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Secretário vai cortar o ponto de professores que aderirem à greve na rede estadual do Rio


O secretário estadual de Educação do Rio de Janeiro, Antonio Neto, informou que vai cortar o ponto dos professores que aderirem à greve da rede estadual de ensino, em curso desde o último dia 2. "A greve prosseguindo para mais de 15 dias, haverá esse corte de ponto. Toda a rede, professores e diretores, já estão orientados para isso", declarou o secretário, em entrevista à FOLHA DIRIGIDA concedida na tarde desta quinta-feira, dia 10.

Antonio Neto também levantou a possibilidade de acionar a Justiça para contestar a legalidade da greve. Sem estabelecer um prazo para isso, ele disse que recorrerá ao judiciário se a situação se tornar insustentável. "Vamos medir o prejuízo para o jovem." Na entrevista, que será publicada na integra na próxima terça-feira, dia 15, Antonio Neto também informou que não há risco de professores em estágio probatório não serem admitidos por participarem da greve.

Segundo o secretário, os professores que não forem trabalhar por aderirem à paralisação receberão o chamado código 61, que diferencia quem falta por greve dos que não comparecem por outras razões. "Esse é um código que delimita quem é o professor que está em greve mas também sinaliza, lá na frente, se houver uma negociação, você poder mapear isso para que você possa também garantir aos alunos a reposição de aula", informou Antonio Neto.

Perguntado sobre se a decisão de cortar o ponto não acirraria os ânimos em torno da greve, ele argumentou que este é o ônus com o qual devem lidar os docentes que decidem por fazer uma paralisação. "Toda ação requer responsabilidade. O professor que assume fazer greve, assume um ônus de fazer uma greve. Isso é prático. Não existe mistério nisso", disse Antonio Neto.

Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA publicada na edição da última terça-feira, dia 8, o coordenador geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ), Marcelo Sant'anna, disse que o corte de ponto será um "tiro no pé". "Se isto acontecer não haverá reposição de aula. Só vamos repor as aulas se não tivermos nossos salários perdidos. Que eu me lembre o único ano que tivemos desconto salarial foi no governo Rosinha, em 2003. Com os outros governos, fizemos acordos, fizemos reposição e não tivemos descontos", disse o coordenador geral do Sepe-RJ.

A greve da rede estadual de ensino do Rio começou no último dia 2 de março. Segundo o Sepe-RJ, a adesão é de 70%. Já a Secretaria Estadual de Educação aponta índice de 3%. Na pauta, há reivindicações que valem para o conjunto do funcionalismo estadual e outras específicas da categoria. Entre as reivindicações dos professores, estão 1/3 da jornada para o planejamento pedagógico; nenhuma disciplina com menos de dois tempos; retorno da grade curricular de trinta tempos semanais; redução do quantitativo dos alunos por turma; jornada de 30 horas para os funcionários administrativos e obras para melhoria da infraestrutura das escolas.

Em conjunto com o funcionalismo público estadual, o Sepe-RJ reivindica reajuste salarial (os professores não tiveram aumento em 2015), retorno do pagamento dos salários no início do mês, quitação de todo o valor do 13º salário e a retirada desse Projeto de Lei da previdência que aumenta a contribuição previdenciária de 11% para 14%. Este projeto já foi retirado da pauta da Alerj, pelo governo.
 
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Por: Diego Da - [email protected]
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