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Escolha da carreira: Um momento decisivo


Em meio a festas e despedidas dos adolescentes no fim da jornada do ensino médio, é chegada a hora deles decidirem a profissão que irá nortear o futuro profissional e financeiro para o resto da vida. Com medo de errar e desagradar aos pais, em vestibulares que muitas vezes não passam de opções, grande parte dos jovens enfrenta o dilema de ingressar no ensino superior, sem uma sinalização que seja para decidir sua real vocação para determinada área profissional.

Essa é a realidade em meio ao universo de novas profissões e atividades que aparecem a cada tempo, dificultando ainda mais a escolha da carreira. Nesse momento também surge o trabalho dos orientadores vocacionais, com testes capazes de direcionar o estudante a conhecer as áreas em que melhor pode atuar para que, no futuro, não se arrependa dos anos de estudos e investimentos em busca de outra profissão.

Para Solange Calvano, da Central de Estágios e Empregos da Universidade Estácio de Sá, o jovem de hoje quer descobrir, acertar na escolha da profissão e ter sucesso garantido de forma urgente, o que não se consegue sem antes fazer uma varredura e análise profunda das opções. “O melhor meio de conhecer a carreira é a pesquisa. As universidades têm seus cursos e o estudante deve buscar dados sobre a disciplina e o conteúdo, ter contato com a teoria, e saber que um dia irá utilizá-la na prática. Com esse conhecimento, ele já pode identificar algo de positivo”.

Testes vocacionais podem
ajudar na hora da escolha
Um dos aspectos que deve ser levado em conta é o fato do estudante, primeiramente, se conhecer como ser humano, o que pode lhe dar a ideia de determinadas áreas de atuação que resulte na sua escolha. Outro fator a considerar é seu objetivo de retorno financeiro. “O jovem é sonhador, tem um vínculo com a família que lhe permite sonhar com viagens, bens de consumo, carros, em ir a baladas e festas, por exemplo. Ele é sustentado pela família e não assumiu na prática a responsabilidade do futuro, que é ter de arcar com todas as suas contas. Portanto ele deve saber sobre o mínimo e o máximo que pode ganhar ao escolher uma determinada profissão”, pondera.

Com a finalidade de ajudar os jovens nessa fase, existem os exercícios vocacionais, encontrados na Internet e em sites universitários, que traçam o perfil do estudante. Com eles é possível descobrir se o aluno se identifica com a área Humana, Tecnológica ou de Saúde, por exemplo, de acordo com suas qualidades e habilidades. “Esse estudo, apesar de ser caro e de poucos jovens terem acesso, é disponibilizado gratuitamente em sites como o Click Profissão da Estácio, com exercícios e testes vocacionais, que são bem próximos do teste profissional”, informa Solange.

O estudante deve considerar ainda que a vida profissional é longa, encerrando ou não com a aposentadoria. Em caso de uma escolha equivocada o resultado será a insatisfação e, muitas vezes, a mudança de área. Para muitos, um recomeço nos estudos e novo comprometimento financeiro. Para outros, o simples abandono da carreira e nova investidura no mercado de trabalho sem o apoio do conhecimento.
 
Ajuda preciosa
na escolha da carreira
Tanto a escola quanto a família têm papel fundamental no momento em que o estudante escolhe que carreira seguir. Para que tudo dê certo é preciso que os pais incentivem, sejam facilitadores, até mesmo visitando as faculdades e conversando com alunos que já entraram na universidade.

A orientadora vocacional e psicóloga Sandra Miriam Pereira Campos também defende a importância da opinião dos pais, mas salienta que isso seja feito com delicadeza, acolhendo as dúvidas e compreendendo que é natural o jovem mudar algumas vezes sua decisão, ou mesmo não ter ideia do que quer ser, sem criticá-lo. “Quando não é possível escolher sozinho, é recomendado que ele seja assistido através do processo de orientação vocacional”.

Ela explica que esse processo pode ser feito em 10 sessões, onde são usados recursos, conversas, pesquisas específicas, técnicas de reflexão, dramatização e perfil de personalidade para auxiliar o jovem a fazer sua escolha. “Não é um processo onde o profissional faz previsões e  projeções. O papel do profissional é oferecer recursos e técnicas e levar a reflexões. Costumo dizer que toda boa escolha precisa ter a sua assinatura pessoal”.

Sandra ainda destaca que a angústia por que passa o jovem na escolha da carreira vem, muitas vezes, das dúvidas se sua opção deve se basear nas matérias que gosta, da preocupação de passar no vestibular e depois não gostar do curso, de não conseguir ser bem sucedido e de ter que acertar na escolha. “O caminho não é uma decisão necessariamente para toda vida, isso tem um peso ruim, traz uma responsabilidade que aumenta a ansiedade em si. O meio para minimizar as possibilidades de erro é buscar o que deseja linkando à realidade do mundo profissional, das suas características e possibilidades”.

Para ela, escolher é pinçar nas possibilidades a opção que atende a critérios internos (personalidade, interesses, metas pessoais, gostos) e externos (mercado, atividades da profissão, remuneração, áreas de atuação). O exemplo da boa remuneração pode ser um critério prioritário para uma pessoa, mas pode não ser para outra. “A boa escolha, se é que se pode usar este termo, seria aquela que atenderia ao maior número de critérios de um indivíduo, incluindo sua lista de prioridades”.


“Não tenho dúvidas: fiz a escolha certa”
 
“No início da vida acadêmica, em 1997, escolhi o curso de Fisioterapia para prestar vestibular e, no ano seguinte, estudei na Faculdade Helena Antipoff (Pestalozzi, em Niterói), onde cursei até o 8° período. No ciclo básico gostava, mas ao longo do curso fui me desinteressando por algumas matérias, não conseguia mais me ver como uma profissional daquela área. Sentindo esse descontentamento, achei que precisava estagiar, pois ainda não havia praticado o ensino de sala de aula. Conciliei os horários de aulas e trabalho com o estágio, mas não me sentia realizada. Busquei outras carreiras, que acreditei combinarem mais com meu perfil. Na pesquisa, encontrei o curso de Gestão de Recursos Humanos. Logo que obtive informações sobre as áreas de atuação, dados sobre o curso e mercado de trabalho na época, me identifiquei. Tomei coragem e cancelei a Fisioterapia, mesmo faltando quatro matérias e estágios para concluir o curso. Fiz vestibular e iniciei em Gestão de RH no semestre seguinte. Fiquei realizada, segura e feliz com minha escolha desde as primeiras aulas. Hoje, atuo na área e não tenho a menor dúvida de que fiz a escolha certa!”

Por: Michaene Dos - [email protected]
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