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ABE completa 90 anos com orgulho do passado e de olho no futuro


15 de outubro é nacionalmente conhecido por ser o Dia do Professor. Entretanto, este não é o único motivo para os militantes do meio educacional celebrarem a data. Neste mesmo dia, em 1924, surgia, no anfiteatro de Física da Escola Politécnica, a Associação Brasileira de Educação (ABE). Em 2014, porém, a comemoração é ainda mais especial. Isto porque a mais antiga instituição educacional do país completa 90 anos de existência.

A ABE nasceu, segundo o site da própria instituição, por conta de um sentimento de "recusa da apatia, indiferença e inércia diante de fatos contrários aos legítimos direitos da pessoa humana e pondo em perigo o ideal de uma vida democrática, comum a um grupo de personalidades ilustres e cultas da época". O objetivo era enfrentar os principais problemas que obstruíam o desenvolvimento da educação brasileira. Apenas oito anos após sua fundação, já deixou uma marca história: o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932.

"A ABE é autora do mais importante documento educacional brasileiro. Foi um marco histórico para a nossa educação. O documento lançou as bases da modificação de posturas educacionais. Foi tão importante que, ano a ano, os educadores o reavivam. Inclusive, quando foram comemorados os 80 anos do texto, em 2012, o ministro da Educação organizou uma comissão para organizar os festejos e veio ao Rio para celebrar. Realmente, os educadores que o redigiram, todos falecidos, reuniram um conjunto de ideias que, na época, foi uma verdadeira revolução", comentou João Pessoa de Albuquerque, presidente da ABE.

Outro grande orgulho da entidade, voltada para a educação e a cultura do país, é o seu acervo - considerado de utilidade pública no ano de 2008. O material, inteiramente disponível para educadores e pesquisadores, tem servido de base para preparação de teses de mestrado e doutorado, livros e pesquisas. Para se manter atualizada, a ABE realiza conferências e seminários - os últimos foram os encontros estaduais de educação a distância e de educação profissional - divulga textos e trabalhos de seus associados e mantém intercâmbio de informações com importantes instituições educacionais do Brasil e do mundo.

A data de fundação da ABE ser exatamente no Dia do Professor tem um significado especial, na opinião do presidente, principalmente pelo fato de a valorização do docente ser um dos principais desafios para a educação brasileira durante os próximos anos. Esta luta, de acordo com João Pessoa, é uma das prioridades durante as reuniões dos membros. "O profissional do magistério é o de maior importância e efeito multiplicador em qualquer sociedade. Somos o que somos hoje graças ao trabalho deles. Nós, da ABE, precisamos ter força e poder a fim de valorizá-los proporcionalmente a sua importância social", argumentou.

Para Edgar Flecha Ribeiro, membro da ABE, e neto e filho de antigos integrantes da Associação, o grande mérito da instituição foi ter batido insistentemente na tecla da universalização do ensino, uma realidade para a qual o Brasil despertou recentemente. "Os 90 anos representam a tentativa ininterrupta de espalhar o saber. É o aniversário de uma entidade que surgiu em uma época difícil, em um país atrasado, onde pouquíssimos tinham acesso ao ensino. Ainda hoje temos uma relação difícil com a distribuição do saber. Os governos ainda hesitam sobre esse tema. Não sei se sentem-se ameaçados. O que sei é que a ABE tem um compromisso com a expansão do ensino", garantiu.

Na opinião do educador Henrique Zaremba, que também faz parte da ABE, o grande diferencial da associação para chegar a sua nona década de existência é a isenção política. De acordo com ele, a ABE está acima de qualquer suspeita, pois sempre coloca a educação em primeiro lugar. "Chegar até esse ponto não foi fácil, mas conseguimos, entre outros fatores, porque nunca houve qualquer tipo de partidarismo. Todos que já passaram e ainda estão por aqui são pessoas abnegadas, que trabalham por acreditar no que fazem, e não tem nada mais gratificante que trabalhar pela educação", disse, ressaltando que, para ele, uma das discussões de maior relevância atualmente durante as reuniões dos membros da ABE tem sido sobre a formação dos professores. "Estamos na época da informática, mas não vemos o docente saindo preparado para lidar com as tecnologias. Costumo dizer que temos alunos do século XXI e professores e escolas do XX", falou.


ABE entrega medalha comemorativa para a Fundação Roberto Marinho

Para celebrar os aniversário de 90 anos, a ABE promoveu uma cerimônia no Museu da República, localizado no Palácio do Catete, na quarta-feira, dia 15. Na ocasião, a entidade realizou a entrega de uma medalha comemorativa pela data. Quem recebeu a condecoração foi a Fundação Roberto Marinho, representada pela sua gerente-geral de educação, Vilma Guimarães.

A escolha da Fundação Roberto Marinho, segundo o presidente da ABE, se deu pela afinidade ideológica e filosófica entre as duas entidades, já que ambas pregam a afetuosidade aplicada à educação, e pelo trabalho nas comunidades carentes. "A informação atinge o cérebro com mais rapidez quando vem acompanhada de emoção. O professor, antes de qualquer coisa, precisa ser um emocionador, provocar sentimentos positivos em seus alunos. É por conta desta semelhança de pensamento e pela espetacular atuação educacional, principalmente em favor dos menos favorecidos, que escolhemos a Fundação", falou.

Após receber a medalha, Vilma fez questão de parabenizar a ABE pelo seu aniversário e agradecer pelo legado educacional proporcionado pela entidade, que mesmo ao longo de seus 90 anos se manteve atualizada e contextualizada com a realidade de cada década. "Esta medalha significa muito para nós, pois aumenta ainda mais nossa responsabilidade. Trabalhar com educação é uma luta árdua, mas a alegria é imensa, pois é responsável pela libertação e, por isso, é tão importante. Avançamos nos últimos anos, mas ainda há muito o que fazer. Cada um de nós é um pouco responsável pela educação de todos os brasileiros. Muitas vezes, é apenas uma questão de acolher e reconhecer que a dificuldade também gera conhecimento. Alguns só precisam de uma chance, pois são inteligentes", disse, garantindo que a Fundação Roberto Marinho passará a utilizar o acervo da ABE.

O secretário de Estado de Educação do Rio de Janeiro, Wilson Risolia, compareceu ao evento e salientou que o maior tesouro que a ABE reuniu desde a sua fundação foi a capacidade de reunir pessoas comprometidas com a área educacional. "Vivemos um momento crucial. Todos concordam que é preciso melhorar a educação brasileira, mas como? Em quanto tempo? A boa notícia é que todos querem, o ruim é que poucos sabem como. Hoje é um dia simbólico, porque reuniões como essa, com pessoas que têm suas divergências, mas caminham com respeito para um objetivo em comum, mostram que é possível. Vocês, assim como os professores em sala de aula, fazem isso tudo por vocação. Espero que ainda possam comemorar muitos anos de existência", destacou o secretário.

Por: Renata - [email protected]
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