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Rio+20: o legado pedagógico da conferência


Professora da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro há 22 anos, Deise Keller participou da Rio 92, a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, como uma das milhares de professoras que levaram seus alunos para conhecerem um universo novo, repleto de informações sobre o meio ambiente.

O interesse pelas questões ambientais cresceu e, 20 anos mais tarde, Deise Keller é a coordenadora de Educação Ambiental da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro e integra o Comitê de Apoio e o Comitê Executivo da Casa Civil do Governo Estadual para a Rio +20, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável.

Ao longo desse período, observa a educadora, a preocupação da sociedade com relação aos desafios da sustentabilidade cresceu, bem como o espaço para essa temática nas escolas. Segundo a coordenadora de Educação Ambiental da rede estadual, tanto a legislação quanto o interesse de professores e alunos sobre a Educação Ambiental cresceram, e muito, após a Rio 92.

Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, Deise Keller explica quais são as perspectivas pedagógicas que se apresentam para professores e alunos a partir da Rio+20 e de que forma toda essa intensa movimentação, que reúne representantes de 193 países, pode gerar frutos nas salas de aula, enriquecendo a formação dos estudantes do Rio de Janeiro.


Folha Dirigida - Que balanço a senhora faz ao tratamento dado no Brasil às questões ambientais após a realização da Rio 92?
Deise Keller - Participei da Rio 92 como professora. Naquele momento, não tínhamos ainda uma legislação que definisse o que era educação ambiental e qual o seu papel na educação. Após a Rio 92, tivemos os nossos marcos legais, com a criação de uma política nacional de educação ambiental. E nesse, mesmo ano, foi instituída a política estadual de educação ambiental.

E quando surgiu a Coordenação de Educação Ambiental na rede estadual de ensino?

Em 2008, a Secretaria de Educação, em consonância com os marcos legais, institucionalizou a educação ambiental. Temos, hoje, uma Coordenação Estadual de Educação Ambiental, com uma ação curricular em toda a rede. Promovemos políticas para que as escolas tenham como ação pedagógica, em seu projeto político-pedagógico, essa temática ambiental. A preparação para a Rio +20 começou no ano passado, com as discussões dos grandes temas da Conferência.

Quais são as perspectivas pedagógicas que se apresentam para escolas com a Rio+20?

Queremos provocar a discussão e a reflexão nos territórios. Trata-se de uma grande conferência mundial, de grandes líderes. Embora o evento aconteça na cidade do Rio, as escolas de Porciúncula, Varre-Sai ou de Cardoso Moreira, por exemplo, podem estar discutindo os documentos que constam no CD que enviamos, no seu âmbito regional. Nosso papel é trabalhar para que a sociedade como um todo discuta os grandes temas do encontro, independentemente de estar no Rio ou não.

Qual é o conteúdo dos CDs enviados pela Secretaria de Educação às unidades de ensino?

O CD contém documentos publicados pelo MEC e MMA. São propostas das quais o Rio é signatário: políticas públicas de caráter ambiental. Na aula de Química, é possível falar sobre a mudança climática; na aula de Artes, é possível observar o que cada cidadão, em cada período da História, apresentava em seu ambiente social, assinalando a forma como o meio ambiente aparece nas obras de arte. A educação ambiental perpassa todos os conteúdos; nossa proposta é que ela seja uma atividade dialógica.

E de que forma a Secretaria de Educação vai participar do evento?

Vamos expor as práticas de educação ambiental, que já são desenvolvidas em nossas unidades. E também faremos ações específicas em comunidades onde há Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Esse calendário de atividades ainda está em construção. No entanto, adianto que o compromisso da Secretaria com o aluno da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro é o mesmo com o aluno de Campos. Vamos tentar oportunizar para que todos, mesmo no seu território, discutam, reflitam e proponham para os conselhos municipais, em suas prefeituras, os grandes temas da Rio+20. E vamos oferecer transporte e alimentação para que alunos e professores de cada região possam vir ao encontro. É claro que não podemos trazer todos, pois atendemos mais de um milhão de alunos. Porém, queremos uma representatividade de todo o Estado na Rio+20.

Na sua avaliação, qual será o legado desta conferência à formação dos estudantes?

Fizemos um CD com toda a discussão fundamentada. E a proposta é que façamos um outro CD, pós-conferência, com um balanço, até mesmo como forma de prestar contas à sociedade a respeito da participação do Governo Estado na Rio+20. Faremos uma análise do encontro, verificando a nossa participação e indicando os pontos em que podemos ir além, em termos de políticas públicas.

Qual tem sido a receptividade dos alunos às discussões e ações sobre sustentabilidade nas escolas da rede?
Tenho a alegria, na Secretaria de Educação, de coordenar dois temas importantes em nossa sociedade: a educação ambiental e o programa Saúde na Escola. A saúde é um tema urgente e emergente que passa pela qualidade do ambiente. Independentemente de a Secretaria de Educação colocar esses temas como norma, a escola já faz esses debates. A escola é um espelho da sociedade. Se ela colocou esse tema para si é porque a sociedade está atenta a estas demandas. Por outro lado, esse é um universo onde ainda há muitos problemas e desafios a serem superados. Porém, as coisas só mudam se o Homem mudar e esse Homem somos nós, que estamos habitando, hoje, o planeta Terra.
 

Por: Tainara Silva - [email protected]
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