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Governo agrada especialistas com o Fies no ensino técnico


O governo federal anunciou, no fim do mês passado, que o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) - que permite a estudantes carentes crédito educativo para fazer cursos de graduação em instituições de ensino superior privadas - será extensivo à educação profissional. A decisão foi comemorada por  especialistas ligados à área profissionalizante.

O diretor do curso técnico Electra, Marcio Cardia, afirma que esse era o desejo da maioria dos educadores do segmento. A falta de incentivo do governo, segundo ele, afasta os jovens menos privilegiados financeiramente a frequentar o ensino profissionalizante.

"É uma decisão muito positiva, pois o governo não tem estrutura suficiente para colocar debaixo de suas saias a demanda de todos os alunos que querem fazer um curso profissionalizante. E abre para as escolas técnicas a possibilidade de oferecer um ensino de qualidade a essa clientela que jamais estudaria em uma escola privada", disse.

Mais de 600 instituições de ensino técnico já solicitaram o início da habilitação no Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec), necessário para obter a adesão ao Fies. Nas avaliações, são analisados, entre outros aspectos, a quantidade de ingressantes e concluintes, a existência de laboratórios específicos e de espaço físico adequado. Caso estejam de acordo com os padrões exigidos para oferta de cursos técnicos e de formação inicial e continuada, as instituições privadas serão habilitadas.

A expectativa para a expansão do nível técnico no país tem explicação. Faltam profissionais qualificados para suprir a mão de obra mais especializada, o que obriga algumas empresas a importarem material humano de outros países.

Apesar dessa carência latente, Marcio Cardia apontou um problema que, na sua concepção, ainda freia esse esperado crescimento. O educador revela que no Rio de Janeiro apenas o Sistema S tem autorização para o financiamento, excluindo as outras escolas técnicas. No entanto, ele acredita que, em breve, esse problema será sanado e as instituições cadastradas poderão oferecer oportunidades por meio do Fies.

Ao contrário do financiamento para o ensino superior, não haverá necessidade de ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), de acordo com Cardia. Basta saber se a escola é cadastrada no sistema. Para ele, a medida será um facilitador para ampliar o acesso de jovens que não tem condições de pagar.

"Os alunos só começarão a pagar alguns meses após a conclusão do curso. As oportunidades estão aparecendo. Para esses estudantes, valerá a pena estudar em uma escola de qualidade e pagar juros bem baixos, já com uma renda oriunda do trabalho como técnico. Mas ele precisa de orientação, saber qual curso fazer, a empregabilidade e a demanda de cada município."

Por: Marcella Dos - [email protected]
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