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Programa Música no Museu pode acabar por falta de patrocínio


O Programa Música no Museu, que realiza apresentações gratuitas de música clássica em espaços culturais, começará o ano de 2018 em clima de incertezas. Com patrocínio previsto para para o Rio Harp Festival, em maio, o projeto pode ter redução drástica no número de apresentações ou, até mesmo, não realizar concertos em boa parte do ano.
 
Seriam necessários em torno de R$60 mil por mês para manter o programa. Segundo o diretor do Música no Museu, Sérgio da Costa e Silva, as principais dificuldades para captação de patrocínio são a concorrência com projetos culturais mais curtos, e que, por isso, demandam menos recursos, e a redução dos investimentos em cultura pelas empresas. "O que me entristece é, após chegar ao topo, talvez ter de parar", diz o diretor do Música no Museu.
 
Veja, abaixo, um vídeo no qual Sérgio da Costa e Silva fala sobre o Programa Música no Museu e, na sequência, uma entrevista na qual ela fala da situação atual do programa:
 




 
FOLHA DIRIGIDA — Qual o balanço do Programa Música no Museu? 
Sérgio da Costa e Silva — O Programa Música no Museu é um sucesso nacional e internacional. Fazemos concertos de norte a sul do Brasil. Em torno de 95% ocorrem no Rio de Janeiro, mas realizamos também apresentações em várias cidades do país. E chegamos em um momento de 20 anos com quase 1 milhão de expectadores em nossos concertos, que são todos gratuitos. Procuramos, com isso, democratizar o acesso à cultura através da música. As pessoas têm a oportunidade de assistir aos concertos e, ao mesmo tempo, de visitar os museus, igrejas, centros culturais, palácios, pontos turísticos e até mesmo clubes que têm uma conotação histórica, como o Iate Clube o Hebraica, ambos no Rio.
 
Em síntese, quais os objetivos do Programa Música no Museu?
O programa, além de democratizar o acesso à cultura, busca valorizar a música brasileira e trazer a música clássica para a programação cultural da cidade. São poucas as iniciativas nessa linha e o Música no Museu é o único que sustenta isso de janeiro a dezembro. Também procuramos levar alunos para assistir a concertos e visitarem os museus e centros culturais. Além disso, 30% dos nossos concertos são feitos por músicos jovens e 10% por orquestras de comunidades carentes.
 
Pode nos falar sobre o livro que será lançado, por conta dos 20 anos do programa?
Esse é o terceiro livro sobre o projeto. O primeiro foi lançado quando o projeto completou dez anos e o segundo, quando fez 15 anos. O título do próximo será "Música no Museu: do Rio de Janeiro para o Mundo". O objetivo é mostrar o alcance internacional que o projeto. Vamos falar também dos cerca de 30 prêmios que recebemos, entre eles, o da Latin America Quality Awards, em Buenos Aires; o Prêmio Cultura Viva, na Espanha; além de vários outros no Brasil, incluída aí a Ordem do Mérito Cultural, honraria máxima da cultura brasileira; e o Golfinho de Ouro, honraria máxima da cultura no Estado do Rio de Janeiro.
 
Quantas apresentações foram realizadas em 2017?
Vamos fechar o ano com 422 apresentações. Não é nosso recorde, que foi 507. Mas, mantivemos a taxa de 500 por cerca de quatro anos. Temos, em média, de 70 a 80 mil expectadores por ano. Nosso site, com apenas um ano e meio, tem cerca de 470 mil acessos por mês.
 
Quais as perspectivas do projeto para 2018?
Hoje, nossa grande incógnita é como continuar. Com muito esforço chegamos ao final de 2017. Não paralisamos mas, se não houver patrocínio, talvez tenhamos que parar. O que temos já assegurado é o patrocínio para o Rio Harp Festival, em maio. O CCBB já me deu sinais de que vai continuar. Na pior das hipóteses, eu paraliso de janeiro a abril e de junho a dezembro. Na melhor das hipóteses, eu continuo normalmente. E na hipótese intermediária, reduzo e, em vez de fazer de 27 a 30 concertos por mês, faço quatro ou cinco.
 
Quanto custa para manter o Música no Museu?
O ideal é que eu tenha, por mês, R$60 mil. Esse custo envolve cachês, direitos autorais, programação visual, assessoria de imprensa, divulgação nas redes sociais, entre outros. Mas, o ideal seria termos mais recursos para trabalharmos com nomes da maior expressão. 
 
Qual a maior dificuldade para buscar novos patrocínios?
Há um universo de bons projetos, onde o Música no Museu está incluído. E nesse universo há peculiaridades. O nosso, por exemplo, é de janeiro a dezembro. Em concorrências, festivais com duração menor levam vantagem pois demandam valores menores. Além disso, as empresas que atendem a área cultural estão diminuindo suas verbas.
 
O que representa a redução de um programa como o Música no Museu?
O impacto é total. Primeiro, há uma demanda muito grande de músicos por espaço. E temos atendido a essa demanda muito bem. Depois, você não tem hoje uma série de prestígio na área musical. Por diversos de fatores, o Música no Museu ainda é muito bem visto. O que me entristece é, após ao chegar ao topo, talvez ter de parar. É isso que estamos lutando para que não aconteça.

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