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Concurso possível: conheça história de perseverança e superação de barreiras

Concurso possível: conheça história de perseverança e superação de barreiras

Resumo: Antes de ingressar no serviço público, ele teve algumas experiências na iniciativa privada. Nessas, conta que aprendeu muito, mas que enfrentou problemas


A dedicação de Hector Amaral aos estudos foi recompensada com uma oportunidade que ele jamais pensou em conseguir. Ainda no sexto período da faculdade de Engenharia de Produção Civil, Hector foi aprovado no concurso de escriturário do Banco do Brasil. O que já seria, por si só, uma enorme vitória para qualquer pessoa, para o rapaz de 24 anos que possui Síndrome de Asperger, foi a prova de sua capacidade para quem o subestimava por sua condição, que embora atinja cerca de 3% da população, ainda é desconhecida por muitos. 
 
hector amaral
Hector (na foto ao lado) não quer parar por aí. Sua meta agora é se tornar engenheiro da instituição, função para qual vem se qualificando por meio de duas pós-graduações. ”Eu acredito que na iniciativa privada eu teria um pouco mais de dificuldade em ter uma ascensão profissional pelo fato de não ter uma lei para me resguardar. Quando eu estava tentando estágio em Engenharia Civil, participei de 15 dinâmicas de grupo… Só passei em uma. E as poucas em que eu tive uma resposta, o setor de RH dizia que não tinha percebido em mim ‘espírito de liderança’, ‘empatia’, sempre as mesmas coisas que se enquadravam com a síndrome de asperger”, explicou o escriturário, que criticou os critérios pouco flexíveis dos processos seletivos da iniciativa privada. 
 
Antes de ingressar no serviço público, Hector teve algumas experiências na iniciativa privada. Nessas, conta que aprendeu muito, mas que enfrentou problemas de adequação, uma vez que esses ambientes não estavam preparados para lidar com as diferenças e especificidades de seus profissionais.”Com o tempo eu percebi que além da questão do isolamento que eu sentia, a pressão psicológica era muito grande, motivada por algumas situações específicas que aconteciam. Uma delas foi quando meus colegas botaram divisórias em minha mesa, achando que me fariam um favor, ou quando, no meu emprego como balconista, em que eu também precisava realizar vendas, meu chefe nunca entendia meu ponto de vista e sempre falava que eu estava errado.”
 
Motivado por sua mãe, a quem se refere com muita gratidão e carinho, Hector decidiu então que iria se aplicar a concursos de diversas áreas. A remuneração, que costuma ser um dos primeiros fatores levados em consideração pelos concurseiros, para Hector era um detalhe menos importante do que o ambiente de trabalho, fator considerado em primeiro plano. Por isso, chegou a recusar algumas oportunidades, como o concurso da Infraero. “Quando você muda de lugar tem que pensar como vai ser o ambiente. Não pode fazer o concurso por fazer ou só porque paga bem. Eu recusei a Infraero porque, para mim, psicologicamente falando, não era legal, embora me pagasse o dobro do que ganho no Banco do Brasil.”
 
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Mas, no fim das contas, a recusa veio para um fim maior. De acordo com o funcionário, trabalhar no Banco do Brasil sempre lhe pareceu uma boa opção, e hoje não pensa em deixar o órgão, mas em crescer lá dentro. ”Meu setor é muito bom, plenamente caridoso e respeitoso. O Banco do Brasil é uma instituição que ainda precisa se aprimorar, claro, mas que valoriza o conhecimento dos funcionários, seja pela remuneração, seja pelos direitos garantidos. Quando veio meu primeiro salário, e tinha mais de R$2 mil na conta, eu só consegui falar ‘nossa senhora! Comprei uma moto, paguei minha colação de grau e mais uma série de coisas”, explicou o funcionário, que ainda ressaltou que dentro do BB os funcionários têm direito a vale-cultura, vale-alimentação, plano de saúde, previdência, premiações por ideias, entre outros.
 
Apenas no começo do que promete ser uma carreira promissora, Hector foi enfático ao afirmar: “Ninguém vem pronto, todo mundo tem seus problemas e o importante é aprender a respeitar e a valorizar as diferenças. Acredito que eu consiga vir a me tornar engenheiro do Banco do Brasil. Eu acredito e irei correr atrás disso.”
 
Por: Julia Maia - [email protected]

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