Folha Dirigida Entrar Assine

Uerj: segundo reitor, alunos podem receber bolsa em breve


Segundo nota divulgada pelo reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ricardo Vieiralves, na tarde da última quarta, dia 2, o governo pode estar próximo de regularizar o pagamento dos bolsistas. Isto porque, De acordo com o dirigente, o governo autorizou Programação de Desembolso conferindo crédito à Secretaria Estadual de Fazenda para pagar os valores devidos aos bolsistas e aos residentes da Uerj. Ainda segundo Vieiralves, foi socilitado que a liberação de recursos seja suficiente para quitar os valores de novembro e de dezembro.

O pagamento aos bolsistas e residentes é a condição apresentada por um grupo de estudantes que ocupam os campi da Uerj desde a última terça-feira, dia 25.

Nesta quinta, dia 3, os estudantes participarão de um ato em conjunto com os residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto, às 10 horas. Eles farão uma caminhada até a Secretaria da Fazenda do Estado, com o intuito de terem respostas sobre a pauta de reivindicações elaborada na última assembleia estudantil.

De acordo com os alunos da Uerj, desde de que começou a ocupação, tanto a reitoria quanto representantes do governo ainda não entraram em contato. Os universitários alegam que as bolsas de estudo pagas a cotistas estão atrasadas há dois meses e o pagamento dos funcionários terceirizados não ocorre desde outubro. Na nota divulgada pelo reitor Ricardo Vieiralves, a informação é a de que os salários dos terceirizados estão regularizados.

Para se manterem no prédio, os estudantes estão se organizando e arrecadando doações como água, alimentos e materiais de higiene. Os próprios ocupantes estão fazendo a limpeza do prédio. Além disso, criaram uma página na internet chamada “Ocupa Uerj” com o objetivo de informar sobre as atividades ocupação. Além do campus Maracanã, também foram ocupadas as sedes da universidade em Caxias, São Gonçalo, Teresópolis e Resende.

A estudante Nathani Fang, 21 anos, do curso de Ciências Sociais, é bolsista e está há dois meses sem receber o benefício. A estudante lamentou os atrasos e falou da importância dinheiro que, segundo a jovem, tem valor muito baixo para os padrões da cidade. “Tem gente que vem de fora do Rio de Janeiro para estudar aqui. A bolsa de R$400 não paga nada e eles ainda atrasam, não pagam. Este dinheiro é mais da metade da minha renda e me ajuda a pagar meu aluguel e algumas despesas de casa. As bolsas da Uerj às vezes são a única renda de muitos estudantes, principalmente dos que são cotistas e bolsistas, e quando ficam sem receber, complica demais a vida dessas pessoas”, desabafou a estudante.

A ocupação da Uerj começou no dia em que a Uerj deveria reiniciar as aulas, após uma semana de paralisação, determinada pela reitoria diante da falta de verbas para limpeza e segurança. O objetivo da manifestação é cobrar da reitoria e do governo do estado o pagamento dos salários dos funcionários terceirizados e das bolsas dos cotistas. Os universitários se organizaram e disseram que só desocupam o prédio depois que esses pagamentos forem efetuados. Além disso, pediram a abertura dos livros de contabilidade e mais investimentos na universidade. No site da Uerj, o reitor Ricardo Vieiralves disse que a manifestação dos estudantes é pacífica, legítima e motivada.

Estudantes cobram pagamento de bolsas

Natália Trindade, estudante do curso de Ciências Sociais e diretora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) explicou porque os estudantes decidiram por dar continuidade a paralisação das aulas e falou da importância de outras pessoas ajudarem na causa. “Toda essa mobilização é para mostrar que o estudante da Uerj não está de brincadeira. Se nós estamos aqui é porque queremos realizar o nosso sonho. Nós estamos convidando todos a participarem desta ocupação. Estamos acampados aqui dependendo da ajuda das pessoas.”

Ao que parece, os universitários da Uerj seguem um movimento semelhante ao de alunos de escolas estaduais de São Paulo. Nas últimas semanas, os estudantes paulistas vêm ocupando unidades escolares em todo o Estado (já são mais de 200), em protesto contra o processo de reorganização do sistema de ensino promovido pelo governo, que terá como consequência o fechamento de escolas.

Sobre a paralisação das aulas, David Gomes, estudante de História, falou sobre o protesto dos estudantes e disse que os alunos estão dispostos a realizarem as aulas fora das salas. "O movimento estudantil não vai ficar calado diante dessas injustiças. Queremos ter aulas, mas não desta forma em que a universidade está e vamos procurar organizar aulas públicas aqui."

A ocupação contou com o apoio de integrantes do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj) através do coordenador Jorge Luis Mattos de Lemos. "Até ontem nós não tínhamos problemas com salários, mas no fim da tarde passamos a ter. A crise na Uerj chegou nos funcionários estatutários."

Além do Sintuperj, os estudantes contam com o apoio da Associação dos Docentes da Uerj. Fábio Iorio, um dos diretores da entidade, falou sobre a causa organizada pelos estudantes. "A nossa diretoria apoio esse movimento dos estudantes. É muito importante porque já vem ocorrendo essa precarização há mais de dois anos e só agora que essa ponta de iceberg ficou nítida para que todos vejam. Há treze anos estamos sem reajuste salarial, as bolsas são sempre atrasadas e estamos vivendo as piores condições vividas já pela universidade."

Em anexo nesta página é possível verificar a nota publicada pela administração da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) sobre as paralisações das atividades.

Assine e tenha acesso completo ao conteúdo do Folha Dirigida
OU

Comentários

NEWSLETTER
Cadastre-se para receber notícias e Informações