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Uma escola que é exemplo de estrutura e proposta pedagógica


Inaugurada em 2008, a Escola Sesc de Ensino Médio trouxe ao Rio de Janeiro um projeto pioneiro na área da educação. Localizada na Barra da Tijuca, a instituição é uma escola-residência gratuita e que abre, anualmente, seleciona alunos de todo o país. As inscrições para o concurso de admissão, inclusive, encontram-se abertas até o próximo dia 25, no site do colégio.

É preciso ter o ensino fundamental completo para concorrer às 159 vagas ofertadas. As oportunidades são destinadas preferencialmente aos dependentes de comerciários; a candidatos que apresentem renda familiar bruta igual ou inferior a cinco salários mínimos e ao longo de sua vida escolar tenham estudado ao menos dois terços do ensino fundamental em escola do Sesc ou em escola pública ou em escola privada na condição de bolsista.

Ofertando, desde 2008, cerca de 159 vagas por ano para ingresso na primeira série do ensino médio, a Escola Sesc, hoje, opera com capacidade plena, totalizando 494 alunos compondo o corpo discente da instituição. Com uma proposta pedagógica inovadora, instituição forma seus alunos para além da universidade e do mercado de trabalho. O modelo residência, que permite a estudantes, professores e gestores morarem na escola, possibilita, entre outras coisas, o convívio com pessoas com diferentes perfis culturais. De acordo com a diretora da Escola Sesc de Ensino Médio, Claudia Fadel, a missão dos educadores da instituição é formar seus estudantes para a vida.

"Nós caminhamos com a meta de proporcionar formação e autonomia aos nossos estudantes, para que no futuro eles sejam donos de sua vida. Incentivamos a autonomia deles. Aqui na escola até dormir é uma atividade. Por isso, além da jornada acadêmica diária de nossos alunos, eles também são responsáveis por arrumar os quartos, lavar e passar a própria roupa e ter um cuidado básico com suas casas. Somos uma escola de tempo integral, para formação integral."

A Escola Sesc ocupa uma área de 130 mil metros quadrados. O campus é todo informatizado e foi planejado com espaços que proporcionam aos jovens os mais variados tipos de espaços pedagógicos, como biblioteca, teatro, ginásio coberto, quadra poliesportiva, piscina semi-olímpica, campo de futebol, sala de dança, ginástica, dentre outros.

Os membros do corpo docente da Escola moram com suas famílias na Vila dos Professores. Os estudantes moram na Vila Acadêmica, composta por quatro prédios. Os quartos são compartilhados por três alunos, sempre vindos de estados diferentes expressando, dessa forma, a heterogeneidade da educação brasileira. Para Claudia Fadel, essa multiplicidade cultural é o diferencial da instituição.

"Temos a Vila dos Professores e a Vila dos Alunos. Quando o aluno passa para o terceiro ano ele vai morar na Vila dos Professores, onde eles começam a gerenciar o apartamento deles como uma república. Mas a verdade é que temos alunos espalhados por toda a escola e esse contato do aluno com o educador e com outros colegas é muito importante em um projeto pedagógico como o nosso, que dialoga com as diferenças. Costumo dizer que todos aqui nessa escola são educadores, não importa a função que exerçam. Para mim isso sim é interdisciplinaridade, pois isso é enxergar o aluno como um todo e não como partículas."



Atividades em horário integral elevam qualidade do ensino

O regime de horário integral possibilita a oferta de atividades educativas em sala de aula e extraclasse em diversos espaços externos da escola, como teatros, laboratórios, salas de artes, música, dança, dentre outros. As turmas têm, no máximo 15 alunos. O horário regular de aulas acontece de 7h às 16h. Além da grade curricular tradicional, os alunos contam com diversas oficinas e cursos de qualificação profissional. Viagens, palestras, saraus e exposições também fazem parte da rotina acadêmica do corpo discente da Escola Sesc.

"Oferecemos cerca de 120 oficinas, mas é uma diversidade sem perder o foco. Quando oferecemos um leque tão grande de oficinas é porque a gente enxerga a diversidade no ser humano. A nossa missão é ter a certeza de que um estudante que passou por aqui teve a oportunidade de desenvolver o que ele tem de melhor. Se ele quer ser cantor, ator, professor: nós incentivamos", salienta Claudia Fadel.

Uma seleção interna proporciona aos alunos a oportunidade de conhecerem outras culturas, através de um programa de intercâmbio. Segundo Claudia Fadel, a intenção, no entanto, é aumentar o número de países de destino para propiciar mais oportunidades de estudos. "Queremos expandir esse programa de intercâmbio para França, Alemanha. Por isso, trabalhamos com vários idiomas. Não queremos ficar restritos aos Estados Unidos", conta a Diretora da Escola Sesc de Ensino Médio, que oferece o ensino de quatro idiomas: inglês, francês, espanhol e alemão.

Devido à qualidade de ensino, a Escola Sesc ocupou, no ranking nacional do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012, a 39° posição. Entre as melhores do Rio de Janeiro, a instituição alcançou a 8ª colocação. Para a diretora, no entanto, o rankeamento no exame é apenas uma consequência do trabalho realizado pelos educadores da escola. "O rankeamento no Enem é importante, é claro que queremos estar bem colocados, mas para nós é uma consequência do nosso trabalho, não é nossa prioridade. Nossa prioridade é encontrar e formar estudantes talentosos, cidadãos para a vida."


Educadores e tutores são peças-chave na formação de alunos

Composto por um corpo docente de qualidade, a Escola Sesc de Ensino Médio não mede esforços para qualificar ainda mais seus professores. De acordo com Claudia Fadel, é a paixão que a move na escolha de seus educadores.

"Professor bom para mim é aquele que quando eu falo do nosso projeto vejo o olho brilhar. Nossos professores têm que ter licenciatura, claro, seguimos as regras do Ministério da Educação (MEC), mas para mim, sobretudo, é paixão. O resto, consertamos. O Sesc não impõe limite no que nós quisermos fazer na capacitação dos professores. Se o professor quiser fazer uma pós-graduação, mestrado, doutorado, financiamos porque nós acreditamos no desenvolvimento profissional das pessoas que
trabalham conosco."

Além de lecionar, cada professor é tutor responsável por um grupo de 10 alunos, que cuidam de questões acadêmicas e até mesmo afetivas. Em cada prédio residencial na vila de alunos, há, ainda, três famílias residindo que também são responsáveis pelo cuidado com os estudantes. Na hora das refeições há, em cada mesa, a presença de um educador. Tanto cuidado é pensado para que os alunos se sintam em casa e não sejam prejudicados pela saudade da família.

"O tutor é uma figura de muita importância porque ele faz essa mediação. Ele representa a instituição nessa triangulação entre o estudante, a escola e sua família. As famílias participam de tudo o que acontece com os estudantes aqui. Eles vivem aqui um período de três anos e nós temos uma consideração muito grande pela formação que o aluno recebeu antes de vir para cá. A família está sempre presente ainda que a distância", salienta a Gerente de Vida Residencial da Escola Sesc Regina Barbosa.

A experiência do emprego também faz parte da proposta pedagógica da Escola Sesc. Quando chegam ao terceiro ano do ensino médio, os alunos podem se inscrever para monitoria nos diversos setores da instituição. É um projeto de 80 horas em que os estudantes precisam conciliar trabalho e estudos. Há folha de ponto, avaliação periódica e atribuições, em que os jovens recebem tarefas e precisam, a todo o tempo, se reportar a uma chefia. Ao final recebem o certificado de horas de trabalho de um determinado setor.

"Quando eles chegam a terceira série, fazemos uma simulação. Abrimos vagas nos diferentes setores da escola, eles enviam currículo, passam por um processo de entrevista e às vezes são absorvidos. Quando não são chamados precisam procurar em outro setor. São reencaminhados, passam por outro processo de entrevista, até serem encaixados em algum setor. Temos feito uma aproximação grande com empresas também, porque nos interessa saber como é a outra ponta. Se a formação acadêmica e a formação geral para a vida realmente estão compatíveis. Como eles se inserem e quais são as expectativas das empresas", diz Regina Barbosa.
 

Por: GISELLE BRITO - [email protected]
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