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Contagem regressiva para o Enem


Vestibulandos de todas as partes do país já estão na contagem regressiva para a realização das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2013, programado para os dias 26 e 27 de outubro. A aproximadamente três meses para a aplicação, sentimentos como nervosismo, ansiedade, insegurança ou confiança começam a dominar os alunos, que desde o início do ano dedicam boa parte de seus esforços para um bom resultado na avaliação, tida como a principal porta de entrada para o ensino superior brasileiro, desde a sua reformulação, em 2009, quando passou a concentrar a imensa maioria das vagas oferecidas em universidades públicas federais e estaduais.

Com o fim do recesso de julho e a consciência de que faltam apenas alguns meses, os estudantes iniciam a etapa final de preparação. Na opinião de professores que trabalham diretamente com alunos que têm como grande objetivo alcançar uma boa nota no Enem, a hora é de intensificar os estudos e aumentar a carga horária, mas sempre tomando cuidados com o exagero. "Comporte-se como os vencedores das maratonas, que mantêm um desempenho satisfatório ao longo de toda a corrida. Porém, não é momento de exageros. As neurociências apontam para importância de um bom sono na fixação de novos objetos de conhecimento. Evite deixar livros e apostilas visíveis no seu local de descanso. Medite antes de dormir e relaxe. Confie na capacidade de funcionamento do cérebro humano, ativamente operante mesmo quando estamos dormindo", aconselhou Daniel Lisbôa, professor de Matemática e Física do Colégio Alfa Cem Bilíngue.

A prova é composta por uma redação e 180 questões objetivas, dividas por quatro áreas de conhecimento: Linguagens, códigos e suas tecnologias; Ciências da natureza e suas tecnologias; Ciências humanas e suas tecnologias; e Matemática e suas tecnologias. De acordo com Cosme Cunha, professor de Língua Portuguesa do Colégio Alfa Cem, é aconselhável que os concorrentes tentem dividir o tempo de estudo por todas as áreas e refaçam todos os exames anteriores, desde 2009. "O mais importante agora não é o aprofundamento em conteúdos. Em Linguagens, por exemplo, um amplo desgaste com tópicos gramaticais pode ser cansativo e desnecessário. Vale lembrar que o fundamental é saber associar o conteúdo às habilidades expostas na Matriz de Referência. Cada item (questão da prova) nasce da associação de uma habilidade com um conteúdo." O download da Matriz pode ser feito a partir do endereço eletrônico do Enem.

Mesmo no caso daqueles que, por qualquer motivo, não conseguiram estudar de maneira adequada durante o ano, a dica do professor de Geografia do Colégio e Curso Pensi, Achiles Lemos Neves, é: "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". Apesar de saber que não é possível tirar todo o prejuízo causado pelo tempo perdido, o educador garante que é possível conseguir a aprovação, desde que haja dedicação e planejamento. "Não ter se preparado com afinco não significa que não possa passar para Medicina. Isso varia conforme a capacidade de cada um. O estudante deve ter calma e disciplina, acreditar no projeto que traçar, e cumprir a rotina. O vestibular é um desafio do qual não se aconselha fugir. Caso não tenha estudado o suficiente, repense seus horários e sua rotina, e corra atrás. Não conseguindo a vaga, a experiência acumulada na tentativa será de fundamental em uma vitória futura", disse.


Questões relacionam assuntos do cotidiano e de destaque na mídia ao conteúdo curricular

Com a proximidade da prova, crescem as apostas sobre os prováveis assuntos que serão abordados na prova. Com o perfil de relacionar os conteúdos das disciplinas com atualidades, assuntos de grande destaque na mídia, como fenômenos oriundos das redes sociais, como as recentes manifestações populares, que dominaram as ruas no Egito, na Turquia e acabaram chegando ao Brasil no mês de junho, ganharam destaque nas apostas dos professores.

Mesmo em disciplinas como Matemática, assuntos do cotidiano podem ser inserido nas questões, segundo a professora Andrea Canella, do Colégio Notre Dame-Recreio. "Podem ser cobradas estatísticas sobre questões econômicas, sociais ou ecológicas. Muitas vezes os dados são apresentados em tabelas ou gráficos. Fragmentos de reportagens também podem ser utilizados e o estudante deve estar apto a buscar, no texto, as informações relevantes", disse, ressaltando que os tópicos mais importantes são funções, proporcionalidade, porcentagem, noções de estatística e probabilidade. "Também devem estar preparados para realizar cálculos com decimais e frações com alguma rapidez, além de conhecer as unidades de medidas e saber fazer transformação", completou.

Daniel Lisbôa ressaltou que raramente caem questões que não estejam aplicadas a uma situação concreta e, por isso, é fundamental ter um olhar especial para os problemas de maneira contextualizada, principalmente com o que chamou de dinâmicas das redes. "Por todo o planeta e, mais recentemente, no Brasil, as redes sociais, antes restritas ao mundo virtual, convergiram para manifestações físicas concretas. Tentar prever ou ao menos interpretar, estatisticamente, esta tendência passou a ter uma demanda que não pode ser desprezada", orientou.

No caso das questões de Ciências da Natureza, apesar de ser uma área muito abrangente, Lisbôa destacou três tópicos: fenômenos elétricos e magnéticos, água e qualidade de vida das populações humanas. De acordo com ele, uma das competências associa as intervenções humanas aos processos produtivos e sociais e ações científico-tecnológicos, que podem resultar em degradação ou conservação ambiental. "A grave questão da saúde pública tem ocupado lugar de destaque na mídia e remete ao conhecimento da Fisiologia Humana. Este tema tem sido cobrado nas provas anteriores e merece destaque, principalmente com um foco social", disse.

Segundo Rafael Cunha, professor de Língua Portuguesa do Colégio e Curso Pensi, os assuntos mais cobrados pelo Enem são figuras de linguagem, funções da linguagem, variações linguísticas e elementos de coesão. No caso da redação, o docente afirma que é preciso saber o que se passa pelo mundo e estar antenado aos principais acontecimentos. "Isso é essencial para desenvolver argumentação consistente", falou, reforçado por Cosme Cunha, que frisou que as áreas de Linguagens e Redação têm por característica o uso do conhecimento dos alunos sobre atualidades sociais, políticas, ambientais, econômicas, tecnológicas e científicas. "O candidato deve estar atento e saber relacionar fatos, causas e consequências, sempre com o poder crítico", comentou.

De acordo com Achiles Lemos Neves, o Enem pode cobrar atualidades e relacioná-la às disciplinas ou valorizar abordagens conceituais internas à elas, como o Lugar e o Território, para a Geografia. As ligações entre industrialização-urbanização-meio ambiente, assim como questões relativas aos conflitos da globalização também são importantes. "Apostaria, correndo o risco de quem se expõe dessa forma, no 'midiativismo' de grupos como os Anonymous. A grande atualidade são os movimentos sociais espontâneos, tendo a Primavera Árabe como referência, passando pela Europa, EUA e América Latina. Os mesmos meios que possibilitam a globalização estão servindo aos questionamentos do status quo. A prática política está sendo redefinida, e a virtualidade da informação pelas mídias sociais é fundamental neste processo."

Em História, segundo Marcelo Menezes, que leciona no Colégio Notre Dame-Recreio, existem boas chances de aparecerem questões que estabeleçam relações entre o período da Ditadura Militar no Brasil, entre 1964 e 1985, e os atuais movimentos sociais que tomaram as ruas. "Acredito que a Jornada Mundial da Juventude, os conflitos no Oriente Médio, a questão do Egito e às Manifestações que vem ocorrendo desde a Copa das Confederações serão citadas na prova. Creio que serão relacionadas, principalmente, com alguns movimentos sociais e políticos que mudaram paradigmas e comportamentos", disse, pedindo que os alunos também estudem Antiguidade Clássica, Feudalismo, Renascimento Cultural, Reforma Protestante, Revolução Francesa, Imperialismo, 1ª e 2ª Guerra Mundial, Guerra Fria, República Velha, Era Vargas e Período Democrático.


Candidatos focam na resolução de exercícios e se preparam para a maratona de questões

Cientes da importância de um bom resultado no Enem, os vestibulandos Thássia Cabral, do curso pré-vestibular do Colégio Alfa Cem, e Rafael Pinheiro da Costa, do 3º ano do ensino médio do Colégio Notre Dame-Recreio, decidiram seguir os conselhos de seus professores e dedicar mais tempo aos estudos durante a reta final.

Além de aulas em tempo integral, ambos ainda encontram tempo para se preparar em casa, com a resolução de exercícios e provas de concursos anteriores. "Apesar de passar o dia todo no curso e, às vezes, chegar cansada, dá para estudar em casa, pois o horário é flexível, então é possível acordar mais cedo e estudar ou dormir um pouco mais tarde. Assisto aulas on-line, refaço exercícios e exames de outros anos. Estudo, em média, duas horas por dia, em casa, durante a semana. Sábado e domingo fico um pouco mais de tempo, dependendo do ritmo da semana", falou Thássia, de 17 anos, que deseja cursar Ciências Biológicas, admitindo que sente dificuldades em redação. "Geralmente, peco na conclusão. Vou dar bastante atenção nisso, assim como já fiz em outras matérias que tinha deficiências no começo do ano", garantiu.

Rafael pensa parecido. Para conseguir a aprovação em alguma faculdade de Administração, o jovem, de 18 anos, pretende abrir mão da vida social por três meses e se dedicar aos estudos. A maior dificuldade, de acordo com ele, é o desgaste causado pelos dois dias de prova. "Já fiz, como treino, no ano passado, e percebi o quanto é cansativo. O Enem é diferente dos outros vestibulares, é uma coisa única. É muito difícil falar que está 100% preparado, porque nunca sabemos o que vamos encontrar. Além dos estudos, vou ajustar meus horários. É importante dormir cedo e se alimentar bem. O organismo precisa estar adaptado", falou, ressaltando que é fundamental que o aluno tenha controle de si mesmo e saiba o que fazer para render melhor. "Descobri que gosto de levar água, isso me deixa mais calmo. Também procuro começar pelas questões mais fáceis e não demorar mais de três minutos em uma só", disse Rafael.

Por: Renata - [email protected]
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