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Vaga em Medicina exige disciplina e sacrifício



Historicamente, Medicina é uma das carreiras mais concorridas nos vestibulares. E no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano não foi diferente. Das 10 maiores notas de cortes do processo nas universidades brasileiras, seis foram do curso.

E se para entrar em uma universidade pública, muitas vezes, o estudante precisa se sacrificar e até deixar um pouco de lado o lazer e a diversão, quando a disputa é por uma vaga no curso de Medicina, o
esforço geralmente é ainda maior. Como as médias de ingresso são bem mais altas que na maioria das carreiras, alcançar boa nota em algumas áreas do Enem não basta. É fundamental um bom rendimento em todas as partes da prova, o que exige maior tempo de dedicação aos estudos.

Uma das práticas comuns de quem conseguiu uma vaga para Medicina em uma universidade federal é não se restringir ao estudo na escola ou curso preparatório. A jornada diária de preparação costuma ir além e tomar algumas horas do tempo do aluno em casa. O nível de estresse é alto e, em muitos casos, traz impactos na vida do candidato, como aconteceu com João Guilherme Avellar, de 19 anos. “Terminei o namoro e comecei a fumar,” conta o rapaz que ficou a 33ª posição das 40 vagas oferecidas
pela UniRio este ano.

“Eu estudava muito, então um dia minha namorada falou: 'ou eu ou a prova'. Eu deixei claro para ela que eu ia passar para Medicina e se ela não quisesse continuar, paciência. Eu só saía à noite uma vez por mês, estava muito estressado, então para aliviar a tensão, entre uma prova antiga do Enem e outra, acendia um cigarro; acabei virando fumante,” disse João Guilherme. “Depois que passei, tudo isso valeu a pena.”

O 8º colocado também para a UniRio, Rodrigo Franceschett, que fez o Enem pela segunda vez, foi outro que deixou o namoro de lado para se preparar para a prova. “Só fui duas vezes para boate no ano todo, a receita para passar é foco e abdicação,” contou Rodrigo, que conseguiu 803 pontos no total. “Estudei tudo de forma bem abrangente; Dediquei-me um pouco mais às específicas (Biologia, Física e Química), por gostar mais,” disse o agora aluno de Medicina da UniRio que, para espairecer, jogava no
computador aos sábados e frequentava a academia durante a semana.

A paulista Maria Eduarda Zuppardo ficou em 13º lugar na UniRio com 801 pontos no Enem. Ela admite que o foco maior era o vestibular da Fuvest, para o qual  acabou não passando, mas ficou feliz por conseguir uma vaga no Rio. Ela também disse que abdicou de muitas coisas para conquistar o objetivo. “Saía bem de vez em quando com os amigos,” disse ela que, para superar suas deficiências, fez aulas particulares de Redação. “A professora passava de dois a três temas de atualidades por semana, eu fazia e ela corrigia, me mostrando os pontos onde podia melhorar,” explicou ela. O método surtiu efeito, já que Maria Eduarda alcançou 920 pontos só no texto.

Por: Gabriel Oliveira - [email protected]
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