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Professores do Colégio São João Batista analisam questões da Uerj


A principal mudança do Exame de Qualificação para o vestibular 2014, a criação de uma área específica para Matemática, que fazia parte, até o ano passado, da área de Ciências da Natureza, ao que parece, penalizou as outras disciplinas desta parte da prova. Até o ano passado, eram 22 questões da parte da prova que englobava, principalmente, tópicos de Matemática, Física, Química e Biologia. Em média, havia entre cinco e seis questões de Matemática todo ano, total que subiu para oito, com a criação de uma área específica para a disciplina.

Em Biologia, foram aplicadas cinco questões que, segundo o professor Marcus Canto, do Colégio São João Batista, de Nova Friburgo, abordavam apenas três tópicos do programa. “Apenas três assuntos diferentes foram cobrados: ácidos nucleicos/controle gênico das atividades celulares (questões 34, 37 e 44), respiração celular (questão 30) e ecologia (questão 41).

Lamentavelmente, assuntos importantes como a fisiologia animal, a genética e a evolução não foram explorados nas questões”, comentou o professor, que participou da equipe que fez, a pedido da FOLHA DIRIGIDA, o gabarito comentado da prova. Ele destacou também a facilidade desta parte do Exame. “As questões foram bem simples e diretas, excetuando-se a questão 37.”

Na parte de Física, o professor Tomas Guisasola Justo até considerou abrangente esta parte da avaliação. Porém ele lamentou o número de itens da disciplina. “Com apenas quatro questões, não se pode abranger um programa que envolva grande parte da Física. Lamentamos tal procedimento, mas é a regra do jogo”, comentou o professor, destacando que as questões de Física foram bem simples e adequadas a uma prova que é aplicada a candidatos de todas as áreas. “Elas foram abrangentes no conteúdo programático. As questões foram todas muito fáceis. Não houve nenhuma difícil”, salientou.

Prova sem questões
passíveis de anulação
Ao analisar o primeiro Exame de Qualificação da Uerj, a equipe do Colégio São João Batista não identificou questões passíveis de anulação. De maneira geral, os especialistas consideraram a prova fácil e bem elaborada. Em Química, o professor Carlos Alexandre Velozo identificou sete questões que abordam a matéria. “A prova encontra-se no nível médio, com exceção da questão 42”, salienta.

Em Matemática, na opinião do professor Rodrigo Oliveira, a banca conseguiu formular uma prova coerente com o que vem se propondo nos últimos anos: uma avaliação interpretativa e com muitos temas abordados. Segundo ele, o maior número de questões desta parte não resultou em maior dificuldade, em comparação com outros exames de qualificação.

“A questão 22 serviu de estímulo para os estudantes, pois era bem simples de ser resolvida. Já a 28 ocupou, em minha opinião, o posto de mais difícil por causa das aproximações que deveriam ser utilizadas durante os cálculos.”

Na área de Linguagens, os professores também elogiaram a correção e a coerência em relação ao que foi cobrado. Uma das mudanças foi o aumento do número de questões de Língua Portuguesa, que passou de 15 para 16, e a consequente redução do total de Língua Estrangeira, que passou de seis para cinco.

Segundo os professores Alex Rocha e Juliano Borges, que fizeram o gabarito comentado das questões de Português, entre os temas abordados, prevaleciam a compreensão de texto, tanto no seu sentido amplo, quanto na exploração de seus recursos estilísticos (figuras de linguagem) e sintático (relações semânticas mantidas por conectores). Eles salientaram também que os itens apresentaram, em linhas gerais, grau de dificuldade baixo.

Em Ciências Humanas,
destaque para os mapas
Elogios também à parte de Língua Estrangeira. A professora Fernanda Luz, de Espanhol, classificou a prova como como fácil e com questões transparentes e bem elaboradas. “Para as questões 17 e 18, os candidatos devem ater-se ao entendimento global do texto; as questões 19 e 20 trazem uma gramática contextualizada e a 21 trabalha com inferência de vocabulário”, comentou a professora, destacando que, mais uma vez, o eixo principal foi a habilidade de leitura.

“O exame de qualificação da Uerj geralmente segue padrões coerentes na elaboração das questões e tem como enfoque a leitura instrumental de textos de diversas fontes. Exige tanto a compreensão global dos textos quanto alguns aspectos específicos como inferência de vocabulário e, em alguns casos, gramática contextualizada”, analisou.

Layne Feijo comentou a parte de Língua Inglesa e ressaltou que o aumento da expectativa de vida da população mundial e os fatores que contribuíram para esta boa notícia foram o tema central do texto que compôs a prova. Salientou ainda que o uso constante de adjetivos no grau comparativo e conectivos de contraste marca o texto. "O objetivo principal é justamente traçar uma linha de comparação entre o passado e o presente para, assim, justificar a maior perspectiva de longevidade humana hoje. Exposto de forma clara e sequencial no texto, tal assunto é bastante atual e de fácil entendimento", disse.

Na parte de Ciências Humanas, na opinião do professor Romulo Cravinho, a prova seguiu os padrões e as particularidades apresentados nos vestibulares anteriores. Segundo ele, assuntos como Rio de Janeiro - associado às questões político-sociais e econômicas, como população, desigualdades, ocupação irregulares e novas tendências urbanas – globalização, agricultura, indústria e população não foram esquecidos.

“A prova equilibrou bem os três eixos interdisciplinares – sociedade, tempo e espaço; política, cidadania e cultura; e economia, trabalho e tecnologia – na maioria das questões. A prioridade para o Brasil Republicano também foi mantida, além dos temas atuais bem trabalhados, exemplificado na menção ao problema geopolítico envolvendo as duas Coreias”, destacou Romulo Cravinho, ressaltando que, em várias questões, o candidato precisou estar atento para as análises das imagens, mapas, gráficos e tabelas.

“Talvez o grande desafio tenha sido as questões que apresentaram esse tipo de exigência. No que tange à interdisciplinaridade, peculiar nessa prova, História e Geografia caminharam juntas, mas os conteúdos relativos à Filosofia e Sociologia foram negligenciados”, salientou.

Por: Diego Da - [email protected]
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