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Greve: corte de ponto é criticado por educadores


Sem previsão de término, a greve dos professores da rede estadual de ensino completará 21 dias no próximo dia 22. Na data, a categoria realiza uma assembleia geral para discutir os rumos da paralisação. Com isso, a tendência é que o secretário estadual de Educação do Rio de Janeiro, Antonio Neto, corte o ponto dos profissionais que aderirem à paralisação, conforme ele mesmo havia antecipado à FOLHA DIRIGIDA.

Na opinião de educadores, cortar o ponto dos grevistas não é a solução mais correta, principalmente no atual momento do Estado. O professor Nival Nunes, ex-reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), acredita que o corte de ponto é um encaminhamento inadequado  pois considera a greve o último recurso que o trabalhador dispõe. "Acho um absurdo. Quando o trabalhador está nesse limite, temos que convergir para um denominador comum para resolver o problema e não pressionar a categoria de uma forma autoritária e drástica", defende o educador, que citou o próprio governador Luiz Fernando Pezão, que havia pedido compreensão aos servidores, por conta da situação do Estado.

"Por que ele não vê os dois lados? Tem que haver uma atitude negociada para resolver o problema. Devemos respeitar o governador, a situação atual, mas temos que entender que o servidor público também tem o seu limite", disse o professor da Uerj.

A professora da Faculdade de Educação da Uerj, Mírian Paura, acredita ser totalmente fora de compreensão tal atitude face à situação em que os docentes se encontram. "O secretário, pelas normas encontradas dentro de sua pasta, tem o direito de fazer o que pretende. Mas, antes de tomar tais medidas, deveria conversar com os professores e, verificar quais medidas podem ser tomadas para ajudá-los. Cortar o ponto dos grevistas não levará a uma conclusão satisfatória nem para os professores nem para a própria Secretaria de Educação", afirmou.

Para Mírian Paura, além da problemática dos próprios professores em relação à qualidade da educação, a greve reflete o atual momento de crise pelo qual passa o Rio de Janeiro. Sinalizada por Antonio Neto, a possibilidade de acionar a Justiça para contestar a legalidade da greve, de acordo com a educadora, não resolverá o problema. "Cabe a própria Secretaria encontrar as soluções que melhor atendam as necessidades dos professores."

Nival Nunes acredita que as reivindicações dos docentes, como plano de carreira e melhores condições de trabalho, são recorrentes, visto a quantidade de greves decretadas nos últimos anos. Segundo ele, a questão não é só conjuntural, mas, sim, estrutural. "O professor tem que possuir um ambiente digno de trabalho para exercer a sua atividade. E os discentes também precisam de um ambiente adequado para estudar."
 

Por: Larica Santos - [email protected]
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