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Saint John festeja os seus autores


Uma livraria, talvez, seja o melhor lugar para celebrar o talento de jovens escritores. E foi em uma delas, a Travessa, localizada no Barra Shopping, que o Colégio Saint John promoveu a festa de lançamento do livro do Projeto Redação 2012, uma iniciativa da Folha Dirigida, em parceria com as redes e instituições de ensino participantes e com o apoio institucional da Fundação Biblioteca Nacional.

Com o tema "O Mundo em rede e a integração entre os povos", a obra reuniu os 50 melhores textos produzidos pelos alunos da escola. No entanto, três dos jovens autores tiveram um destaque a mais, pois foram considerados os melhores do colégio e selecionados para compor o livro com os textos de estudantes de todas as escolas participantes. São eles: Letícia de Souza Lopes, do 8º ano do ensino fundamental; Raquel Abrantes, do 1º ano; e Guilherme Viana Rosa e Silva Valsa, do 3º ano, ambos do ensino médio.

O excelente resultado, surpreendeu Raquel. A jovem, de 15 anos, contou que já havia sido escolhida, no entanto, não esperava ser selecionada para o livro geral. "Quando me chamaram para contar, fiquei muito orgulhosa, pois a profissão que pretendo seguir, Direito, têm muito a ver com o fato de saber escrever e falar bem", disse, ressaltando que sempre gostou de escrever. "Quando eu era menor, minha mãe me incentivava a fazer uma redação por semana."

Alguns estudantes que integram a coletânea já podem ser considerados escritores, já que são figurinhas certas em outras edições do projeto. É o caso de Nathália Fonseca Ferreira da Silva, do 8º ano, pela terceira vez entre os selecionados. De acordo com ela, o fato representa que seu esforço e talento foram reconhecidos. "Manter-me informada e saber as atualidades do mundo me ajudou a ter textos selecionados por três vezes. A leitura e a escrita são coisas que eu considero fundamentais para fazer boas provas e vestibulares, além da parte de conhecimentos gerais, que todo cidadão deve ter. É legal saber que estou evoluindo e me faz enxergar possibilidades para o futuro. Ainda não sei que profissão seguir, mas, talvez, pode ser que decida por algo que tenha a ver com a escrita", disse.

Cientes do quanto isso pode ser importante para o futuro, Daniel Sodré, do 9º ano, e Ana Luiza Ferreira, do 8º, integram o livro pela segunda vez. No ano passado, eles não foram selecionados, mas agora, em 2012, conseguiram repetir o feito do ano retrasado. "Sempre li e escrevi bastante, sempre fez parte da minha vida e vai continuar fazendo, mas quando entrei no livro pela primeira vez, fiquei muito mais motivado. Mostra que escrevo bem e que posso tirar algum proveito disso. Tenho certeza que lembrarei deste momento, pois tem um significado especial", disse Daniel, reforçado por Ana Luiza. "Entrei quando estava no 6º ano. Isso me mostrou que se eu continuasse nesse caminho a tendência era melhorar. Como gosto de ler e escrever, fico ainda mais feliz, pois mostra que tenho capacidade", comentou.


Alunos comemoram primeiro texto publicado em livro

Apesar do bom número de alunos que repetiram a dose e foram selecionados mais de uma vez para o livro, muitos conseguiram a proeza de integrá-lo pela primeira vez. Alguns deles, inclusive, afirmaram ter bastante intimidade com a literatura e muito gosto pela leitura, o que pode ter sido determinante para a escolha.

Uma das estreantes é a pequena Mariana Casanovas, do 6º ano. Com apenas 11 anos de idade, a menina já escreve em um blog literário, onde faz análises de livros, filmes e séries, recomenda leitura e expõe seus textos. "A leitura faz parte da minha vida, sou viciada em livros desde pequena. Este momento está sendo muito especial. Fiquei um pouco nervosa quando tive que ir lá na frente e dar autógrafo, nunca tinha feito isso, mas a sensação é ótima, foi maravilhoso. Não sei explicar muito bem o que estou sentindo, mas acho que é um misto de felicidade e orgulho pelo que consegui fazer", falou a autora do blog Planeta Mariana, revelando seus planos de ser jornalista ou escritora no futuro.

Da mesma idade e série, seu colega Daniel Arthur Ferreira também viveu a experiência de ter um texto de sua autoria publicado pela primeira vez. Para ele, ver o livro com seu nome e sua redação é uma forma de notar que seu talento foi reconhecido. "Ver meu texto lá no livro é uma honra, pois tiveram muitos outros de ótima qualidade e que não entraram. Fiquei muito orgulhoso de mim mesmo. A felicidade é enorme. Isso é um prêmio e acredito que, para mim e para todos os demais escolhidos, vai motivar a ler e escrever ainda mais", disse.

Anna Flávia Terra Valente, do 7º ano, concorrendo pela primeira vez, e já com sucesso, contou que adorou a experiência. "Apesar de não ter o hábito de escrever diariamente, gosto demais das aulas de redação e adoro ler desde criança. Tenho muitos de livros lá em casa. Estou muito feliz", falou, ressaltando que pretende participar novamente no próximo ano e repetir o feito de sua irmã, Anna Clara Terra Valente, da mesma série, que foi escolhida pela segunda vez, e com um gostinho especial. "Ano passado já entrei no livro, mas agora foi mais especial, porque minha irmã também entrou comigo", contou.


Pais comemoram o resultado dos filhos

Tão orgulhosos quanto os alunos que foram selecionados para fazer parte do livro estavam os pais dos escolhidos. Emocionados, eles aplaudiram seus filhos durante a cerimônia e fizeram questão de pegar o autógrafo nos livros que, certamente, já têm um lugar especial na estante de casa.

De acordo com o militar Jorge Silva, pai da Ana Luiza Ferreira e do Daniel Arthur Ferreira, hoje em dia, o mundo exige cada vez mais uma boa escrita e um vasto conhecimento. "É o máximo ver que nosso estímulo está rendendo frutos, está valendo a pena. Vê-los transmitindo o que aprenderam e mostrando o que pensam em um livro é gratificante. Como pai, me sinto muito feliz", disse, contando que acabou sendo influenciado pelos filhos e passou a ler livros que eles gostam.

Sua esposa, a advogada Greice Silva, revelou que seus filhos leem praticamente um livro por semana, prática estimulada desde quando eram pequenos. "As crianças têm muito contato com livros desde cedo, porque nos veem lendo muito. Então, é um hábito que vem de casa e faz das livrarias, praticamente, um segundo lar", afirmou.

O incentivo à prática da leitura também é rotina na casa de Fabiani Fonseca, mãe da Nathália Fonseca, e professora de Educação Infantil. "Na condição de mãe, tento plantar em casa o que faço diariamente com meus alunos", falou, emocionada em dobro, como mãe e educadora. "Isso tudo só me dá orgulho, não tenho palavras para explicar o sentimento", disse.

Na opinião do engenheiro Renato Valente, pai de Anna Flávia e Anna Clara, ter o texto publicado no livro é um reconhecimento. Porém, de acordo com ele, o mais importante é a motivação intelectual, não a vaidade. "A noite de hoje indica que estão no caminho correto, pois conseguem transformar o que leem em opinião própria. Pode ser apenas um hobby ou, quem sabe, um caminho de vida. Mas isso para o futuro, por enquanto estão na época de brincar e aprender, não queremos que sejam adultas antes do tempo", afirmou, acompanhado pela mãe das meninas, a médica Lila Valente. "Ao ler, a gente aprende. Sabemos o quanto é importante. A casa do avô é praticamente uma biblioteca e isso ajudou muito a cultivar esse interesse nelas", comentou.


Datas especiais tornam a cerimônia ainda mais especial

Em 2012, o Colégio Saint John comemora 25 anos de existência e realiza, pela 10ª vez, o Projeto Redação. As celebrações tornaram a cerimônia de lançamento da coletânea ainda mais especial para os educadores que trabalham na escola. A satisfação foi tanta, que a direção já espera a próxima edição do concurso, pois "já faz parte da nossa tradição", segundo as palavras da diretora pedagógica Denise Azevedo Gomes Ferreira.

De acordo com Marina Alves Loureiro, coordenadora de Língua Portuguesa e do Projeto Redação na escola, desde que o concurso passou a ser realizado no Saint John, em 2003, os alunos passaram a se interessar mais pela escrita e pela leitura e ficaram mais antenados com as notícias e principais acontecimentos na sociedade em que vivem. "Sabemos que hoje, mais do que nunca, os jovens precisam saber o que acontece ao redor. Escrever com coesão, clareza e objetividade é fundamental e um diferencial para a vida, em qualquer profissão, mas exige um nível informacional e cultural capaz de dar condições de desenvolver ideias. Fico muito feliz, como educadora, ao ver nossos alunos produzindo textos tão bons. É um orgulho vê-los chegar até aqui. É uma escalada e vemos que estão subindo e galgando seu espaço", disse, revelando que foi difícil escolher os textos, pois o nível das redações foi excelente. "Ficamos dois dias reunidos para fazer a avaliação. A vontade era colocar mais de 50", comentou.

Recém chegada ao colégio, Denise Ferreira se envolveu no Projeto Redação pela primeira vez. Após anos em outro colégio, sempre ouvindo falar bem do concurso, pôde conferir de perto como funciona e aprovou a iniciativa. "A verdade é que possibilitar que o texto componha um livro só faz o aluno ficar mais motivado a escrever. Os jovens são levados a pesquisar e debater os temas antes da produção textual. Isso é muito importante e altamente motivador. Os pais e os alunos já contam com isso e, desde o início do ano, ficam na expectativa", contou.

De acordo com as duas educadoras, o prestígio de ter um texto publicado em um livro é um grande incentivo para os alunos e, ao mesmo tempo, um reconhecimento do talento e do trabalho. "O estudante vê seu esforço sendo admirado pela família e pelos professores. Para eles, em especial, a felicidade é intensa", garantiu Marina Loureiro, em coro com Denise Ferreira. "Às vezes, eles mesmos não têm tanta noção do quanto esse momento representa na vida deles. Acredito muito na autoria, em uma abordagem ampla, com o aluno sendo autor do seu processo de aprendizagem. Quanto sentem esse poder, descobrem também o prazer em estudar", completou.

Por: Larica Santos - [email protected]
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