Folha Dirigida Entrar Assine

Terezinha Saraiva aborda os desafios para o Brasil sair da crise


Um longo caminho para superar a crise

Terezinha Saraiva *

O julgamento do impeachment da Presidente Dilma Rousseff prossegue, agora, no Senado, devendo ser encerrado no dia 12 de maio, de acordo com o cronograma fixado. Os Senadores que não concordam com o impeachment e que me parece serem apenas cinco, tudo têm feito para retardar o julgamento, fazendo intervenções a todo momento destituídas de qualquer importância e fundamento, tornando nítida suas intenções. Como não têm condições de mudar o voto final da maioria dos Senadores procuram interferir para atrasar o dia D.

Nesse triste episódio a que estamos assistindo, em que o impeachment é a culminância, temos visto de tudo, a começar pelo fato da Presidente Dilma Rousseff e seus aliados continuarem a chamar erradamente de golpe, o impeachment. Ela e eles sabem que houve crime de responsabilidade fiscal, pela Presidente ter utilizado bancos públicos para esconder a situação fiscal da República, ter autorizado gastos públicos sem aprovação do Congresso, procedimentos que puseram em risco a credibilidade do governo diante do mercado nacional e internacional e perante o povo, que está pagando os erros financeiros do Governo, com a inflação, o desemprego, a falta de crédito.

O cenário no qual o Senado julga o impeachment, e não o “golpe” como a Presidente Dilma Rousseff insiste em qualificar o impeachment, que é amparado pela Constituição, é o mesmo do julgamento na Câmara. Parece-me, até agora, que vamos assistir a um julgamento com mais decoro do que a Câmara dos Deputados proporcionou. Aquele 17 de abril ficará na triste lembrança dos que o assistiram.

Viu-se naquele domingo, desde manhã até à madrugada do dia 18, um triste espetáculo protagonizado pela maioria dos Deputados. A falta de decoro deu a impressão que estávamos assistindo a uma cena circense. As figuras, os nomes de alguns, as oferendas de seus votos, em vez de se limitarem ao sim e ao não, já que tiveram nos dias anteriores a oportunidade de usarem o microfone para falar por tempo suficiente sobre suas posições, o espetáculo deprimente dos “papagaios de pirata”, das bandeiras em que alguns se enrolaram, dos insultos dirigidos ao presidente da Câmara, que os merece, mas não naquela oportunidade, tudo mostrou o perfil atual da maioria dos representantes do povo. E aí eu me pergunto: Quem é mais responsável? Os que o Brasil ficou conhecendo melhor naquele domingo, em que ficou patente o despreparo de muitos deputados federais ou aqueles que por seu voto os conduziram à Câmara dos Deputados?

Voltemos ao momento do Senado. Os autores do pedido do impeachment, que falaram, o jurista Miguel Reale Junior e a advogada e professora Janaina Paschoal, em vez de se aterem às leis, aos fatos, aos aspectos que os convenceram de que ocorreu crime de responsabilidade fiscal, fizeram discursos políticos ou politizados com pouca objetividade nos aspectos técnicos. A defesa da Presidente feita pelos três ministros indicados, José Eduardo Cardoso, Kátia Abreu e Nelson Barbosa foi mais sóbria, embora tenha fugido completamente dos fatos, apresentando razões para desqualificar o crime de responsabilidade fiscal que, além de fragilíssimas, pareciam minimizar a inteligência do povo.

Não há a menor dúvida de que o governo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não há a menor dúvida de que o impeachment da Presidente Dilma Rousseff não pode ser confundido com golpe.

A Presidente ao tentar se defender, diz sempre que não há qualquer denúncia de corrupção contra ela, de dinheiro nos bancos estrangeiros, esquecendo-se de que ninguém a acusa desses “malfeitos”.

Há outros que ela não pode negar e não foram considerados para o pedido de impeachment: as mentiras utilizadas em sua campanha para a reeleição montadas, com seu consentimento, pelo marqueteiro João Santana; o dinheiro desviado para sua campanha, vindo de empreiteiras e da Petrobrás; muitos dos erros cometidos pela presidência da Petrobrás que, seguramente, eram de seu conhecimento; a maquiagem das contas feitas pelo Ministro da Fazenda de seu primeiro mandato. Enfim, isto tudo ocorreu e não pode ser negado pela Presidente. E, recentemente, já depois do processo de impeachment, Dilma Rousseff está usando o Palácio do Planalto como palco para os comícios que nele vem realizando, esquecendo-se de que não pode usar o espaço para o exercício da presidência para atos políticos, estimulando o confronto de um grupo de brasileiros contra o outro.

Os brasileiros, em sua grande maioria, aguardam que este triste e lamentável quadro que vem se alongando desde o final do 1º mandato e que já chega ao 2º mandato tenha fim, para que o país possa reencontrar o rumo para seu crescimento, para a queda da inflação, para o fim do desemprego que já atinge 10 milhões de pessoas; para ampliação da oferta de mais empregos para jovens que esperam a oportunidade de integrar a força de trabalho; para um governo transparente; para a união dos brasileiros que o PT tentou separar; para que os programas sociais possam ser ampliados e dirigidos, realmente, para os que precisam; que não se faça política social assistencialista mas de promoção social; para que o Executivo tenha o apoio do Legislativo, independente de partidos, em benefício do povo brasileiro; para que a corrupção continue a ser combatida até que o país se veja livre dessa prática abominável.

Esse trabalho é humanamente impossível ser conseguido nos dois anos que restam até às eleições de 2018, mas é preciso que comece agora e seja continuado por quem receber o bastão da Presidência da República, em 2018.

* Educadora

Por: Larica Santos - [email protected]
Assine e tenha acesso completo ao conteúdo do Folha Dirigida
OU

Comentários

NEWSLETTER
Cadastre-se para receber notícias e Informações