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Rio+20: Produção e consumo sustentáveis em pauta


Uma declaração que aponte novos rumos e práticas de desenvolvimento sustentável, como erradicação da pobreza, segurança alimentar e energética, assinalando obrigações de produção e consumo sustentáveis para todos os países. Esse é resultado que a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, pretende colher ao final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece entre os dias 13 e 22 de junho, no Rio de Janeiro. 

No último dia 10, Izabella Teixeira esteve no Rio, participando do  evento Sustentável 2012, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) no Jardim Botânico do Rio. E na ocasião, defendeu um acordo multilateral entre os 193 países membros da Organização das Nações Unidades (ONU). “Seria excepcional se tivéssemos obrigações de produção e consumo sustentáveis para todos os países, obrigações para os países desenvolvidos, porque os padrões de desenvolvimento deles não podem ser replicados para todo o planeta”, assinalou.

Durante o encontro, que reuniu representantes do setor corporativo e de organizações não-governamentais, a titular da pasta do Meio Ambiente destacou a importância da adoção de padrões de consumo e produção sustentáveis, que sejam viáveis economicamente e que promovam a inclusão social.  “Temos alguns indicadores para aferir o desenvolvimento sustentável como o uso eficiente de água, a segurança hídrica, além da produção sustentável de alimentos, com maior eficiência, menor intensidade sobre o uso de recursos naturais e menor uso de agrotóxicos. Outros aspectos relevantes são a mobilidade urbana, o uso eficiente de e-nergia e redução das emissões de carbono”, explicou a ministra.

Investimento em tecnologia sustentável é uma das saídas
- Para implementar mudanças tão profundas, acrescentou Izabella Teixeira, os países devem ser ousados, especialmente no que diz respeito aos investimentos em tecnologias sustentáveis. “Na geopolítica do desenvolvimento, vai ganhar quem tiver ousadia para a inovação. O momento é de ‘ruptura e transição’ e o Brasil é o país com maior vantagem competitiva a longo prazo nesse aspecto”, afirmou.

Sob esse prisma, uma das preocupações do Ministério do Meio Ambiente é com os desdobramentos da conferência. Para Izabella Teixeira, a declaração final da Rio+20 deve mostrar as novas práticas com relação ao desenvolvimento sustentável. “Precisamos definir os temas estratégicos da chamada economia verde, como erradicação da pobreza, governança do desenvolvimento sustentável, segurança e-nergética e alimentar, produção e consumo sustentáveis. Os países precisam desenvolver competências em torno das novas tecnologias ambientais”, completou.

A titular da pasta do Meio Ambiente destacou, ainda, a im-portância da difusão da informação com relação às questões pertinentes à pauta da sustentabilidade. “Precisamos avançar naquilo que é o domínio da sociedade sobre a informação no que diz respeito às opções sobre a sustentabilidade. Estas informações precisam ser de mais fácil acesso e consumo para que possamos optar por melhores caminhos do ponto de vista da sustentabilidade”, concluiu.

Izabella Teixeira defende o fortalecimento do Pnuma - Por outro lado, no que diz respeito ao posicionamento político durante a Rio+20, a ministra do Meio Ambiente anunciou que o Brasil apoia o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Durante o lançamento do “Relatório Povos Resilientes, Planeta Resiliente – Um Futuro Digno de Escolha”,  ocorrido no último dia 18, no Palácio do Itamaraty, no Rio, ela também ressaltou que o país é favorável à abertura de um debate para o melhor formato do Programa. “A criação de uma Agência não significa o melhor formato. Entendemos que a proposta da criação de uma Agência, como está formulada, é insuficiente para li-dar com os desafios que estão sendo colocados no processo de negociação da Rio+20”, frisou, a-crescentando que o  Brasil apoia uma reforma pela qual todos os países do mundo façam parte do Pnuma.

Atualmente, 58 nações fazem parte do Programa e a contribuição é voluntária. A declaração veio de encontro ao posicionamento até então a-nunciado pelo negociador-chefe do Brasil na Rio+20, o embaixador André Correa do Lago, segundo o qual, o Brasil acompanhava a posição do Grupo dos 77 — coalizão das nações em desenvolvimento na ONU que reúne 131 países. 

Na conferência, deverão ser discutidos modelos e instrumentos de governança do Pnuma. Além disso, estará em pauta o debate sobre meios de integrar todas as ações ambientais levadas adiante por todo o Sistema da ONU, incluindo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre outros.

Câmara aprova feriado escolar para os dias da Conferência -
Entre os dias 20 e 22 de junho, durante a realização propriamente dita da Conferência das Nações Unidas, haverá feriado escolar na cidade do Rio de Janeiro. A medida foi aprovada pela Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro no último dia 18.

Isso significa que todos os estabelecimentos de ensino da educação infantil, ensinos fundamental e médio, escolas técnicas e profissionalizantes, bem como instituições de ensino superior, creches e escolas de cursos não terão aulas nesse período.

O feriado acontecerá  justamente no período em que mais de 100 chefes de Estado devem estar na cidade e  reduzir o fluxo de veículos na cidade.  A matéria seguiu para a sanção do prefeito Eduardo Paes.

Concurso de fotografias recebe inscrições até esta sexta, dia 25 - A Secretaria Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (SEA) lançou o concurso de fotografia “Abrace essas dez!”. A competição selecionará  as 15 melhores imagens das dez espécies de animais mais ameaçadas de extinção no Estado. As inscrições terminam nesta  sexta, dia 25.

Realizado em parceria com a Associação de Fotógrafos de Natureza (Afnatura), o concurso vai levar, também, as imagens vencedoras para a Rio+20. O material será exibido na exposição “Abrace essas Dez!”, que integrará as ações da SEA na conferência.

As dez espécies mais ameaçadas de extinção no Rio de Janeiro são: Jacutinga (Pipile jacutinga), Formigueiro do Litoral (Formicivora littoralis), Lagarto Branco da Praia (Liolaemus lutzae), Surubim do Paraíba (Steindachneridion parahybae), Muriqui (Brachyteles arachnoides), Mico Leão Dourado (Leontopithecus rosalia), Cágado do Paraíba (Phrynops hogei), Tatu Canastra (Priodontes maximus),  Preguiça de Coleira (Bradypus torquatus) e Boto-cinza (Sotalia guianensis).

Os interessados devem identificar os habitats dos animais e fotografá-los. Além da participação na Rio+20, o concurso distribuirá R$16 mil em prêmios.

Serviço
www.concursoabrace.com.br


Amazônia precisa de mais pesquisadores


Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o professor Adalberto Luís Val apresenta um olhar diferenciado sobre os debates em torno da Amazônia, tema recorrente nas discussões sobre Sustentabilidade.

O Inpa, ao lado do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém do Pará, e do Instituto Leônidas e Maria Deane (Ilmd), do Amazonas, constitui uma rede de órgãos de pesquisa do Governo Federal na região que reúne o maior complexo de biodiversidade de espécies do planeta.

Coordenador do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular do Inpa, Adalberto Luis Val tem percorrido a região amazônica para dar palestras sobre a Rio+20, a fim de envolver o maior número possível de atores sociais nas discussões que, para ele, ultrapassam as fronteiras dos países e indicam atitudes de políticas globais.

Especialista que se dedica ao estudo da respiração e as adaptações dos peixes amazônicos às modificações do meio ambiente, o educador ressalta a importância da socialização da informação sobre questões ambientais e sociais da Amazônia — região sobre a qual o mundo lançará seu olhar durante a Conferência das Nações Unidas.


Qual é a importância da Rio+20 para o Brasil e o mundo?

Adalberto Val - Inicialmente, precisamos definir o que entendemos por sustentabilidade? Es-se é o ponto fundamental. Devemos utilizar a seguinte ideia: realizar as nossas atividades de uma maneira geral sem ir além do que a natureza pode suportar. Sustentabilidade é aquilo que mantém o estoque natural na linha do tempo. Desde a revolução industrial, criamos um débito com a natureza, utilizando muito mais do meio ambiente do que ele pode suportar. Precisamos desenvolver estratégias para ir além da sustentabilidade, naquilo que talvez possamos chamar economia verde.

Como define economia verde?
Seria um conjunto de atividades que resultaria em uma reposição do que utilizamos do meio ambiente ao longo do tempo. Precisaríamos ter programas de replantio de florestas, sistemas de proteção de nascentes, sistemas extremamente efetivos de transporte no sentido trazer o ambiente para níveis aceitáveis de gases do efeito estufa. É um conceito que vai além da sustentabilidade. Estamos no limite do momento de transição mundial. Veremos um novo paradigma econômico e de relações entre a sociedade. Os limites políticos dos países, principalmente do ponto de vista ambiental, terão menos importância. As questões mais globalizadas vão se sobressair neste contexto. E precisamos de um processo muito mais eficiente de geração de informações para que possamos caminhar de forma segura neste novo paradigma. Um pilar fundamental dentro deste processo é a educação — não tem como proferirmos informações para uma sociedade que não esteja preparada para recebê-las.

Como avalia o tratamento dado às questões de sustentabilidade nas escolas do Brasil?

Há muito o que caminhar e o Governo tem papel importante. Precisamos  capacitar de forma  efetiva os professores para  prepararem as crianças que, na realidade, irão guiar os países no futuro. Quando falamos em um novo paradigma de relações da sociedade e da economia, temos que mudar nossos sistemas nos próximos cinco, dez anos. Mas este será um processo extremamente longo, tanto que as crianças de hoje estarão vivenciando esta nova realidade daqui a 30, 40 anos.  O processo de educação precisa ir  além da condição frágil que vivemos hoje.

Que participação espera de alunos e professores na Rio+20?

Acho que seria extremamente importante se entusiasmássemos esse pessoal todo a se manifestar dentro desse processo. De qualquer forma, estamos muito próximos da reunião e fizemos muito pouco no sentido de esclarecer a importância deste momento que envolve todos os países do mundo para essas questões todas: a economia verde, sustentabilidade, relações entre os povos, e assim sucessivamente. Eu tenho caminhando pela Amazônia em várias outras regiões para falar, junto a meus colegas, sobre a Rio +20. E existe uma receptividade extremamente grande nos vários lugares em que vamos. Entretanto, a informação demora a chegar e se espalhar na sociedade — esse é o grande problema que vejo na sociedade brasileira e, de modo geral, nos outros países. Precisamos socializar a informação.

Qual a importância da Amazônia, apontada como o pulmão do mun-do, com relação às questões ambientais?

A Amazônia não é o pulmão do mundo; esse conceito é equivocadíssimo. Ela é uma floresta em clima e tudo que ela produz de oxigênio, acaba consumindo. Mas ela tem um papel importante para estocar, armazenar parte do CO2 que vem sendo lançando na atmosfera de uma forma geral. O grande gargalo dessa situação é a falta de informações sobre a região. Conhecemos muito pouco sobre sua diversidade biológica; não sabemos como esses organismos todos que vivem na região interagem entre si e com seus ambientes; como essa diversidade biológica é mantida; como essas mudanças climáticas todas que estamos presenciando no mundo inteiro vão afetar a Amazônia.

Poderia nos falar da importância do Inpa e das atividades que o instituto desenvolve?

O Inpa basicamente trabalha questões ambientais e tem quatro focos principais de pesquisa: a biodiversidade; a dinâmica do ambiente amazônico; a área de sociedade, ambiente e saúde; e um foco de tecnologia e inovação. O Inpa mantém vários programas de pós-graduação. Temos aproximadamente 600 estudantes de mestrado e doutorado. É o principal instituto de biologia tropical existente no mundo. Boa parte do que nós conhecemos hoje sobre os ambientes tropicais foi gerado por meio de pesquisa realizadas pelo Inpa. Trabalhamos em cooperação com outras várias instituições brasileiras e estrangeiras. Nosso gargalo é a questão de escala: trabalhamos em um ambiente muito extenso. Quando falamos de Amazônia, falamos de cerca de 60% do território brasileiro. A quantidade de pesquisadores disponíveis para estudar este ambiente é bastante reduzida.

Serviço
www.inpa.gov.br

 

Por: Tainara Silva - [email protected]
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