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Reitores evitam falar sobre situação de Mercadante


Procurados pela FOLHA DIRIGIDA para comentarem a situação do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reitores das principais instituições federais do Rio não deram retorno para comentar sobre o assunto. Após a divulgação do conteúdo da gravação de uma conversa com um assessor do senador Delcídio do Amaral, o ministro tem sido acusado, principalmente pela oposição, de tentar obstruir o trabalho da Justiça na operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobrás.

A reportagem da FOLHA DIRIGIDA fez contato, por email, com as assessorias de imprensa de cinco instituições do Estado: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A única resposta recebida veio da assessoria do reitor da UFF, Sidney Mello, que informou que “não caberia à UFF ou seus dirigentes se posicionarem sobre assuntos sérios com base em especulações e que questões de natureza legal cabem ao judiciário e não às universidades resolver”.

Aos reitores, a reportagem da FOLHA DIRIGIDA não solicitou uma análise legal do caso, mas um posicionamento sobre se Mercadante deveria continuar no posto, depois do envolvimento de seu nome com o caso. Como já foi anunciado pela Procuradoria Geral da República que será aberto inquérito para apurar a conduta de Mercadante, foi perguntado também aos reitores como eles viam o fato de um ministro sob investigação estar à frente do MEC.

A polêmica em torno do ministro começou na terça, dia 15, com a divulgação de uma conversa dele com um assessor do senador Delcídio do Amaral. Com base no conteúdo, o ministro tem sido acusado de tentar oferecer ajuda financeira, política e jurídica ao parlamentar, que estava preso desde novembro por conta das investigações da Lava Jato.

Em coletiva realizada ainda na terça-feira, dia 15, data em que foram divulgadas as conversas, Mercadante disse que não tentou impedir o processo de delação premiada do senador Delcídio do Amaral. Segundo ele, foram omitidos trechos da gravação. “Está em 12 minutos e 15 segundos: ‘tem que construir uma saída viável para ele sair de lá. Se ele está ameaçando a delação, mesmo que ele queira fazer, eu não vou entrar nisso. A decisão é dele’. Aí eu pergunto por que isso não foi transcrito?”, criticou o ministro, salientando que o encontro com o assessor José Eduardo Marzagão, em dezembro do ano passado, foi uma iniciativa de caráter eminentemente pessoal e política de solidariedade.

Para educadores, tende a ser difícil para Mercadante manter-se à frente do MEC. O professor Nival Nunes, que foi reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, defende que o ministro deveria deixar o cargo temporariamente. “Ele deveria licenciar-se do cargo, para dar as explicações cabíveis. Temos o secretário executivo que pode assumir temporariamente”, defende o educador.

Para o professor Edgar Flexa Ribeiro, membro da Associação Brasileira de Educação (ABE), a situação do ministro ficou insustentável. Para ele, é inaceitável que o ministro responsável pela educação nas escolas, que devem trabalhar conteúdos relacionados à História, cidadania, ética e moral, entre outros, seja acusado de participar de alguma forma de um esquema de corrupção. “Alguma coisa está fora de esquadro: ou o ministro ou os educadores”, disse.

Para o educador é importante que o ministro pense no país e no exemplo que deve dar aos educadores e estudantes. “Está na hora de Mercadante sair. Diante de tudo o que foi colocado, a pasta da educação não é o lugar dele”, defende Edgar Flexa Ribeiro, que também é presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio (Sinepe-Rio).

Para o professor Edson Nunes, diretor geral AVM Faculdade Integrada, ele Mercadante não deveria deixar o MEC. Ele discorda que a conversa divulgada representa uma tentativa do ministro de obstruir a Justiça. “Ouvi a conversa e não percebi nada que me parecesse ilícito. E olha que não sou simpatizante do PT. Percebi na conversa um sentimento de solidariedade dele com o senador”, disse Edson Nunes, que mesmo considerando que Mercadante não agiu errado, acredita que sua permanência no cargo pode trazer problemas para o ministério.

“Desde a posse do ex-presidente Lula, em 2003, o MEC tem sofrido um forte aparelhamento político, principalmente no segundo e no terceiro escalão. Cargos que eram ocupados por uma burocracia técnica passaram para pessoas com forte vinculação partidária. E em meio a um conflito político como o que vemos agora, ter uma burocracia ineficiente só atrapalha”, diz Edson Nunes, que já foi presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE).

Para o professor Nival Nunes, a permanência de Mercadante não deve impactar na agenda do ministério. Segundo ele, órgãos como o Conselho Nacional de Educação (CNE), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), entre outros, não dependem necessariamente da atuação do ministro para o desenrolar de suas atividades e projetos.
 

Por: Larica Santos - [email protected]
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