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Rio+20: Coppe/UFRJ anuncia programação especial


O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mais conhecido como Coppe/UFRJ e considerado a maior instituição brasileira de ensino e pesquisa em Engenharia, divulgou sua programação especial de eventos paralelos que promoverá entre os dias 13 e 24 de junho, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

As ações compreendem uma série de conferências e debates, que acontecerão na sede da instituição, na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, e uma exposição multimídia, que será realizada no Parque dos Atletas, no Riocentro, pró-ximo ao local onde acontecerá a reunião dos chefes de Es-tado durante a Rio+20. Na pau-ta da Coppe/UFRJ, temas co-mo clima, energia, oceanos, cidades sustentáveis e erradicação da pobreza — pontos centrais na agenda da Conferência das Nações Unidas.

Dentre personalidades do pensamento acadêmico, econômico e político e ambientalistas e formadores de opinião convidados, está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje doutor honoris causa da UFRJ, que fará uma conferência no dia 14 de junho. Também estão confirmadas a presença da ex-senadora Marina Silva, referência no debate sobre questões ambientais, e a do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, que participará da abertura do encontro.

No dia 18, haverá uma conferência com um especialista de expressão internacional, o economista Ignacy Sachs, professor titular da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris, considerado o precursor do conceito de ecodesenvolvimento, baseado na convergência entre eco-nomia, ecologia, antropologia cultural e ciência política.
Um dos pontos altos do evento acontecerá no dia 19, quando a Coppe/UFRJ realizará, em parceria com a Universidade de Tsinghua, o evento “China-Brasil: os grandes desa-fios”, com a presença de representantes dos governos brasileiro e chinês.

De modo paralelo aos debates, entre os dias 13 e 24, será realizada a exposição “O futuro sustentável – Tecnologia e inovação para uma economia verde e a erradicação da pobreza”. A Coppe/UFRJ será o único centro de ensino e pesquisa presente no Parque dos Atletas e contará com o apoio de instituições parceiras para apresentar 12 projetos tecnológicos inovadores, em uma instalação interativa, que ocupará 240 metros quadrados.

No elenco de tecnologias e soluções desenvolvidas nos laboratórios da Coppe/UFRJ destacam-se alternativas para a mobilidade nas grandes cidades; produção de energia a partir das ondas do mar; reaproveitamento de resíduos agrícolas, industriais e urbanos para produção de biocombustíveis e biomateriais; construções sustentáveis; e metodologias para a inclusão social de parcelas da população historicamente excluídas.

O evento “O futuro sustentável – Tecnologia e inovação para uma economia verde e a erradicação da pobreza” é fruto de parceria da Coppe/UFRJ com as empresas Tractebel Energia S.A., Furnas Centrais Elétricas/Eletrobras, Santander, GE, Braskem, BG Brasil e Halliburton. Sua programação completa está disponível na FOLHA DIRIGIDA ONLINE.

Serviço

www.coppenario20.coppe.ufrj.br


Notas


Agenda total - Foi lançado nesta semana o portal “Agenda Total”, elaborado pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (Unic Rio) e pelo Comitê Nacional Organizador da Rio+20. A ferramenta oferece agenda de eventos, notícias, fóruns, chat, enquetes, postagem de documentos, vídeos, fotos em alta resolução, videoconferências e reuniões online, tudo integrado às redes sociais.
O objetivo é promover a troca de informações e a colaboração entre os diversos atores sociais envolvidos na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.  Na plataforma constam as agendas oficial da Rio+20, paralela oficial e da Cúpula dos Povos. E todo o conteúdo classificado como público pelos organizadores estará disponível a partir de 8 de junho. O endereço é: www.agendatotal.org.

- Mudanças climáticas - O cientista Kenneth Anthony, coordenador de pesquisas no Australian Institute of Marine Science, ministrará, no próximo dia 24, a palestra gratuita “Respostas dos Recifes de Coral às Mudanças Climáticas e Acidificação dos Oceanos”. Promovido pelo Programa de Pós-graduação em Zoologia do Museu Nacional (UFRJ) e pelo Projeto Coral Vivo, o evento será realizado a partir das 14h, no Museu Nacional, que fica na Quinta da Boa Vista.  Um dos pontos principais da palestra será a discussão da ameaça que as emissões de carbono representam para os recifes de coral, causando o aquecimento global e a acidificação dos oceanos. Os impactos das mudanças climáticas e suas implicações nos oceanos são citados no documento Rascunho Zero, sob o qual os diplomatas se baseiam para elaborar os acordos da Rio+20. Informações: www.coralvivo.org.br.

- Publicações - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) elaborou uma cartilha ilustrada “O Futuro que queremos” que aborda os temas “Economia verde, desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza” — os três pilares da Rio+20. O objetivo é apresentar de forma lúdica e interessante para estudantes, o conteúdo das principais discussões que serão travadas pelos chefes de Estado. O material é também uma ferramenta para os professores abordarem as questões de sustentabilidade em sala de aula. Outra dica de leitura sobre a Rio+20 é o livro “Nós somos os senhores do clima”, um clássico clássico de Tim Flannery sobre as mudanças climáticas, que ganhou nova edição, para jovens. Com uma visão menos fatalista do futuro, Tim Flannery explica termos como efeito estufa, emissões de CO2, eras do gelo e manchas solares. Informações: www.record.com.br.


Pinguelli: a humanidade precisa de novos sonhos


Diretor da Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Luiz Pinguelli Rosa é um dos nomes mais concorridos nas discussões sobre energia do país. Às vésperas da Rio+20, o físico organiza uma agenda de debates e exposições. As ações da Coppe/UFRJ voltadas para a Conferência das Nações Unidades têm como foco a divulgação científica e prometem despertar o interesse de estudantes e professores. Um gerador de energia elétrica que usa as ondas do mar; um ônibus a hidrogênio e um trem de levitação são apenas alguns dos experimentos que estarão em exposição em eventos paralelos à Rio+20. Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, o diretor da Coppe/UFRJ apontou a necessidade de mudança nos padrões de produção e consumo da sociedade e criticou o ensino de Ciências nas escolas.

FOLHA DIRIGIDA - Qual a importância da Rio+20 para o mundo, para o Brasil e para o Rio de Janeiro?
Luiz Pinguelli Rosa - Para o mundo, a Rio+20 é um momento de reflexão, de busca de soluções para problemas que afetam toda a humanidade, desde a pobreza, a desigualdade extrema, até formas de desenvolver, de maneira menos agressiva, o meio ambiente e de enfrentar questões como a mudança do clima e a redução da biodiversidade, que poderão afetar o futuro da humanidade. Para o Brasil, tudo isso é importante, em particular porque o Brasil tem a grande Floresta Ama-zônica, que desperta a atenção do mundo inteiro e que deve ser pre-servada. E, finalmente, é importante para o Rio de Janeiro que tem a honra de sediar essa conferência que comemora os 20 anos da conferência de 92.

Qual foi a importância dessa conferência à época?
A Rio 92 foi importante pois colocou para o mundo várias questões, como a mudança do clima. A partir desse momento, criou-se uma convenção da ONU  que se desdobrou no Protocolo de Kyoto. 

A Coppe/UFRJ desenvolve uma série de tecnologias de energias limpas. As vantagens ambientais destas energias não poderiam provocar um desequilíbrio no aspecto social e econômico, uma vez que existe uma cadeia produtiva em torno do petróleo?
Não. Dentro de algumas décadas, a utilização do petróleo terá cada vez mais limites, ficará mais caro, porque será preciso retirá-lo em situações cada vez mais desfavoráveis. Outras formas de energia progressivamente passarão a ser adotadas, como, no passado, boa parte do carvão foi substituída pelo petróleo. O problema para adoção destas novas energias é de ordem política: são os interesses de grandes grupos econômicos.

Especialistas argumentam que uma cadeia de produtos supérfluos formou-se em torno dos derivados do petróleo. Daí a dificuldades em abrir mão do seu uso....

A cadeia de supérfluos não está apenas nos derivados do petróleo. Por exemplo, há esses IPad, IPod, IPhone; tudo isso é supérfluo. Gasta-se muita energia elétrica ligando-se praticamente de forma permanente esses aparelhos. As pessoas usam regularmente uma porção de coisas que poderiam ser dispensadas. Toda a economia gira em torno do supérfluo. O capitalismo é perdulário, quer vender ca-da vez mais coisas, convencer as pessoas pela propaganda a comprar objetos inúteis. Há uma sociedade de desperdício. A felicidade é medida pelo número de objetos que o indivíduo possui. Daí, as pessoas precisarem ter sempre, e cada vez mais, objetos.

Como reverter ou, pelo menos, retardar esse processo?
Precisamos descobrir alternativas. Mas as mudanças devem ser para todos. Inicialmente, é preciso melhorar a desigualdade social. Em seguida, os padrões de vida precisam se adaptar às possibilidades que a natureza oferece. Não acredito que chefes de Estado e líderes de Governo resolverão nada. É preciso que a sociedade se organize para pressioná-los, e que haja organizações políticas que deem prioridade a essas questões. Esse é o grande problema. Vivemos todos a época da esperança, do socialismo que viria resolver muitos problemas da humanidade. Isso não aconteceu. Hoje ainda há este sonho, restrito a alguns lugares do mundo, mas há também muitos problemas não resolvidos. É preciso ter novos sonhos. A sociedade só vai ter soluções se primeiramente imaginá-las e ganhar a adesão de muitos. E então os políticos serão forçados a seguir nessa direção.

Didaticamente, o que significa a expressão “desenvolvimento sustentável”?
A primeira questão que se colocou, na década de 70, foi um estudo encomendado por um grupo de países ricos, o chamado Grupo de Roma, que patrocinou um trabalho feito pelo MIT, que ganhou o apelido de “crescimento zero”. De fato, não era bem um crescimento zero, mas a ideia de que o mundo não comportaria os padrões de consumo que os ricos já adotavam. O medo era que os países pobres iriam ser tolhidos do desenvolvimento para que os mais ricos mantivessem seu padrão de consumo. Houve uma resposta, feita pelos argentinos, o Grupo de Bariloche, que criou o modelo Bariloche. O nome do projeto deles foi: “Um outro futuro é possível”. Neste novo modelo, os padrões de consumo seriam adaptados ao limites da natureza e às necessidades das pessoas, mas de todas as pessoas, não só dos países ricos. E finalmente, hoje, existe a ideia que veio de uma conferência  das Nações Unidas, ocorrida na Suécia, que deu origem ao Relatório Brundtland — no qual foi cunhada essa expressão do desenvolvimento sustentável,  um modelo mais viável, mais justo, reunindo os aspectos econômico, social e ambiental.

De que forma o senhor analisa o tratamento dado às disciplinas relacionadas à Ciência, como Matemática, Física, Química, Geografia e Biologia, nas escolas do Brasil?
É muito ruim esse ensino da Ciência nos ensinos fundamental e médio. Acho que Brasil relaxa e tem pago um preço alto por isso. É notável a velocidade do desenvolvimento da China, da Coreia do Sul e, em certos aspectos, da Índia. E o Brasil continua produzindo soja e minério de ferro para exportar. E esse modelo gera um nível de emprego e de remuneração muito baixo para a nossa população. Acho que a educação deixa muito a desejar nestas áreas citadas. A Ciência não é levada a sério no Brasil.

Por: Tainara Silva - [email protected]
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