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A EAD como instrumento para formar mais e melhores engenheiros


Para acompanhar as demandas de crescimento econômico e ampliar sua participação nos avanços da Ciência e da Tecnologia, o Brasil precisa formar, em média, 80 mil engenheiros anualmente. No entanto, o país ainda se esforça para atingir a marca de 60 mil profissionais nesse setor, a cada ano. O curso, considerado estratégico para o desenvolvimento sustentável, amarga um índice de evasão de 50%.

Ou seja, a cada dois estudantes que ingressam na carreira, apenas um consegue obter seu diploma. E, mesmo assim, muitos bacharéis em Engenharia, atraídos por salários robustos, acabam trabalhando em bancos ou empresas ligadas ao setor financeiro.

Preocupados com esse cenário, entidades ligadas ao setor de Engenharia e o poder público criaram ações para formar “mais e melhores engenheiros”. A Associação Brasileira de Engenharia (Abenge) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) retomaram as ações do ProEngenharias — iniciativa criada em 2007 para estimular pesquisas científicas e tecnológicas e a formação de recursos humanos nesse segmento.

O segundo momento do programa trouxe inovações. Um deles é o Programa de Engenharia a Distância em rede nacional, chamado de UABEng, a Universidade Aberta do Brasil de Engenharias. A proposta visa apoiar cursos de graduação de Engenharia na modalidade de educação a distância (EAD) em rede nacional, em instituições de ensino superior (IES), por meio do sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB).

Segundo João Carlos Teatini de Souza Clímaco, consultor da Capes do programa ProEngenharias e professor da Universidade de Brasília (UnB), dados do Censo da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) de 2013 mostram que, apesar de o número de matrículas nos cursos de Engenharia ter subido 52% nos últimos três anos, a proporção de alunos para cada dez mil habitantes na área é aproximadamente um terço da registrada nas áreas de Ciências Sociais, Administração e Direito.

Mesmo com o aumento da demanda por pessoal qualificado, hoje, em todo o país, há 36 cursos de graduação em Engenharia oferecidos na modalidade a distância, sendo que apenas um deles, já em funcionamento, é público. Trata-se do curso de Engenharia Ambiental/bacharelado, oferecido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em parceria com a UAB.

A partir do primeiro semestre de 2015, o Consórcio Cederj vai oferecer, em parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), o curso de Engenharia de Produção, em EAD. Há também a perspectiva de abertura em 2015 dos cursos de Engenharias de Computação, pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp/Univesp), e Elétrica, pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), ambos na modalidade a distância.

Os desafios da oferta de Engenharia em EAD foram tema de uma mesa de debates durante o XVI Encontro Ibero-americano de Educação Superior a Distância, na manhã do último dia 14, na sede do Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro.

Para Teatini, o sistema da UAB, que hoje reúne 104 instituições de ensino superior públicas e possui polos em 20% dos municípios do país, tem plena capacidade para oferecer cursos de Engenharia em EAD. Segundo o docente da UnB, os alunos podem fazer as disciplinas práticas em laboratórios de instituições parceiras e esclarecer as suas dúvidas pela internet, com a ajuda de tutores.

“A Universidade Columbia dos EUA oferece EAD na graduação e na pós-graduação desde 1986. Por que o Brasil não pode fazer o mesmo? Nós temos a qualidade como a nossa preocupação maior. Com o sistema da UAB, os alunos estão se graduando, passando nos concursos e obtendo resultados nos exames nacionais iguais ou superiores aos dos alunos presenciais”, argumentou o consultor da Capes.

Outra linha de ação no ProEngenharias é o Programa Nacional de Mestrado Profissional em Ensino de Engenharia e Tecnologia, o ProfEng. De acordo com o professor Nival Nunes, presidente da Abenge e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj),  o ProfEng será um mestrado profissional de ensino de Engenharia e Tecnologia. Seu objetivo é qualificar docentes que atuam em instituições de ensino superior sem o mestrado em Engenharia e também qualificar docentes já titulados, oferecendo atualização com relação ao uso de novas metodologias e de tecnologias de informação e comunicação no ensino das Engenharias.

“O ProfEng é uma proposta conjunta da Abenge e da Capes. Temos 20 escolas de excelência de Engenharia que fizeram uma proposta submetida à avaliação da Capes. A partir de 2015, devemos lançar um edital para que as escolas interessadas possam se cadastrar no programa. Elas poderão emitir diplomas de acordo com os critérios da Capes”, explicou Nival Nunes.

A iniciativa é inspirada no ProfMat, o primeiro mestrado profissional em rede nacional para professores de Matemática. Fruto de parceria entre a Capes, a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e 66 instituições de ensino superior, o programa já formou 1.015 mestres em todo o país.

“Queremos ajudar nossos colegas que, muitas vezes, são muito competentes em suas áreas, mas apresentam uma certa fragilidade na arte de lecionar. Uma dessas metodologias é a aprendizagem baseada em problemas ou PBL (problem based learning). Nossa proposta na Abenge é formar mais e melhores engenheiros”, acrescentou o docente da Uerj.

Com relação aos elevados índices de evasão nos cursos de Engenharia, Vanderli Fava de Oliveira, docente da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e diretor da Abenge, sugere a adoção de metodologias diferenciadas no ensino de Física e Matemática.

“Hoje, a evasão nos cursos de Engenharia é elevada mais pelas dificuldades em disciplinas como Cálculo e Física, do que pela complexidade dos conhecimentos técnicos da área. Muitos dos que saem da Engenharia procuram outro curso. Mas hoje temos meios e métodos de os alunos aprendem mais rapidamente os conhecimentos necessários em Matemática e Física”, observou o docente da UFJF, que prefere se referir à nova proposta como cursos de “Engenharia mediada por tecnologia”.

O debate sobre a criação da UABEng, cujas atividades devem ser incrementadas já no próximo ano, contou também com a participação de Carlos Henrique Figueiredo Alves, diretor-geral do Cefet/RJ, e de Carlos Eduardo Bielschowsky, presidente da Fundação Cecierj/Consórcio Cederj.

Serviço
www.abenge.org.br

Por: Tainara Silva - [email protected]
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