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O futuro da UFF em votação


A partir desta terça-feira, dia 8, professores, servidores e alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) começam a decidir os rumos da instituição para os próximos quatro anos. No processo de consulta à comunidade acadêmica, que ocorre até esta quinta-feira, dia 10, os eleitores decidirão não só os novos ocupantes dos cargos de reitor e vice-reitor, mas, sobretudo, a diretriz de gestão até o ano de 2018.

Na chapa 1, intitulada “Integrar para Transformar”, concorrem Francisco de Assis Palharini, ao cargo de reitor, e Fabio Barboza Passos, a vice-reitor. Eles pregam uma linha de gestão marcada, entre outros aspectos, pela descentralização administrativa e ampliação dos investimentos na área acadêmica.

Encabeçada pelo professor Sidney Mello, ao lado de Antonio Claudio Rodrigues, a chapa 2, chamada “UFF Mais”, traz uma proposta de continuidade da atual gestão. Sidney, inclusive, foi eleito vice do atual reitor, Roberto Salles, e, portanto, fez parte da administração nos últimos quatro anos. No programa dos candidatos, a diretriz principal é a de ampliar o processo de expansão pelo qual a UFF passou, principalmente a partir de 2008.

Seja qual for a chapa vencedora, certamente ela terá o desafio de lidar com uma série de demandas que, apesar do processo de expansão dos últimos anos, ainda existem na universidade. Entre os anseios da comunidade está a oferta de mais bolsas para estudantes, como lembra Caroline Carvalho, aluna do 3º período de Pedagogia. Para ela, é importante aumentar não só a quantidade, mas o valor pago. “Apesar de a UFF ser uma universidade pública, é caro para o aluno se manter. É preciso gastar com xérox, com alimentação, entre outras coisas. E, para muitos, a bolsa é fundamental para eles se manterem”, disse a estudante, de 19 anos.

Carolina entrou pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), criado em 2009 pelo MEC e que, a partir da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), seleciona calouros de todo o país para ocupar vagas em instituições federais. A chamada principal ocorre em janeiro, mas, na medida em que vagas ficam ociosas, as convocações se estendem pelos outros meses. Esta é uma questão que precisaria ser revista, na opinião do funcionário técnico administrativo Jeová de Souza.

“Tem aluno chegando e entrando com quase dois meses de aula. Há casos em que houve 8ª reclassificação. É um problema sério. Os alunos acabam prejudicados”, diz Jeová, que pede também maior atenção ao Hospital Universitário que, recentemente, chegou a ter o setor de emergência fechado. “A Emergência do Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap) atende não só a comunidade de Niterói, mas a várias cidades próximas. Não se fecha um hospital universitário, que é feito para se aplicar o conhecimento”, defendeu.

Quem também acha que o próximo reitor precisará estar atento às condições de funcionamento do Hospital Antonio Pedro é o médico Anibal Dragão. Ele considera importante o processo de expansão pelo qual tem passado a UFF, mas chama a atenção para as deficiências do quadro funcional do Huap. “Quem vencer esta eleição precisa investir em pessoal. Estamos carentes de recursos humanos, ou seja, médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, Anestesistas, todo tipo de profissionais”, destaca o médico, que é chefe da Emergência do Huap.

Desde 1987 como funcionário da UFF, o técnico-administrativo Wellington de Oliveira Teixeira, 52 anos, espera que as unidades tenham maior autonomia, a partir da próxima gestão. “Seria válido investir na descentralização administrativa. É importante analisar a questão da redistribuição das verbas e dar autonomia às unidades, a partir das decisões dos departamentos e coordenações”, defende Wellington.

Nos últimos anos, principalmente por conta do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o ReUni, a UFF criou campus em várias cidades do Rio, o que fez dela a mais interiorizada do país. Professor de um destes campi, o de Santo Antonio de Pádua, Tibério Borges Vale acredita que a próxima gestão deve assumir o compromisso de melhorar as condições de funcionamento dos cursos no interior.

“É preciso ter mais infraestrutura, com prédios, novos laboratórios e recursos didáticos para os cursos. No campus de Santo Antônio de Pádua, por exemplo, temos, assim como todos do interior, algumas deficiências, resultantes ainda do processo de interiorização, que sabemos ser de difícil implementação ao longo do tempo”, aponta Tibério Borges Vale, professor de Ciências Exatas, Biológicas e da Terra.

Quem também espera por mais investimentos, desta vez nas bibliotecas, é a bibliotecária Joanilda Maria dos Santos. Para ela, além das demandas estruturais, seria importante capacitação para os profissionais utilizarem a tecnologia. “Nestes três anos em que estou aqui, observei que não houve uma preparação da universidade para a chegada dos novos servidores. Não houve uma preparação para as pessoas que já estavam na UFF. Chegamos dotados de conhecimentos novos, dominando novas tecnologias, novas linguagens de comunicação e encontramos funcionários com mais de 30 anos de universidade, totalmente alheios a estas inovações”, relata a bibliotecária, ressaltando que isto já gerou, até mesmo, situações de assédio moral.

 


Saiba como será a eleição para reitor da UFF

Podem votar, na eleição para reitor e vice-reitor, os professores e técnicos-administrativos do quadro permanente da UFF, além dos estudantes dos cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado, dos que fazem Residência, e dos matriculados em cursos gratuitos, presenciais ou a distância. No caso dos estudantes, todos devem estar inscritos em disciplinas no período durante a eleição.

Apesar de se configurar em um processo eleitoral, a consulta à comunidade acadêmica, por si só, não define o reitor. Essa decisão cabe ao MEC. Após a contagem dos votos, o resultado é enviado ao Ministério e é o ministro quem define se nomeará ou não o mais votado. Nas últimas eleições, o MEC tem confirmado o vencedor da consulta para o cargo.

Nenhum eleitor terá direito a mais de um voto, mesmo que tenha duas matrículas, seja como servidor (docente ou técnico-administrativo) ou como estudante. Nestes casos, o eleitor precisou comunicar qual matrícula usaria para a votação. Quem não prestou esta informação votará com a mais antiga.

A UFF divulgou, em seu site, uma relação completa dos locais e horários de votação. Vários não funcionam todos os dias. Cada local terá uma mesa receptora de votos, que terá um presidente, um vice-presidente, um secretário, todos do quadro permanente, e dois mesários. Não será permitida propaganda ou boca de urna nos locais.

Para votar, os docentes e técnicos administrativos terão de apresentar um dos seguintes documentos de identificação: cartão de identidade funcional ou documento de identidade oficial original com foto. No caso dos estudantes, será exigida a carteira de estudante emitida pela UFF ou documento de identidade oficial original com foto. A eleição vai até esta quinta, dia 10, e a expectativa é de que o resultado seja divulgado ainda nesta semana.

Veja, na página 2, os principais pontos discutidos no último debate entre os candidatos a reitor antes da eleição para reitor da UFF

 


Chapas concorrentes

Chapa 1
Reitor - Francisco de Assis Palharini
Professor associado IV do Departamento de Psicologia da UFF. Doutorado em Educação pela UFF, mestrado em Psicologia Social pela FGV-RJ, especialização em Gestão Universitária - Organização Universitária Interamericana - IGLU-Crub, Especialização em Ergonomia pela FGV-RJ e graduado em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto. Foi chefe do Departamento de Psicologia da UFF, diretor do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, diretor do Serviço de Psicologia Aplicada, coordenador da Comissão de Avaliação Institucional, membro da Comissão relatora do Projeto Pedagógico Institucional e do Plano de Desenvolvimento Institucional da UFF. Atua na área de Psicologia do Trabalho e Educação Superior, com ênfase na Psicologia Organizacional e Avaliação de Sistemas, Instituições, Planos e Programas Educacionais.

Vice-reitor: Fabio Barboza Passos
É professor titular e chefe do Departamento de Engenharia Química e de Petróleo da UFF. Possui Graduação em Engenharia Química (1987), mestrado em Engenharia Química (1990), e doutorado em Engenharia Química (1994) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi pró-reitor de Extensão da UFF no período de 2008 a março de 2012. É pesquisador ID no CNPq. Atua na área de Catálise Heterogênea e Engenharia das Reações Químicas, com ênfase no desenvolvimento de catalisadores e processos compatíveis com o desenvolvimento sustentável. São temas de seu estudo a conversão de gás natural, a produção e purificação do hidrogênio, a produção de nanotubos de carbono e processos de refino de petróleo e petroquímicos e remediação de águas contaminadas.


Chapa 2
Reitor - Sidney Mello

É geólogo, com mestrado na UFRJ/Universidade de Columbia, Nova York, EUA, e doutorado em geofísica marinha na Universidade de Leeds, Inglaterra. Possui uma liderança reconhecida em sua área de conhecimento em nível nacional e internacional, sendo membro ativo do comitê executivo da CAPES para a pesquisa a partir da perfuração dos oceanos. Foi chefe do Departamento de Geologia e diretor do Instituto de Geociências da UFF, foi pró-reitor de graduação, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação e atualmente é vice-reitor.

Vice- Reitor: Antonio Claudio Nóbrega
É médico formado pela UFF, especialista em Medicina do Exercício e do Esporte e em Cardiologia, com mestrado e doutorado no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ e na Universidade do Texas em Dallas, EUA. É uma referência acadêmica na área de fisiologia do exercício, é bolsista 1B do CNPq, além de Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, onde também é um dos coordenadores da área da saúde. Foi chefe do Departamento de Fisiologia e Farmacologia do Instituto Biomédico, coordenador da pós-graduação em ciências cardiovasculares e pró-reitor de pesquisa, pós-graduação e inovação.

Por: Diego Da - [email protected]
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