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No Dia do Servidor Público, os relatos de quem sonha chegar lá

No Dia do Servidor Público, os relatos de quem sonha chegar lá

Resumo: Estabilidade, bons salários e possibilidade de crescimento são alguns dos fatores que levam milhões de concurseiros a sonharem com o ingresso na carreira pública


Eles gozam de estabilidade financeira, diversos benefícios e salários acima da média do mercado. Contudo, passar em um concurso não é nada fácil - ao contrário, exige muito esforço e dedicação. Por isso, todos os concursados do Brasil estão de parabéns. Mas, não só por isso: nesta sexta, 28 de outubro, é comemorado o Dia do Servidor Público. Os dez milhões de empregados selecionados por meio de concursos, em breve, deverão passar a ser dez milhões e mais um. Ou melhor, uma. Pelo menos se depender de Nayhara Nunes. Ela tem abdicado de festas, amigos, descanso e, aos 23 anos, está até solteira, tudo para se relacionar com os livros. A jovem garante que todo o sacrifício valerá a pena quando, daqui a um ano, em 28 de outubro de 2017, for parabenizada pelo seu dia. "Depois, toda renúncia é recompensada".
 
De acordo com a expectativa da postulante à carreira pública, a recompensa será mesmo boa: "Não terei preocupação se meu cartão do banco vai passar ou não", brinca, ciente de que dinheiro não é tudo. A jornalista se preocupa com o cartão porque, de acordo com seus planos, precisará comprar muitas fraldas e mamadeiras: "Vou poder ter uma casa, um carro, viajar e construir uma família. Porém, vou criar meus filhos com a segurança financeira de um emprego público", sonha a moradora de Recife, confiante de que esse momento de crise terá um fim.
 
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Nayhara tem apenas 23 anos, mas concorre com outros candidatos, com mais experiência, tanto na vida, quanto nos concursos. Como por exemplo, Raphael Câmara, de 46 anos. "Pela minha idade, posso dizer que eu vi de tudo um pouco. Já passei até por algumas crises nesse país, mas na situação atual do Brasil, na qual há 12 milhões de desempregados, ter estabilidade financeira não tem preço". Mesmo já tendo sobrevivido a algumas recessões, Raphael admite que está assustado. "Mas eu acredito que as dificuldades serão superadas em algum momento".
 

Superação de crises faz parte do currículo

 
Ele tem esperança na recuperação econômica do Brasil porque já esteve em situações de desemprego diversas vezes e, no fim, tudo deu certo. "Uma vez eu havia conseguido um trabalho bacana e estava satisfeito, até que comecei a sofrer ameaças de demissão". Agora, o advogado cansou dessa insegurança e aposta todas suas fichas na carreira pública: "Sem sombra de dúvidas é um porto seguro, senão, eu não estaria até agora tentando".  Mas tudo tem seu preço. Não que ele seja de festas e baladas, mas sente falta de poder receber os amigos em casa e de dedicar mais tempo à família. "É uma rotina solitária, que só quem é concursando entende".
 
Para vencer a solidão, ele tem uma estratégia: "O que me anima é saber que outras pessoas que já passaram por essa situação hoje ocupam cargos públicos e conquistaram tranquilidade na vida. Quando fico para baixo, me inspiro nesses amigos que conseguiram, e fico muito feliz por eles". Então, Raphael pode se inspirar em Marcelo Rebelo que, aos 45 anos, ocupa uma vaga no Setor de Comunicação da Prefeitura de Itabiro, em Minas Gerais. Ele, que revela não estar sendo afetado pela crise, confirma a teoria dos concurseiros: "Em tempos de dificuldades econômicas, receber o salário em dia e não se preocupar com uma possível demissão são coisas que não têm preço".
 
Mesmo recebendo em dia e feliz com o cargo que ocupa, o jornalista acredita que é importante não se acomodar. "Devemos pensar em crescer sempre. Eu, por exemplo, passei num concurso municipal há oito meses, mas já estou estudando firme para conseguir uma vaga num órgão federal". Ele merece toda a recompensa, pois carrega uma história de muita dedicação acompanhada de sucesso. Durante dez anos trabalhou como consultor das Nações Unidas, em Brasília (DF). Ganhava muito bem, mas não tinha estabilidade. Talvez  já prevendo a situação financeira na qual o país entraria, largou tudo e, durante um ano e meio, ficou sem trabalhar, apenas focado nos estudos.
 
Para conseguir se manter, se mudou para uma cidade com custo de vida mais baixo, deixou de lado a vida social e passou a estudar uma média de oito horas por dia, com descanso apenas aos domingos. "Hoje sou servidor efetivo na minha área. Não ganho tão bem como antes, mas não corro o risco de ficar desempregado e recebo meu salário em dia". Hoje ele tem a consciência tranquila e a certeza de fez a escolha certa. "Tenho muitos colegas que, assim como eu, eram consultores e estão desempregados, por conta da crise. Além do mais, agora tenho mais tempo para estudar, já que trabalho 25 horas semanais, com um salário razoável". E a tendência é melhorar: "Pelo meu planejamento, em 2018 espero estar trabalhando num órgão federal".
 

'Assombrada' pela Constituição Federal

 
Quem planeja desfrutar desses benefícios é a advogada Bruna Teixeira, de 30 anos. "Primeiramente, poderei ter noites de sono mais tranquilas". Ela diz isso porque frequentemente sonha que seu nome não consta na lista de aprovados, que perde a hora da prova, ou até pior: "Que tem uma Constituição me engolindo". Brincadeiras à parte, ela explica que passar no concurso será o primeiro passo significativo para sua independência.  Mas não é todo mundo que tem a sorte de Bruna. Ela pôde parar de trabalhar para estudar. Para isso, conta com a ajuda dos pais. "Tenho sorte por eles acharem que essa foi a decisão mais certa que tomei, mas não posso viver de mesada como se a vida fosse uma festa". 
 
Assim, pequenos prazeres, como comprar uma bolsa nova, por exemplo, foram cortados. "Tenho uma prioridade: passar em um concurso". Mas a iniciativa de largar tudo para estudar é recente. "Apesar de ter crescido sendo incentivada a prestar concurso, confesso que levei a ideia a sério quando me formei e me deparei com o mercado nada próspero da advocacia". Então, o concurso, que sempre foi segunda opção em sua vida, se tornou a prioridade que hoje a fez largar seu trabalho e ter que parar de comprar bolsas.  Mas não é preciso ter pais generosos para lutar por uma vaga. O administrador Cláudio Tadeu é a prova disso. "Chego do trabalho cansado e tenho que ficar ate altas horas fazendo exercícios ou assistindo a aulas. Busco forças do além".
 
O sacrifício é tanto, que ele mesmo se consola: "O  importante é ter em mente que o esforço é temporário, um dia nossa hora chega. Como dizem, não devemos estudar para passar, e sim até passar". Mas não é em qualquer concurso que ele se inscreve. Cláudio acha que o ideal é escolher um cargo com o qual se identifique. "No meu caso, por exemplo,  a carreira ideal é na Polícia Rodoviária Federal.  Não me vejo em outro segmento público". Ele sonha alto e deixa claro que não é comprado com dinheiro: "Não acredito que ter estabilidade e ótima remuneração sejam conquistas suficientes. Precisamos fazer o que gostamos em primeiro lugar".       
 

Especialista incentiva esforço e aplaude conquistas

 
Quem vem pregando esse ideal - de fazer o que gosta - é a professora de Português do curso Estratégia, Rafaella Freitas. Ela conta que apesar do ano de 2016 ter sido complicado financeiramente, ele trouxe algumas vantagens: "Os alunos passaram a ter um pouco mais de consciência política". Mas essa consciência veio na marra. De acordo com a professora, os salários atrasados e os cortes - na iniciativa privada - acabaram assustando um pouco os concurseiros e deixando um clima de instabilidade - até mesmo emocional. Mas tanto eles quanto a professora sabem que essa crise será superada. "Nós, da Educação, temos o dever e o anseio de mostrar para nossos alunos o caminho da mudança, que é o estudo, o discernimento, o pensamento, o voto consciente... Por isso eu digo que esse ano foi importante".
 
Por conta da sua profissão, Rafaella, que além de professora é servidora pública, tem contato direto com concurseiros e conta que é gratificante vê-los alcançar seus sonhos. "Os meus alunos fazem sacrificios inimagináveis, realmente abrem mão de uma série de simples prazeres, como até mesmo a vida social". Ela explica que isso não significa se isolar do mundo. Trata-se de uma questão de prioridade, de foco. "E isso eu tenho visto de sobra nos meus alunos". E não é só a eles que ela deseja sucesso. "Para todos os concurseiros que ainda estão na luta, quero dizer que uma vaga pública não é algo impossível de conseguir. É um sonho, sim. Que pode tornar-se real".  E completa, orientando que com muita força de vontade, um bom plano de estudos e apoio, todos são capazes de chegar lá. 
 
E para quem já chegou, ela deixa seu sincero agradecimento. "Como o nome já diz, os servidores são aqueles que servem ao público, e isso inclui cada um de nós. Então, eu quero deixar felicitações para aqueles que desempenham um trabalho justo, correto, que cumprem suas obrigações e merecem ocupar o cargo". Já as felicitações de Nayhara Nunes são mais otimistas: "Gostaria parabenizar todos os funcionários públicos do Brasil e dizer que em breve estaremos comemorando essa data juntos. Cada um de vocês deve ter orgulho de si, ter consciência do que fez para concretizar esse sonho". E Rafaella completa: "Parabéns a todos os colegas de todas as áreas, de todos os órgãos públicos e todos os poderes".
 
E para você? O que significará tornar-se servidor público? Conta pra gente...
 
Por: Juliana Reche - [email protected]

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