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Sérgio Nogueira lamenta baixo índice de leitura dos brasileiros


Uma pesquisa divulgada na última semana mostra que a leitura tem ganhado cada vez menos espaço na vida dos brasileiros. O estudo Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, revelou que, por ano, cada pessoa lê em média quatro livros. Mas desses, apenas dois são lidos até o fim. O resultado está abaixo do obtido na última edição da pesquisa, realizada em 2007, quando essa média correspondia a 4,7 livros por ano.

O levantamento, que foi feito pelo Ibope Inteligência, com 5 mil entrevistados em 315 municípios, entre junho e julho de 2011, mostra também que somente metade da população é considerada leitora, contra os 55% da população registrada como leitora em 2007. Isto significa que apenas 88,2 milhões de pessoas leram ao menos um livro nos últimos três meses.

Segundo o professor e consultor na área de Língua Portuguesa, Sérgio Nogueira, os baixos índices de leitura no Brasil tem origem histórica. “É uma questão cultural. O sistema de educação no país é ruim. Além disso, outros fatores contribuem para este desinteresse, como a desvalorização dos profissionais da Educação, em vários sentidos, não só salarial. A questão do acesso ao livro, que ainda é restrito, também influencia. Temos poucas bibliotecas e os ambientes de leitura, quando existem, não são estimulantes. Sem falar no preço dos livros, que é alto”, explica.

Quanto a isso, Sérgio Nogueira afirma que o melhor a fazer é incentivar o hábito da leitura o mais cedo possível. Para colocar isso em prática, o papel dos pais é fundamental. “O desejo pela leitura é particular, mas ele pode ser cultivado. O exemplo dado pelos pais em casa é o mais importante. Para fazer da criança um adulto leitor, os pais podem começar com coisas simples, como ler junto e levar o filho à livraria, para que este possa escolher os livros que quer ler. Não há fórmula mágica. O segredo é estimular”, frisa.

Dados da pesquisa apontam que a internet está liderando o tempo livre dos brasileiros. Enquanto muitos nunca compraram um livro, nem foram à biblioteca, o interesse pela internet cresceu 6% em quatro anos. Enquanto que, neste mesmo prazo de tempo, os leitores de publicações em papel  caíram de 36% para 28%.

A situação é mais favorável no Centro-Oeste. De acordo com a pesquisa, a média de livros na região é a melhor, seguida por Nordeste, Sudeste, Sul e Norte. Neste ranking, a Bíblia se manteve como o livro mais lido pelos brasileiros, seguido pelos didáticos e os de romance. Entre os autores, as preferências são pelos brasileiros Monteiro Lobato, Machado de Assis e Paulo Coelho.

O principal agente citado na pesquisa, responsável pela formação de novos leitores são os professores. Eles aparecem à frente até mesmo das mães. Para Sérgio, este papel fundamental da escola é o que traz o real conhecimento.

“A leitura garante um conhecimento mais sólido que aqueles que se adquire através dos meios de comunicação, como o Rádio e a TV. Quando o aluno tem este hábito, ele não só tem a informação, como ele domina também o assunto, tendo assim embasamento para discutir e contribuir com a sua opinião. A leitura abre a mente para outras vertentes, que vão além do livro didático”, afirma.

Por: Juliana - [email protected]
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