira, dia 14, que analisa alguns temas sociais, como educação, saúde e emprego, no estado fluminense. Os dados colhidos servirão como base para entendimento da evolução e o quadro atual da sociedade brasileira. As análises foram feitas a cada ano, a partir de 2001, até 2009. A abordagem é por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE).

Intitulado a Situação Social dos Estados, o estudo revelou que apesar da queda no percentual de pessoas analfabetas no Estado do Rio de Janeiro, há ainda 4% da população que não sabe ler nem escrever. A evolução no estado foi maior do que o registrado no Sudeste, de 24,4%, e na média nacional, de 21,8%. No Brasil, um a cada dez brasileiros é analfabeto.

"É muito estranho que um país, considerado a sexta economia do mundo, tenha praticamente 10% do seu povo não sabendo ler nem escrever a sua língua pátria. O problema do analfabetismo é do século XIX. Há sinais claros de atraso. Por outro lado, quando formos estudar quem é esse analfabeto, vamos perceber que se trata, de maneira geral, de pessoas com mais idade, acima de 50 anos, e de indivíduos não brancos. E logo há uma dificuldade por parte das políticas de fazer com que esses segmentos de maior idade consigam superar a barreira do analfabetismo", explica o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, que foi o responsável por divulgar a pesquisa.

Os dados colhidos pelo Instituto fazem um comparativo entre a cidade e o campo. E a diferença é significativa. Em relação à taxa dos que não sabem ler e escrever, por exemplo, a área rural fluminense ainda conta com 12,61% de sua população analfabeta, contra 3,68% da cidade.

Baixo índice de acesso a creches é preocupante

Mas as informações não se concentram apenas nesse tema. O Ipea constatou, ainda, que aumentou a escolaridade no Estado do Rio de Janeiro. Em 2001, era de 7,45 anos, e subiu para 8,43. Apesar de apontar essa evolução - que ainda está acima do percentual nacional (7,55) e do Sudeste (8,19) -, de maneira geral, o nível escolar permanece muito baixo, visto que o ensino fundamental contém nove séries. No campo, em média, os cidadãos cursam apenas 5,65 anos.

No ensino médio, a frequência líquida é de apenas 49,1%, enquanto a média do Sudeste é de 60%. Segundo Márcio Pochmann, é o retrato da situação educacional no Brasil. "O acesso à educação não está compatível do ponto de vista da faixa etária do cidadão e sua escolaridade. Temos um problema não apenas no que tange às condições adequadas do acesso para todos, principalmente no ensino médio, além de ser um retardo no processo de aprendizagem dos estudantes."

A partir da Constituição de 88, segundo o presidente do Ipea, os municípios responsabilizam-se com a educação infantil e o ensino fundamental, os estados com o nível médio e a União com o ensino superior. Do ponto de vista econômico, para melhorar a educação, Márcio Pochmann acredita que deveria haver um compromisso que integre as três esferas nacionais, como ocorre na área da saúde.

O estudo apontou que a taxa média de acesso às creches no estado era de 42% em 2009, índice superior aos 31,37% de 2001. No Brasil, o crescimento foi um pouco maior, subindo de 25,88% para 38,08%, enquanto no Sudeste foi apontado um avanço de 27,47% para 42,63%. Na área rural fluminense, a questão é ainda mais complicada, com apenas 34,33% das crianças frequentando as creches.

"A preocupação dos governos com a ampliação do acesso ao ensino através das creches é algo relativamente recente e tem havido avanços importantes de serem registrados. Mas, por outro lado, temos mais de 50% das crianças que não têm acesso à creche. E isso impõe dificuldades, principalmente para as famílias mais pobres, que não têm condições adequadas de manter seus filhos fora do local de moradia", avalia Pochmann.
 
Ensino superior: acesso restrito nas áreas rurais

A taxa de acesso ao ensino superior no campo é um quarto da média de todo o estado. No entanto, segundo o presidente do Ipea, está havendo uma preocupação em âmbito federal de ampliar as universidades e descentralizar no ponto de vista territorial.

"A tradição brasileira é colocar as universidades, especialmente as públicas, nas capitais e principais cidades do país. E estamos observando que a dificuldade do acesso ao ensino superior implica, inclusive, no deslocamento, e na abertura de universidades em locais onde está a população de menor renda e escolaridade. Se não alterarmos esse movimento, teremos dificuldade de fazer com que a inclusão no ensino superior se dê de forma menos desigual", alerta.

Márcio Pochmann revela uma peculiaridade. Segundo ele, o Rio de Janeiro tem a menor parcela de sua população residindo no campo, algo em torno de 4%. "Outros estados têm uma parcela muito maior, o que torna mais difícil a intervenção pública para resolver as desigualdades entre campo e cidade."

Outros indicadores - A pesquisa do Ipea aborda outros aspectos sociais além dos dados educacionais. As informações permeiam outras áreas fundamentais da sociedade, como a demografia, previdência e seguridade, pobreza e desigualdade, saúde, trabalho e renda, saneamento e habitação, e cultura.

Um aspecto curioso ressaltado pelo pesquisador Marcio Pochmann refere-se à taxa de fecundidade no Rio de Janeiro. Em 2001, correspondia a 1,92 filho nascido vivo por mulher ao final do seu período reprodutivo. Esse número caiu para 1,70, uma queda que corresponde a 11,5%. A maior baixa foi registrada na média nacional, de 2,22 para 1,9, o que corresponde a 14,4%. "Possivelmente, a partir de 2025, o estado entrará em uma situação em que dificilmente crescerá sua população total, a não ser que sofra mudanças na sua demografia ou no movimento migratório. No Brasil, poderá ocorrer a partir de 2030."
 

Por: Marcella Dos - [email protected]
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