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Quer entrar no Itamaraty? Conheça a trajetória de Rômulo Neves, diplomata e ex-BBB

Quer entrar no Itamaraty? Conheça a trajetória de Rômulo Neves, diplomata e ex-BBB

Resumo: Nos seus 12 anos como diplomata, Rômulo já atuou na Venezuela, Suriname e Etiópia. Mas seu último desafio foi a participação no "Big Brother Brasil".


O ingresso ao Itamaraty e a carreira diplomática atraem anualmente centenas de concurseiros interessados nas oportunidades de atuação fora do Brasil, no contato com diferentes culturas e nas boas remunerações. O concurso de 2017, por exemplo, reúne 5.936 candidatos às 30 vagas oferecidas pelo Ministério das Relações Exteriores.
 
Você abdicaria dessa rotina para conquistar fama e visibilidade? Rômulo Neves, diplomata há 12 anos - durante os quais trabalhou na Venezuela, no Suriname e na Etiópia -, abriu mão de tudo isso por três meses para se dedicar a um novo desafio: participar da 17ª edição do "Big Brother Brasil".
 
Rômulo Neves em discurso
Rômulo é natural de Anápolis-GO, mas atualmente
mora em Brasília-DF
 
Para entender melhor a trajetória de Rômulo, a FOLHA DIRIGIDA conversou com o ex-BBB, que tornou-se diplomata em 2005, quando prestou o concurso público para área pela segunda vez. Durante a entrevista, ele falou sobre temas como:
 

Até 2003, Rômulo era cientista político, jornalista econômico e poeta nas horas vagas. Até que um dia, recebeu um panfleto de cursinho preparatório para o concurso de diplomata. Achou curioso e resolveu assistir a uma aula para ver se gostava do assunto. Ao chegar, logo percebeu que seu estilo de vida, suas atitudes e roupas eram bem diferentes da maioria dos integrantes daquela turma. Mas algo naquele ambiente o chamou atenção: uma bela moça.
 
Determinado a conseguir o telefone da menina, Rômulo resolveu se inscrever no concurso e também participar das aulas do cursinho. Ele fez a prova e, finalmente, conseguiu o contato da moça - que em pouco tempo tornou-se sua esposa. Nesse ano, Rômulo não conseguiu a aprovação.
 
Na verdade, ele nunca sonhou seguir a carreira diplomática. Em vez disso, tinha pretensão de atuar no Ministério do Planejamento. Mas sua mulher o convenceu a continuar tentando e a se inscrever novamente para a seleção do Itamaraty em 2004.
 
“Eu não tinha pretensão nenhuma de ser diplomata antes, nunca tinha sonhado com isso. Mas na época eu era casado e minha ex-esposa queria muito o concurso. Aí me convenceu a prestar a prova também. Eu era jornalista de economia, tinha trabalhado com pesquisa, já tinha trabalhado em tribunal, então tinha familiaridade com os temas cobrados”, contou.
 
Por conhecer as disciplinas estabelecidas pelo edital, Rômulo conseguiu se sair bem na primeira e na segunda fases do concurso sem grandes dificuldades. Para ele, o mais difícil foi passar pela terceira etapa. Por isso, pediu licença de seu trabalho e começou a estudar integralmente para a prova.
 
“Fiquei dois meses estudando de seis e meia da manhã até onze horas da noite. O mais difícil para mim foi a prova de inglês, em que tínhamos que fazer uma redação. Meu conhecimento era básico, nunca estudei inglês em escola e fui aprendendo na marra. Se zerasse na redação, zerava a prova toda. E era automaticamente eliminado do concurso”, explicou.

Pelo mundo afora

Vencida esssa dificuldade, Rômulo conseguiu a aprovação no concurso. Em 2005, iniciou o curso de formação de diplomatas, oferecido pelo Instituto Rio Branco (IRB). Dois anos depois, teve sua primeira experiência fora do Brasil, atuando cinco meses na Venezuela. “Fiquei tão impressionado que escrevi um livro sobre a história política do país”, relatou.

 
Rômulo durante o lançamento do seu livro sobre a Venezuela
Rômulo durante o lançamento do seu livro sobre a Venezuela
 
 
Após esse período, retornou ao Brasil e começou a atuar no Itamaraty. “Primeiro trabalhei na Assessoria Parlamentar e logo já fiquei com vontade de ir para o exterior. Então fui para o Suriname”, contou Rômulo.
 
O diplomata atuou por dois anos e meio no país, localizado ao norte da América do Sul. Um de seus maiores desafios foi durante o ataque a garimpeiros brasileiros na cidade de Albina. “Foi muito difícil, complicado e cheio de contradições. Passei um mês cuidando de hotel, alimentação e médico para todos os brasileiros atingidos”, relembrou.
 
Depois da experiência no Suriname, Rômulo retornou ao Brasil e chefiou a Divisão da Sociedade de Informação, que cuida da política brasileira para internet no mundo. Neste cargo, participou de dois momentos importantes: um processo contra a Amazon e o caso Edward Snowden.
 
O último país em que Rômulo Neves atuou como diplomata foi a Etiópia, onde permaneceu até 2014. “Foi uma experiência incrível, em um país incrível. Lá existe outro calendário, outro horário, outro alfabeto, outro ano. Por exemplo, eles agora estão no ano 2011, o dia vira às seis da tarde, o calendário possui treze meses”, ressaltou.

Reviravolta na carreira

Retornando ao Brasil, Rômulo se tornou chefe da Divisão de Oceania, função que exerce até hoje. Durante uma das tradicionais “peladas” de terça-feira à noite com os colegas do Itamaraty, foi convidado por um produtor para participar do "BBB". No início, Rômulo pensou em recusar a proposta. Mas como tem pretensões políticas, resolveu aceitar para conseguir maior visibilidade.

 Mesmo sendo criticado por ser diplomata e ter aceito participar do reality show, Rômulo afirma que o seu objetivo principal foi atingido. “Eu não posso reclamar. Participei de um programa com 60 milhões de telespectadores. Hoje, no Distrito Federal, não tem ninguém que não me conhece. Podem não gostar de mim, mas me conhecem”.
 
Para participar do programa, Rômulo pediu férias do Itamaraty e depois licença. “Fiz todo processo legal, pedi férias e licença sem vencimento para caso avançasse no programa. Isso, inclusive, causou discussões enquanto eu estava no 'BBB', porque tinha gente que achava que eu estava recebendo salário. Mas não estava. O período da minha licença era sem vencimento. As férias eu recebi direitinho, mas o que fiz além desse período eu não recebi pelo Itamaraty”, explicou.
 
Rômulo Neves durante sua participação do BBB
Rômulo Neves conversa com Marcos Harter,
durante sua participação no Big Brother Brasil 17
 
Questionado se a experiência diplomática o ajudou dentro do "BBB", Rômulo diz acreditar que sim. “Tem uma característica minha que me ajuda como diplomata e me ajudou muito também no programa: sou muito paciente e observador. Dificilmente eu tomo uma atitude correndo ou emocional”, afirmou.
 
Para os candidatos que realizarão o concurso Diplomata 2017, Rômulo Neves deixa a seguinte mensagem: “Só não passa quem desiste! Tenho um amigo que passou na oitava vez que tentou. À medida que a pessoa vai se preparando, ela vai ficando mais tranquila para os anos seguintes. Mantendo a disciplina, uma hora você vai passar”. 
 
Por: Bruna Somma - [email protected]

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