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Os caminhos para a educação dos novos tempos


À medida que novas e múltiplas possibilidades de tecnologia surgem,
educadores questionam como será a educação no futuro. Os métodos
tradicionais cabem cada vez menos no universo das crianças, inseridas,
desde cedo, em códigos diferentes. A partir dos recursos disponíveis,
alunos trabalham em grupos, tiram dúvidas e aprendem em apenas um
clique. Segundo a pedagoga Patrícia Lins e Silva, além dessa interação,
o mote das novas formas de aprendizagem, será através da solução de
problemas. "Nós temos que ensinar o aluno a pensar e responder. O
professor dá um problema para a turma, separa em grupos, e eles o
solucionam pensando", disse Patrícia, em palestra realizada no último
dia 27, na Associação Brasileira de Educação (ABE).
Resolver uma situação dada pelo professor ajuda nos mais variados campos
da vida. Ao receber o problema, como por exemplo, a despoluição das
águas, o aluno é estimulado a interagir com seus colegas de classe,
acessar sites de busca previamente procurados e não mais responder de
forma objetiva e simplória. Diante da infinidade de respostas cabíveis,
o estudante monta um passo a passo: recorta, desenha, analisa, planeja e
por fim, dá a sua resposta para a proposta dada. "Essas competências tem
que ser ensinadas. Pois assim, o aluno, engajado, acaba pensando fora da
sala de aula", completou a pedagoga.
Porém, as mudanças possuem diversas contradições. Para alguns
educadores, a escola ainda se encontra no século XIX, com o sistema
engessado e docentes atrasados. Enquanto parte caminha junto com os
alunos, a outra parcela está travada na era tecnológica. O que ajuda,
dificulta, neste caso. Há professores que não sabem lidar, têm medo de
usá-las e optam por ministrar aulas sem a contribuição dos eletrônicos à
disposição. Logo, barreiras ocorrem. "A culpa não é do professor. Ele é
a ponta do sistema que está capacitando-o daquele jeito", acredita
Everton Framos, gestor em educação.
O papel da instituição escola também muda. Antes detentora do saber
acadêmico, recebe, agora, responsabilidades emocionais que deveriam ser
construídas pelas famílias. O professor, além de transmitir
conhecimento, transforma-se em orientador de vida. Até porque, para
Patrícia Lins e Silva, a moral, o emocional e o intelectual não se
desassociam. E a pedagoga vai mais adiante, ao dizer que a escola
promove independência, contudo, não desperta a autonomia do pensamento
próprio. "Eu sou responsável por ele e pelo grupo que estou. Eu penso,
mas, respeito o meu grupo."
Com todos os desafios presentes, uma mudança radical e de paradigma deve
ser proposta. Segundo educadores, mais do que trocar cadernos e livros
por computadores, é preciso pensar em apenas uma via, com as
transformações a longo prazo. “As crianças precisam ter um pensamento
inovador, em uma escola de solução de problemas, de questionamento, de
crítica e de produção", finalizou Patrícia.
 

Por: Larica Santos - [email protected]
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