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Oportunidade para brincar, se divertir e aprender


As escolas estão em período de férias e, nesta época, o que os alunos mais querem é diversão e descansar depois de meses de dedicação aos estudos. No entanto, em muitos casos, as férias são apenas para os estudantes. E os pais, que precisam trabalhar, não conseguem ter tempo livre suficiente para aproveitar junto com seus filhos, que acabam ficando sozinhos ou sob a responsabilidade de outros adultos.

A pausa na rotina escolar, contudo, não significa que seja preciso deixar de frequentar a escola. Muitas delas oferecem colônias de férias, que podem ser uma ótima opção para as crianças brincarem, conhecerem novos amigos, participarem de uma série de atividades e, por que não, também aprender. E, para a tranquilidade dos pais, tudo com a supervisão de educadores e profissionais especializados em desenvolvimento infantil, preparados para promover um ambiente acolhedor e receptivo. No J.R. Colégio, localizado em Vargem Pequena, Zona Oeste da cidade do Rio, foi elaborada uma programação voltada para crianças entre 2 e 10 anos, em um espaço projetado com piscina, parquinho e quadra de esportes.

Através de atividades musicais, brincadeiras, dinâmicas de grupo, oficinas de corpo e movimento, contação de histórias, teatro, artes, jogos na quadra e atividades recreativas na piscina, a colônia de férias do J.R. se propõe a oferecer diversão, como explicou Carla Avelar, diretora do colégio e responsável pela organização da colônia. "A ordem aqui é ser criança. Hoje em dia, ficam muito presas ao videogame e ao computador. Queremos que brinquem, corram, pulem, pintem, se sujem de tinta, etc. A hora de ser criança é essa. Tudo será feito bem solto, mas com planejamento adequado para cada atividade", contou.

Esta é a primeira vez que o J.R. abre sua colônia para crianças que não estudam na escola. A vantagem, de acordo com Carla Avelar, é a oportunidade de socialização e a criação de novos laços de amizade entre os pequenos. Além disso, a diretora acredita que os alunos podem voltar mais leves e dispostos para o recomeço das aulas. "Todos precisam de férias. Toda essa diversão pode ser útil para eles voltarem com mais gás no início do ano letivo", disse, lembrando que os participantes contarão com a orientação de uma nutricionista, que criará um cardápio diferenciado e saudável. O objetivo é proporcionar uma espécie de educação alimentar.


Trilhas e passeios ecológicos estimulam consciência ambiental

As atividades, entretanto, não precisam ser apenas dentro da escola. Na colônia de férias do Centro Educacional Miraflores, unidade Laranjeiras, a diversão ultrapassará os muros da instituição. Além da programação que será praticada em uma área livre de 2.000 metros quadrados, também estão no roteiro passeios ao Parque Lage, Jardim Botânico, Quinta da Boa Vista, recreação nas praias, visitas aos museus do Telefone e do Exército, entre outras atividades.

Como a colônia receberá crianças entre 2 e 10 anos, foram definidos grupos, de acordo com a idade, para adequar as atividades a cada faixa etária. Os mais novos, de 2 a 4 anos, que farão parte do grupo Miraférias kids, participarão de atividades culturais, artísticas e ecológicas como ginástica olímpica, cinema interno e jogos de mesa. Também terão uma nutricionista orientando as crianças a se alimentarem. Já as ações para a Miraférias Adventure, voltada para crianças de 5 a 7 anos e de 8 até 10 anos, correspondem à energia própria da idade, com surf na piscina, polo aquático, oficina de reciclagem e desenho, além de técnicas de dramatização.

As atividades não terão foco na pedagógico, mas isso não significa que as brincadeiras com os pequenos não trarão aprendizados. Nos passeios ecológicos e demais ações de conscientização ambiental, por exemplo, eles aprenderão a importância de cuidar da natureza. "O principal é o divertimento, através de atividades lúdicas. O aprendizado se dá de forma natural. É algo que já faz parte do que programamos para as crianças. Trabalhamos questões como disciplina e respeito. Além disso, é uma ótima oportunidade de socialização, pois conhecerão novos amigos", garantiu Edson Floriano, professor de educação física e coordenador da colônia de férias do Miraflores que, segundo ele, já existe há aproximadamente 20 anos.


Em Niterói, programa Férias Nota 10 chega a sua 26ª edição

A Secretaria Municipal de Educação e a Fundação Municipal de Educação de Niterói (SME/FME) também promoverão sua colônia, através da 26ª edição do programa "Férias Nota 10", para estudantes da rede. A ideia é que o evento vá além do conteúdo ministrado em sala de aula e que os alunos pratiquem atividades de lazer e esporte durante o período de recesso escolar.

Entre as ações oferecidas, as crianças e os adolescentes, matriculados em turmas da educação infantil e ensino fundamental, poderão participar de oficinas temáticas, apresentações de teatro e música, atividades circenses, além de sessões de judô, capoeira, contação de histórias e balé.

De acordo com a secretária municipal de Educação de Niterói, Maria Inês Azevedo de Oliveira, o programa foi criado para promover uma maior proximidade do aluno com a escola. Nessa época, até o uniforme ganha novas cores e modelos de estampa, tudo para que o dia a dia se transforme. "É importante para a cidade, porque traz outra referência para a escola. Muitos não têm opções de programas diferentes durante as férias, já que os pais estão trabalhando, não conseguem arcar com opções de lazer ou por outros motivos. Queremos oportunizar o acesso a um conjunto de atividades diversificadas", falou.


Especialista sugere colônias em que educadores orientem atividades

Apesar de todas as vantagens de uma colônia, é muito importante que os responsáveis tenham atenção na hora de escolher onde deixar seus filhos. Afinal de contas, é lá que eles passarão boa parte de suas férias. Questões como segurança do local, profissionais qualificados, faixa etária do grupo que a criança está inserida e programação direcionada para a idade, são os principais pontos que devem ser levados em consideração, de acordo com especialistas.

Na opinião da orientadora educacional Mônica Irene Ramos, eleita presidente da Associação Fluminense de Orientadores Educacionais até 2014, as colônias contribuem para o desenvolvimento educacional do aluno e para a formação do ser humano, pois algumas atividades estimulam pedagogicamente a criança, além da coordenação motora e do equilíbrio. "Toda atividade lúdica proporciona aprendizagem, crescimento, amadurecimento e, quando orientada por profissionais, seus benefícios são maiores. Além disso, a socialização e integração da criança com as outras proporcionam novas amizades e trocas de experiencias e valores", afirmou, ressaltando que os pais devem procurar colônias cuja programação seja orientada por pedagogos ou professores de educação
física. "Perder oportunidades de aprender a conviver, respeitar diferenças, fazer novas amizades e se divertir aprendendo algo de novo é um desperdício de tempo e de dinheiro", alertou.

Mesmo que o foco das brincadeiras não seja especificamente o aprendizado, Mônica afirmou que toda atividade, principalmente quando se trata de crianças, têm um fundo pedagógico e envolvem algum tipo de lição, pois as crianças são seres em crescimento físico, social, moral e psicológico. "As pessoas entendem que pedagógico quer dizer conteúdos de conhecimento escolar, e não é isso. Ao terminar, por exemplo, a brincadeira do 'coelhinho na toca', deve-se sentar com elas em uma roda e discutir o que aprenderam: limites, saber esperar o outro, pular, correr, gritar, calar, parar para ouvir a ordem dada, saber perder e ganhar. Tudo isso é pedagogia", comentou.

Para a orientadora, os pais devem encarar a colônia de férias como um investimento e não como um meio de livrar-se dos filhos. Contudo, mesmo com a oportunidade de interagir com outras crianças em brincadeiras em um local fora da rotina diária, Mônica acredita que nada se compara a companhia dos pais, caso eles tenham tempo. "Por melhor que seja a colônia, a presença dos pais é sempre insubstituível, pois, além de estreitar laços de convívio, faz com que pais e mães relaxem voltando a brincar como crianças e a participarem ativamente de uma idade dos filhos que nunca mais voltará", falou.

Por: Renata - [email protected]
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