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Estudantes e professores criticam descaso com a Uerj


Um quadro de verdadeiro caos. É assim que representantes de alunos docentes veem a situação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que mais uma vez, esse ano, teve de paralisar suas atividades acadêmicas por falta de recursos. Segundo alunos e professores, a situação já se tornou rotina há anos e, por isso, acreditam que chegou a hora de intensificar a cobrança por melhoria estruturais e valorização dos profissionais que trabalham na instituição.

Membro do Centro Acadêmico de Comunicação Social, Daniel Botelho disse que os problemas em relação às contas da Uerj estão sempre acontecendo e que estudantes e trabalhadores, com frequência, se mobilizam contra a falta de pagamento dos salários. O estudante disse ainda temer pelo futuro da instituição. "A situação é lamentável. Não é de hoje que estamos convivendo com atrasos dos pagamentos de funcionários terceirizados e das bolsas dos cotistas. As pessoas dependem desses recursos para estudar. Nosso estado não trata a educação como prioridade e a situação pode piorar para o ano que vem. O futuro da Uerj é incerto."

Para a presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Asduerj), Lia Rocha, a falta e os atrasos de pagamentos na Uerj não são novidade. A professora lembra que no ano passado também houve paralisação pelo mesmo motivo. "A situação não é inédita, em 2014, já havia acontecido outra paralisação parecida com essa. Estamos sempre convivendo com os atrasos. Os professores já estão há um tempo sem receber reajustes. O momento já é vivenciado há algum tempo", disse a Membro da Asduerj.

Para Lia Rocha a situação deve se agravar, pois o governo já informou os cortes no orçamento da universidade para o próximo ano. "Isso é preocupante. O governo já acenou que haverá um corte de 22% no custeio da Uerj. Isso vai ser muito complicado", disse a professora.

O presidente da Academia Brasileira de Filosofia (ABF) e professor da Uerj, João Ricardo Moderno se manifestou sobre as consequências dos cortes este ano. "Além do impacto material que afeta a salubridade, a eficiência e o desempenho acadêmico, temos o impacto imaterial, moral, que afeta a autoestima do corpo universitário. Devemos buscar ser uma das mais importantes universidades do mundo, com grandes bibliotecas, grandes laboratórios, grande hospital universitário, grande produção científica e grande número de patentes. O Brasil representa 0,1% das patentes mundiais. É preciso ter grandeza de espírito e buscar objetivos grandiosos."

João Ricardo Moderno também classificou o cenário atual como um "drama histórico". Para ele, o ideal seria que os funcionários da limpeza fossem da Uerj e não terceirizados. Na opinião do presidente da ABF, a solução para crise seria através de um processo de privatização de outras universidades estaduais e busca por recursos financeiros de empresas multinacionais e nacionais.

"Privatizar a Uenf e a Uezo, que tiveram exclusivamente motivação política para serem criadas. O Estado do Rio de Janeiro comporta somente uma grande universidade estadual. Buscar recursos no exterior é outra fonte importante, assim como atrair mais e mais empresas nacionais e estrangeiras para se fixarem no Estado do Rio de Janeiro, e com isso aumentar a receita de ICMS. Moralmente, a UERJ precisa ganhar mais respeito da sociedade, mostrando mais seriedade e responsabilidade. A imagem pública precisa melhorar muito."

Para a presidente da Asduerj, a solução para a crise da universidade passa pela ampliação do investimento, pelo governo estadual. "Nós temos a campanha dos 6% das receitas para as universidades estaduais. Estivemos na Alerj para ampliar o dinheiro dos investimentos na educação. Tivemos a maioria, mas não foi o suficiente para derrubar o veto da proposta. Se conseguíssemos isso já seria uma grande vitória."

Lia Rocha criticou a direção alegando que os docentes não foram convidados a discutir sobre a paralisação das aulas. "A decisão da paralisação foi tomada sem um diálogo prévio com os docentes sobre como será reposição das aulas. A forma como todo processo está sendo conduzido não agrada."

Paralisação na Uerj deve terminar no dia 1


Segundo matéria publicada no site da Agência Brasil, governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse que pretende regularizar os pagamentos dos terceirizados e dos alunos bolsistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) já na primeira semana de dezembro. Com isso, tudo indica que a paralisação das atividades acadêmicas, iniciada na última terça-feira, dia 24, deve ter fim no próximo dia 1° de dezembro, conforme previa o comunicado do reitor da instituição, Ricardo Vieiralves.

Em nota, a reitoria da Uerj suspendeu as aulas alegando que a instituição encontrava-se em situação de insalubridade por conta da descontinuidade dos serviços terceirizados e que isso afetaria a segurança das pessoas e do patrimônio. Ainda segundo a direção, o principal motivo da falta dos recursos é a grave crise de financiamento do estado do estado do Rio de Janeiro.

De acordo com o governador do Rio, a queda na arrecadação estadual e no repasse de recursos federais está prejudicando as contas do estado. A verba reservada à universidade para pagamento de terceirizados foi suspensa para garantir que os servidores, os aposentados e pensionistas do estado recebessem seus salários nos primeiros dias de dezembro.

Luiz Fernando Pezão também disse que o governo precisa receber uma série de pagamentos de empresas que devem dinheiro para o estado e que já tem uma estratégia para receber dos credores. Segundo ele, está em curso uma operação para remanejar financiamento para as empresas, para que elas possam acessar linhas de crédito e, com isso, pagar ao Estado.

A falta de recursos oriundos do estado causa transtornos na Uerj desde o dia 19 de novembro devido a greve dos residentes que dura até então. Além disso, alunos, docentes e técnico-administrativos realizaram protesto no mês passado cobrando o repasse de verba para a universidade, denunciando a precarização e sucateamento da instituição. Na ocasião, os problemas mais citados eram a falta de limpeza, de coleta de lixo, de água, além de problemas no CAp-Uerj.

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