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Novas tecnologias invadem as salas de aula


Smartphones, tablets, notebooks e outras tecnologias são, há algum tempo, aparelhos que os jovens usam para a própria diversão. Sabendo disso, muitos educadores já perceberam que os eletrônicos podem deixar de ser inimigos do processo educacional e passarem a ser grandes aliados do ensino.

O uso da tecnologia no mundo da educação vai, aos poucos, deixando de ser promessa para se tornar uma realidade nas instituições de ensino do país. Muitos professores já percebem que os eletrônicos são um eficiente meio de gerar interesse dos alunos com conteúdos interativos, imagens e vídeos.

O tema está presente, inclusive, em seminários e em debates. O 45º Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional, que aconteceu no fim de junho, no Forte do Leme, Rio de Janeiro, discutiu algumas questões fundamentais relativas à prática e à formação do professor para a utilização de tecnologias digitais na educação.

O tablet, um dos dispositivos móveis de comunicação a que a população passou a ter mais acesso nos últimos anos, pode ser um instrumento importante para o professor no processo educacional, como destaca Luiz Manoel Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Para ele, as tecnologias deixaram de ser agentes complicadores da educação para serem boas opções de ensino.

"Especificamente sobre os tablets, eles podem fazer com que os professores produzam suas próprias videoaulas, com um equipamento barato, que eles podem usar no dia a dia, sem nenhum grande recurso  tecnológico. É simplesmente saber utilizar a tecnologia. O educador pode se tornar produtor do seu próprio material didático, fazendo suas próprias videoaulas, e ser o distribuidor desse conteúdo para os seus alunos", aponta o professor, que foi um dos palestrantes do 45º Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional, no qual abordou o tema "Uso de dispositivos móveis para produção de objetos de aprendizagem."

O fato das tecnologias estarem inseridas no cotidiano de professores e estudantes faz com que a mudança na forma de dar aula seja cada vez mais natural. Isso não quer dizer que os profissionais de educação não precisem de especialização. Para Luiz Manoel Figueiredo, cursos de capacitação e palestras são boas maneiras de aprendizado desse novo momento da educação.
 
"A principal dificuldade é a questão dos materiais. Os alunos sabem utilizar os aparelhos porque faz parte do dia a dia deles, mas a tecnologia, sozinha, não trará alteração alguma na educação do indivíduo. O tablet, por si só, não vai adiantar muito. A maior questão é entender quais os softwares que podem ser utilizados, quais os aplicativos que trarão facilidades no processo educativo", explica.

 
Games e tablets para dinamizar o ensino

Segundo o professor da UFF, os educadores terão que analisar como o tablet poderá ser utilizado em sala de aula. Será o momento que eles verão que se tornarão autores. "A questão toda é: qual é o projeto? Quais os aplicativos que eu irei utilizar? Quais são os recursos que serão associados ao tablet? Quais os objetos didáticos que serão utilizados com o tablet e que serão usados na aula? Se não fizerem essa indagação, o uso do tablet e de tecnologia em sala de aula não terá impacto", destaca Luiz Manoel Figueiredo.

Outra estratégia que faz parte do dia a dia de adolescentes e jovens e que, segundo especialistas, pode tornar o ensino mais interessante para esse público é uso de games para trabalhar os conteúdos de diferentes disciplinas. A tenente Marcia Maximiano, professora de Informática da Fundação Osório e responsável pela palestra "Games: a importância na educação à distância", no 45º Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional, concorda que a inserção de objetos tecnológicos em sala de aula é um processo que não terá tantos empecilhos para se realizar. Para que isso ocorra, será necessária uma interação maior com os alunos.

"As crianças de hoje já vivem essa realidade em sala de aula. Os professores podem aprender com essas ferramentas que eles já estão usando, como celulares smartphones, tablets, para que eles possam  aprimorar o seu planejamento. Para isso, os professores terão que sentar, estudar e compreender esses equipamentos para poder inserir essas mídias no planejamento de aula deles".

As vantagens na utilização desses objetos em sala são inúmeras. Com eles, o professor pode substituir o conteúdo escrito no quadro negro por arquivos digitais, economizando um tempo precioso de aula, além de ser um atrativo para os estudantes. Jogos e exercícios também começam a serem utilizados, o que faz com que alunos se sintam mais motivados. Além disso, a economia de papel é um importante benefício trazido pela tecnologia.

Aos poucos, livros, que antes só eram disponibilizados na versão impressa, estão passando por um processo de digitalização. O uso dos chamados e-books (livros virtuais) faz com que o peso do material
escolar diminua consideravelmente, facilitando a vida dos alunos e professores. O Ministério da Educação (MEC), inclusive, anunciou recentemente o edital para livros didáticos das escolas públicas em 2015 no qual consta a inserção de obras multimídias.

O MEC também planeja que, até o fim de 2013, 600 mil tablets sejam distribuídos entre alunos e professores da rede pública. O crescimento da oferta de cursos de educação a distância e o fato dessa tecnologia estar se tornando mais acessível no país são outros indícios do novo momento que a educação está passando.
 
 

 
Novo mercado começa a aparecer

O crescimento da utilização das novas tecnologias no espaço escolar é visível não apenas pelo fato dos alunos usarem seus tablets e smartphones durante as aulas. Aos poucos, a configuração das salas também vai mudando para que os novos equipamentos sejam utilizados de maneira mais efetiva.

Lousas digitais, projetores de imagens em 3D, carteiras com tomadas para recarregar tablets e notebook, antenas Wi-Fi para possibilitar a conectividade com a rede mundial de computadores, entre outros equipamentos, são cada vez mais comuns dentro de escolas. Novas empresas já começam a produzir tecnologias para educação.

Um exemplo disso é a Habto. Trata-se de uma empresa de Engenharia que, desde 2009, produz equipamentos para educação interativa. A união dos conceitos ligados ao ensino e à tecnologia de ponta é vista pelos designers Eduardo Cronemberger, Gil Guigon e Diogo Lage, criadores da Habto, como o futuro da educação.

Em parceria com o professor Henrique Sobreira, do programa de pós- graduação em educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a empresa criou uma série de produtos que dinamizam e descentralizam a educação. O sistema Revoluti, por exemplo, é um dos principais produtos da Habto, já presente na Uerj, UFF, UFRJ, PUC-Rio e outras instituições de ensino.

O sistema é composto por cadeiras e mesas giratórias que podem ser organizadas em diferentes grupos e vêm equipadas com computadores. Segundo Eduardo Cronemberger, "as mesas têm uma estrutura interna de cabeamento, que permite que aparelhos sejam recarregados. Apesar da estrutura ser fixa no chão, a parte onde ficam os aparelhos é móvel, assim como a parte em que o aluno se senta, o que possibilita várias configurações diferentes dentro de sala de aula. O local de ensino pode ser arrumado de diversas formas."

Outro recurso criado para modernizar salas de aula, a Superfície Educacional Interativa (SEI) consiste em uma tela 3D, sensível ao toque, de 55 polegadas. Ela possui um sistema de ajuste de altura e inclinação, que possibilita utilizar o aparelho para exibição de filmes e projeções ou para trabalhos em grupo em cima de uma mesa interativa. Feita em parceria com o Centro de Automação e Simulação do  Senai-RJ, ela também pode ser utilizada para realizar videoconferências, uma vez que vem equipada com uma câmera e possui acesso à internet.

Alguns problemas acontecem na hora de iniciar um projeto de reestruturação de sala de aula. O primeiro, segundo Eduardo, é a infraestrutura. As instalações precisam ser refeitas em vários casos. Outro problema é a resistência por parte de alguns professores, fato que vem acontecendo cada vez menos.

"A geração atual de professores é bastante ligada às tecnologias. Os professores mais tradicionais também já começam a acreditar mais nesse novo momento. Eles já percebem que as tecnologias não vieram para substituir as aulas deles, ou para tirar o emprego desses profissionais. Elas vieram para agregar, facilitar a vida dos alunos e dos educadores."

O custo para montar uma sala de aula que comporte os novos equipamentos também assusta muitos administradores de instituições de ensino. O resultado final, no entanto, vale o investimento. É o garante o designer carioca, que acredita que o uso das novas tecnologias nas escolas já é uma realidade.

"Está bastante aceita e difundida a utilização de tecnologia dentro de sala de aula. A maneira como isso deve acontecer é que ainda gera discussão. Existem tecnologias que são sub-utilizadas. Se começarem a somar os diferenciais de infraestrutura, o valor agregado, as possibilidades de ensino que serão abertas, o preço se torna viável", destacou Eduardo Cronemberger.

Por: Simone Cristina - [email protected]
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