Folha Dirigida Entrar Assine

A sustentabilidade na ordem do dia das escolas


Temas como sustentabilidade, preservação ambiental e cuidados com o meio-ambiente são estão cada vez mais presentes no dia a dia da sociedade. As escolas, sabendo disso, já trazem o assunto para o dentro das salas de aula, por meio de diferentes tipos de projetos. As instituições realizam atividades nesta linha ao longo de todo o ano mas, é no início de junho, mais especificamente no dia 5, o Dia Mundial do Meio Ambiente, é que os colégios aproveitaram a data para trabalhar ainda mais esta temática.

As escolas de um modo geral trazem em seu currículo o tema ecologia, mas cada uma diferencia na maneira e qualidade de exposição do assunto. Em busca uma relação cada vez maior entre os estudantes e o meio ambiente, o Instituto São João Baptista (Isjob), no Méier, desenvolveu o projeto "Horta Suspensa". Os alunos da instituição, entre oito e 10 anos,  plantam e criam suas próprias mudas, cada uma dentro de uma garrafa pet que é sustentada, na parede, por arames.

A proposta é promover a discussão e a reflexão sobre a preservação e o cuidado com o meio ambiente. No trabalho, são utilizados apenas materiais de custo reduzido. Foi um jeito simples de unir a reciclagem ao plantio de novas mudas. Tem manjericão, pimenta, pimentão, coentro, salsa, cebolinha e hortelã.

A horta fica no pátio do colégio e as crianças regam e cuidam de suas plantas. Segundo a professora Sandra Bezerra, idealizadora do projeto, a ideia da "Horta Suspensa" é que a criança desenvolva o cuidado com as plantas e perceba a importância da relação entre a natureza e o ser humano. Para ela, "realizando atividades que promovam essa reflexão, eles tendem a respeitar mais os seres vivos".

Alterações climáticas, o destino do lixo produzido pela sociedade e as fontes renováveis e não renováveis foram temas discutidos no Colégio Saint John recentemente. Aulas expositivas sobre educação ambiental foram realizadas e é um hábito da escola falar sobre sustentabilidade em eventos para os alunos.

"Fizemos aulas para mostrar aos jovens um pouco das alterações climáticas. Trouxemos jornais e revistas para dentro de sala de aula, conversamos um pouco sobre fontes de energia alternativa, reciclagem, sustentabilidade de uma maneira geral. Isso foi feito com as turmas de 6º ano e os estudantes se mostraram interessados com o assunto", diz o professor Vinicius Ramalho, do Colégio Saint John.

O Dia Mundial do Meio Ambiente também mexeu com a rotina da Amora Centro Educacional. A instituição de ensino preparou a sua Semana da Ecologia e realizou atividades especiais para a comemoração da data. A semana voltada para a sustentabilidade já faz parte do calendário escolar do
colégio.

O objetivo é inserir os alunos na discussão sobre o tema ecologia, oferecendo debates, palestras, passeios em pontos ecológicos da cidade. Este ano, os estudantes apreciarão uma sala ambientada de floresta, preparada especialmente pelas professoras, e poderão assistir à palestra "Conversa aberta sobre reciclagem", ministrada pela blogueira Monique Futscher, que se dedica às causas do meio ambiente.

Ainda serão feitos passeios. Um será no Parque Carmem Miranda, no Flamengo, e outro no Jardim Botânico. Nesses locais, será realizado o "Piquenique Verde", a fim de estimular o consumo de alimentos saudáveis e naturais e para que a turma amplie seus conhecimentos sobre a flora brasileira.

Mas não são apenas as escolas que buscam mostrar a importância da ecologia. A esfera pública também está se movimentando. No Rio de Janeiro, dois projetos governamentais que buscam trazer a educação ambiental para as escolas públicas do estado do Rio de Janeiro foram ampliados.

Atuando em 122 escolas estaduais há seis anos, os programas "Elos de Cidadania" e "Nas Ondas do Ambiente" ganharam mais amplitude a partir de maio. No dia 3 do último mês, os secretários estaduais de Ambiente, Carlos Minc, e de Educação, Wilson Risolia, assinaram um termo de cooperação que formaliza um convênio entre as secretarias e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Enquanto a Uerj fica responsável por formar os docentes que irão estabelecer o elo entre os alunos e o meio ambiente, à Secretaria Estadual de Ambiente caberá implantar e acompanhar a realização dos programas nos colégios. A Secretaria de Educação, por sua vez, mediará o contato entre a Secretaria de Ambiente e as unidades escolares, além de acompanhar o trabalho dos programas.

 


Evento discutiu propostas para escola sustentável

Para professores e especialistas em sustentabilidade, assuntos ligados ao meio-ambiente e à ecologia devem ser levados para dentro dos debates realizados nas salas de aula. O grande desafio, no entanto, é passar os conhecimentos dessa área junto ao conteúdo programático que o Ministério da Educação (MEC) obriga as escolas a desenvolverem.

A professora Cícera Maria, do Colégio Brigadeiro Schorcht, da Taquara, é coordenadora do Programa Escola Aberta. Segundo ela, o tema ecologia é bem aceito dentro da escola. Alunos e educadores realizam trabalhos que mostram a importância da preservação da natureza. O projeto, inclusive, convida pessoas da comunidade próxima ao colégio para participarem das atividades.

"Faz parte da escola trabalhar esse tema. Os professores se esforçam para que isso esteja presente em sala de aula e os alunos, de maneira geral, envolvem-se com o que propomos para eles. Temos um projeto no qual a comunidade, os alunos e os professores  são responsáveis pela manutenção de uma horta, que é irrigada por um sistema que funciona com energia solar. É impressionante como todos gostam de cuidar do local!", diz Cícera Maria.

A professora esteve presente no Colóquio Escolas Sustentáveis, que foi realizado no dia 29 de maio, no auditório do Colégio Estadual Chico Anysio, na Tijuca. O Grupo Interdisciplinar de Educação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro (Giea), em parceria com as secretarias de Estado de Educação e Meio Ambiente, realizou o evento com o objetivo de discutir políticas públicas de educação ambiental nas escolas.

A coordenadora do Giea, Lara Moutinho da Costa, explicou que o colóquio apoia o processo de discussão envolvendo a IV Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, um instrumento voltado para o fortalecimento da cidadania ambiental nas escolas e comunidades.

"A nossa proposta é mostrar como a escola pode se articular em três eixos que, para o MEC, garantem a sustentabilidade: ecotécnicas, que é o cuidado com a estrutura física da escola; currículo integrado; e gestão democrática. As escolas e os professores, conforme forem entendendo esses três pilares, vão perceber que é possível manter uma Escola Sustentável".

Mas não são todas as instituições de ensino que trabalham o tema ecologia com os alunos. Por isso, Giselli Domiciano, professora do ensino médio do Centro Educacional Alegria do Saber, alerta que a direção dos colégios tem um papel importante na valorização dos assuntos ligados à sustentabilidade dentro de sala de aula. Segundo ela, quando não há este envolvimento da coordenação pedagógica, torna-se, muitas vezes, difícil para o professor despertar o interesse junto aos alunos.

 


Ensino superior também está atento à data

Não são apenas as escolas de ensino fundamental e médio que lembraram o Dia Mundial da Ecologia. Algumas instituições de ensino superior também realizam atividades em função desta data. A Estácio, por exemplo, tem, pela primeira vez, a sua Semana da Sustentabilidade, que acontece até sábado, dia 8 de junho.

Estão previstas mais de 200 atividades nos campi da Estácio de todo o Brasil com a participação de docentes, colaboradores, alunos e comunidades. As ações vão abordar a sustentabilidade nas dimensões econômica, social, cultural e ambiental.

Entre os eventos previstos para acontecer nas unidades estão: palestras com especialistas, exibição de filmes seguida de debate, oficinas de leitura, coleta de lixo eletrônico, ações de estímulo à reciclagem e também campanhas de doação de agasalhos e alimentos.

"Queremos garantir uma trajetória rumo à sustentabilidade que tenha coerência entre a prática e o discurso. Se a nossa razão social é a educação, parece-nos natural ampliar de forma contínua a nossa
contribuição para tornar o desenvolvimento sustentável uma realidade concreta. A Semana da Sustentabilidade é um movimento que tem exatamente esse objetivo", afirma Luiz Antônio Gaulia, gerente de Sustentabilidade da Estácio.

No Rio de Janeiro, por exemplo, as atividades acontecem em 14 campi da instituição: Tom Jobim (Barra da Tijuca), Cabo Frio, Dorival Caymmi (Copacabana), Duque de Caxias, Ilha do Governador, Madureira, Norte Shopping, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Barra World (Recreio), Resende, São Gonçalo e São João de Meriti.

Por: Rosa Edite - [email protected]
Assine e tenha acesso completo ao conteúdo do Folha Dirigida
OU

Comentários

NEWSLETTER
Cadastre-se para receber notícias e Informações