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Ziraldo: um talento que encanta gerações


Certa vez, uma menina perguntou a Ziraldo o que ele faria em prol do acesso à cultura literária para as crianças mais pobre caso fosse o presidente da República. A resposta foi a seguinte: “Sempre desejei e continuo desejando um mundo melhor. Acho que, no mundo ideal, a criança seria o centro de preocupação da sociedade. Um mundo de crianças felizes seria o mundo do futuro sonhado.”
 
Decerto, embora não tenha nem chegado perto de presidir o país, o senhor de eterno sorriso juvenil, de cabelos grisalhos e de colete utilitário, do tipo fotógrafo, abriu a porta para o despertar da cidadania de milhares de brasileiros. Seja com os seus livros e quadrinhos infantis e até mesmo com os feitos para os adultos, especialmente The Supermãe e Mineirinho - o Comequieto. “Gosto de inquietar adultos acomodados e despertar as crianças para a alegria e o prazer que é ler com desenvoltura”, disse Ziraldo, em uma ocasião, ao comentar o seu trabalho.
 
Em 2012, Ziraldo Alves Pinto ou simplesmente Ziraldo receberá pela primeira vez o título Personalidade Cidadania - iniciativa da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Academia Brasileira de Filosofia (ABF) e da Folha Dirigida.  Nascido em 24 de outubro de 1932 em Carantiga, Minas Gerais, o escritor é o primogênito de sete filhos. Seu nome surge da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha, com o de seu pai, Geraldo.

Ao longo de 60 anos carreira, ele exerceu com louvor várias facetas de seu talento. Cartunista, pintor, cartazista, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e escritor. Nos anos 50, fez os primeiros traços em jornais e revistas como o Jornal do Brasil, O Cruzeiro, entre outras publicações. Na década seguinte, lançou a primeira revista brasileira em quadrinho feita por um só autor. Quando os militares tomaram o poder, com a turma do mítico O Pasquim, uma das mais instigantes experiências da impressa brasileira, fez oposição ao regime. Chegou a ser detido no Forte Copacabana, mas não sem antes a ajudar vários amigos a fugir das garras do arbítrio.

Em 1969, publica FLICTS, seu primeiro livro infantil, que fez sucesso no exterior. Em 1980, lança: O Menino Maluquinho, que tornou-se fenômeno editorial, com mais de milhões de exemplares vendidos. E conquista uma legião de fãs. A história de um menino um tanto inventivo, com uma panela sobre a cabeça (o chapéu de Napoleão Bonaparte, como já explicou o autor) foi adaptada para teatro, quadrinhos e cinema entre outros. Ziraldo se justifica: “O Menino Maluquinho é um menino que teve, acima de tudo, amor na infância. Uma criança feliz tem tudo para ser um adulto feliz, e foi isso que eu quis mostrar no livro. Ou não quis!”

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