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Greve já preocupa candidatos à Uerj


A greve dos professores preocupa inclusive quem ainda nem entrou para a faculdade. Os candidatos que prestaram o vestibular da Uerj no dia 17 de junho demonstraram preocupação com o tema e apoio à causa docente.

Analisando suas situações caso aprovados em uma universidade com período letivo paralisado, eles demonstraram tranquilidade e se manifestaram positivamente às cobranças realizadas pelos professores. "Acho que a greve atrapalha, claro. Mas eu acho que no início do período letivo a situação já estará normalizada. Acho que os professores têm direito, mas a duração da greve precisa ter um limite, porque, do contrário o prejuízo para os estudantes será ainda maior", afirmou Mariana Guimarães, de 20 anos, que prestou o Exame de Qualificação visando a uma vaga no curso de Enfermagem.

A paralisação, no entanto, segue sem previsão de término. Na última terça-feira, dia 17, o reitor Ricardo Vieira Alves reconheceu a adesão docente à greve, haja vista o preenchimento de apenas 43,09% dos Relatórios de Frequência e Notas (RFN), e suspendeu a aplicação do Calendário Acadêmico até o final do movimento. O documento contém informações e datas sobre o ano letivo na Uerj.

No mesmo dia, aconteceram assembleias dos professores e dos técnico- administrativos. Em ambos encontros, os manifestantes foram surpreendidos por um oficial de justiça. A notificação se referia ao deferimento de "tutela antecipatória" pleiteada por "ação declaratória de ilegalidade/abusividade de greve", ajuizada pela Procuradoria Geral da Uerj. A decisão não declara a greve ilegal, mas define parâmetros a serem cumpridos pelo movimento, como a manutenção de, no mínimo, 60% dos servidores em cada atividade e, no caso do Hospital Universitário Pedro Ernesto, 80%.

A Associação de Docentes da Uerj (Asduerj) e o Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj) já preparam recurso e afirmam que as atividades essenciais estão sendo mantidas. Eles reivindicam um reajuste emergencial de 22%, a implantação imediata do regime de dedicação exclusiva e a retirada da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.782, sobre o pagamento de gratificação de adicional por tempo de serviço, os triênios.

Na visão de Ricardo Freitas, de 20 anos, que pleiteia uma vaga em Geografia, desde que o movimento se caracterize por uma busca na melhoria do ensino, isso o torna válido. Para Rafael Camargo, de 18 anos, a greve pode trazer melhorias para a instituição e ele acha importante a causa dos docentes por conta da falta de apoio governamental.

"A greve é válida, claro. Se o governo não auxilia com recursos para a educação, é preciso que alguém tenha voz. Complica a vida dos alunos, mas a greve pode resultar em melhorias, tanto para a Uerj como para a educação em geral", comentou o estudante, morador do Méier, que pretende entrar no curso de Física.

Na opinião de Luã da Cunha Santana, de 21 anos, morador de Saens Penha, e Ana Luiza, de 16, os professores estão certos ao lutar pela garantia de seus direitos. "Acho que esse é o único jeito mesmo que os professores possuem para tentar fazer algo. Atrapalha os alunos sim, mas não tanto, já que os professores irão repor as aulas depois do fim da greve, isso ameniza um pouco a situação", afirma Luã, que realizou a prova da Uerj desejando ser aprovado para Administração. "O motivo dos professores é importante. Se o governo quer cortar custos da universidade eles têm que estar em greve mesmo, essa é a única arma que eles possuem", comentou Ana, moradora da Tijuca.

Sandra Machado, que deseja vaga em Psicologia e presta o vestibular estadual pela segunda vez, acredita que a greve prejudica a formação dos alunos, causando atrasos em planejamentos pessoais e até da própria universidade. "Para que vai entrar agora, caso seja aprovado, talvez nem tenha tanto prejuízo, porque vai apenas adiar um pouco o início da graduação. Mas imagino que para quem está cursando atrapalha, tanto na formação como em questão de férias, por exemplo", afirma a moradora de Engenho de Dentro, de 21 anos.

Por: Thiago Luiz - [email protected]
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